Questão de Português — Formação das Palavras: Composição, Derivação, Hibridismo, Onomatopeia e Abreviação — Avança SP 2024
Português›Formação das Palavras: Composição, Derivação, Hibridismo, Onomatopeia e Abreviação
Código
qg097202
Banca
Avança SP
Órgão
FUNBEPE
Ano
2024
Nível
Superior
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Furto de flor
Furtei uma flor daquele jardim. O
porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor.
Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com
água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo
destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me
agradecia, revelando melhor sua delicada
composição. Quantas novidades há numa flor, se
a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu
assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a
água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por
sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim.
Nem apelar para o médico das flores. Eu a
furtara, eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da
morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no
jardim onde desabrochara. O porteiro estava
atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua
casa neste jardim!
Andrade, C. D.Contos plausíveis. Rio de
Janeiro, José Olympio, 1985. p. 80.
Dentre as palavras a seguir, que ocorrem no texto, resulta de derivação parassintética apenas:
Aempalidecia.
Bcomposição.
Cdocemente.
Ddesabrochara.
Enovidades.
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GabaritoA — empalidecia.
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Derivação Parassintética: identificando o acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo
Gabarito: letra A. A única palavra que resulta de derivação parassintética é "empalidecia", pois ela é formada pelo acréscimo simultâneo do prefixo em- e do sufixo -ec- ao radical pálid-, de modo que a retirada de qualquer um dos afixos gera uma palavra inexistente (empálid- ou pálidecer não existem). Como se vê no texto: "mas a flor empalidecia". As demais alternativas apresentam outros processos de formação, como veremos a seguir.
O comando da questão
A questão pede que você identifique, entre as palavras do texto, aquela que foi formada por derivação parassintética. Isso é uma questão de conceito (morfologia), não de interpretação de texto. Você precisa conhecer a definição de parassíntese e aplicá-la a cada palavra, analisando sua estrutura interna (radical, prefixo, sufixo).
O que é derivação parassintética?
A derivação parassintética (ou parassíntese) ocorre quando uma palavra é formada pelo acréscimo simultâneo de um prefixo e de um sufixo ao radical. A característica fundamental é que os dois afixos são dependentes entre si: se você retirar um deles, a palavra resultante não existe na língua.
Por exemplo:
emagrecer: em- + magr- + -ec- → se retirar o prefixo, "magrecer" não existe; se retirar o sufixo, "emagr-" também não.
anoitecer: a- + noit- + -ec- → "noitecer" e "anoit-" não existem.
desbocado: des- + boc- + -ado → "bocado" existe, mas "desboc-" não; o prefixo e o sufixo são solidários.
Isso a diferencia da derivação prefixal e sufixal (também chamada de derivação parassintética imprópria ou derivação prefixal e sufixal), em que os afixos são acrescentados em etapas independentes: você pode retirar um deles e a palavra continua existindo. Exemplo: deslealdade (des- + leal + -dade) → se retirar o prefixo, "lealdade" existe; se retirar o sufixo, "desleal" existe.
Aplicando ao texto
Vamos analisar cada palavra:
empalidecia: radical pálid- (de pálido) + prefixo em- + sufixo -ec- (que forma verbos, como em emagrecer, entardecer). Retirando o prefixo: "pálidecer" não existe. Retirando o sufixo: "empálid-" não existe. Portanto, é parassintética.
composição: é formada por derivação sufixal a partir do verbo compor (com- + -por) + sufixo -ção. O prefixo com- já faz parte do verbo primitivo, não é acrescentado na derivação. A palavra "compor" existe sem o sufixo, então não é parassintética.
docemente: é formada por derivação sufixal a partir do adjetivo doce + sufixo -mente (que forma advérbios). Não há prefixo.
desabrochara: é formada por derivação prefixal a partir do verbo abrochar (a- + broch- + -ar) + prefixo des-. O prefixo des- é acrescentado a um verbo já existente (abrochar), e o sufixo -ar já fazia parte do verbo primitivo. Não é parassintética, pois a retirada do prefixo resulta em "abrochar", que existe.
novidades: é formada por derivação sufixal a partir do adjetivo novo + sufixo -idade (com alteração do radical: nov- → nov-). Não há prefixo.
Análise das alternativas
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"empalidecia" é a única palavra que apresenta derivação parassintética: prefixo em- + radical pálid- + sufixo -ec-, com acréscimo simultâneo. A retirada de qualquer afixo gera forma inexistente. No texto: "mas a flor empalidecia".
Alternativa B — ❌ Incorreta
"composição" é formada por derivação sufixal: do verbo compor (que já contém o prefixo com-) + sufixo -ção. O prefixo não é acrescentado na derivação; ele já integra o verbo primitivo. Portanto, não é parassintética.
Alternativa C — ❌ Incorreta
"docemente" é formada por derivação sufixal: adjetivo doce + sufixo -mente. Não há prefixo, logo não pode ser parassintética.
Alternativa D — ❌ Incorreta
"desabrochara" é formada por derivação prefixal: verbo abrochar (que já existe) + prefixo des-. O sufixo -ar já fazia parte do verbo primitivo. A retirada do prefixo resulta em "abrochar", que existe, então não é parassintética.
Alternativa E — ❌ Incorreta
"novidades" é formada por derivação sufixal: adjetivo novo + sufixo -idade. Não há prefixo, logo não é parassintética.
Conclusão
A questão testa a distinção entre derivação parassintética (prefixo e sufixo simultâneos, com dependência mútua) e derivação prefixal e sufixal (afixos independentes). A única palavra do texto que se encaixa na primeira é "empalidecia".
NÃO CAIA NESSA!
A banca coloca "desabrochara" (que tem prefixo e sufixo, mas não simultâneos) para confundir com parassintética. Lembre-se: na parassíntese, a retirada de um dos afixos inviabiliza a palavra.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar parassintética, faça o teste: retire o prefixo e veja se a palavra existe; retire o sufixo e veja se existe. Se nenhum dos dois existir sozinho, é parassintética.