Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2024
Português›Interpretação de Textos
Código
qg097205
Banca
Avança SP
Órgão
FUNBEPE
Ano
2024
Nível
Superior
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Furto de flor
Furtei uma flor daquele jardim. O
porteiro do edifício cochilava e eu furtei a flor.
Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com
água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo
destina-se a beber, e flor não é para ser bebida.
Passei-a para o vaso, e notei que ela me
agradecia, revelando melhor sua delicada
composição. Quantas novidades há numa flor, se
a contemplarmos bem. Sendo autor do furto, eu
assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a
água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por
sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim.
Nem apelar para o médico das flores. Eu a
furtara, eu a via morrer.
Já murcha, e com a cor particular da
morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no
jardim onde desabrochara. O porteiro estava
atento e repreendeu-me:
– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua
casa neste jardim!
Andrade, C. D.Contos plausíveis. Rio de
Janeiro, José Olympio, 1985. p. 80.
A partir da leitura do texto, depreende-se que:
AA flor pereceu ainda no jardim.
BO porteiro aquiesceu ao depósito da flor no jardim.
CO autor do furto restituiu a vitalidade à flor.
DO porteiro objetou à devolução da flor.
EA flor adaptou-se aos seus novos receptáculos.
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GabaritoD — O porteiro objetou à devolução da flor.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Furto de Flor — Inferência Textual
Gabarito: letra D. O porteiro objetou (repreendeu, criticou) a devolução da flor ao jardim, chamando-a de "lixo". A passagem que prova isso está no final do texto: "O porteiro estava atento e repreendeu-me: – Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!". O verbo "repreendeu" e a fala do porteiro mostram que ele não concordou com o ato do narrador — ele objetou.
O comando pede uma inferência ("depreende-se"), ou seja, uma conclusão que se tira das pistas do texto, não uma informação literalmente escrita. A alternativa correta é a que traduz, com outras palavras, uma ideia que o texto autoriza — e a D é a única que faz isso sem acrescentar nada de fora.
O texto narra a trajetória de uma flor furtada: o narrador a leva para casa, coloca-a no copo, depois no vaso, mas ela "empalidecia" e morre. Ele então a devolve ao jardim, e é nesse momento que o porteiro o repreende. A tese do conto é a ironia: o narrador, que furtou a flor, é repreendido por devolvê-la — o porteiro não vê a devolução como um gesto de reparação, mas como um ato de jogar lixo.
A técnica para resolver é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta conclusão, ou ela exige acrescentar algo que não está lá? A alternativa D é uma paráfrase da fala do porteiro: "objetou" = "repreendeu"; "à devolução da flor" = "vir jogar lixo de sua casa neste jardim". As demais ou contradizem o texto, ou extrapolam, ou restringem o que foi dito.
NÃO CAIA NESSA!
A banca troca o verbo "repreendeu" por "objetou" (sinônimo) e "devolução" por "depósito" — quem não percebe que "objetou" significa "discordou" marca a letra B, que diz exatamente o oposto.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A flor não pereceu no jardim; ela pereceu em casa, depois de ser furtada. O texto diz: "Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la ao jardim. Nem apelar para o médico das flores. Eu a furtara, eu a via morrer." A flor morreu na casa do narrador, não no jardim. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O porteiro não aquiesceu (não concordou); ele repreendeu o narrador. O texto é explícito: "O porteiro estava atento e repreendeu-me: – Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!". "Aquiescer" significa concordar, anuir — o oposto do que o porteiro fez. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O narrador não restituiu a vitalidade à flor; ela morreu. O texto diz: "Eu a furtara, eu a via morrer. Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara." A flor estava murcha e morta quando foi devolvida. A alternativa contradiz o texto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O porteiro objetou (repreendeu, criticou) a devolução da flor. A passagem que prova:
"O porteiro estava atento e repreendeu-me: – Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!"
"Objetar" significa apresentar objeção, discordar, reprovar. A fala do porteiro — "Que ideia a sua" — é uma repreensão, uma crítica ao ato de devolver a flor. A alternativa é uma paráfrase fiel: troca "repreendeu" por "objetou" e "devolução" por "depósito", mantendo o sentido. É a única que o texto sustenta integralmente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A flor não se adaptou aos novos receptáculos; ela definhou e morreu. O texto diz: "Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição" — mas logo depois: "Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida." A adaptação foi momentânea; o desfecho foi a morte. A alternativa restringe o sentido do texto, ignorando o desfecho trágico.
Conclusão: a questão testa a capacidade de inferir o sentido de uma palavra ("objetou") a partir do contexto. A alternativa D é a única que parafraseia a fala do porteiro sem contradizer ou extrapolar o texto. As demais ou invertem o sentido (B), ou ignoram o desfecho (A, C, E).
PEGA ESSA DICA!
Em questões de inferência, desconfie de alternativas que usam sinônimos "fortes" (como "objetou") — verifique se o sinônimo mantém o sentido do texto, não se ele o inverte.