Questão de Português — Interpretação de Textos — Avança SP 2024
Português›Interpretação de Textos
Código
qg097261
Banca
Avança SP
Órgão
FUNBEPE
Ano
2024
Nível
Médio
Leia o texto a seguir para responder à questão.
O dia em que os médicos aprenderam a lavar
as mãos
Na década de 1840, o húngaro Ignaz
Semmelweis chefiava a maternidade do Hospital
Geral de Viena, na Áustria. E algo o intrigava: as
grávidas internadas na ala A contraíam mais
infecções do que as que ficavam na ala B do
hospital. Por quê? Ignaz percebeu que, na ala A,
quem atendia as pacientes eram doutores e
estudantes que passavam boa parte do dia no
necrotério. Na ala B, por outro lado, quem
cuidava das mulheres eram enfermeiras que não
tinham contato com os cadáveres.
Semmelweis supôs que os médicos
transmitiam as doenças dos mortos para as
pacientes, mas não sabia explicar exatamente
como isso acontecia. Por garantia, exigiu que os
funcionários passassem a lavar as mãos durante
o expediente. E as infecções logo diminuíram.
[...] Semmelweis perdeu o emprego e nunca mais
conseguiu se encaixar na área. Publicou suas
descobertas em 1861 – e morreu quatro anos
depois.
Ignaz Semmelweis foi um dos pioneiros
da revolução sanitária que tomou forma na
segunda metade do século XIX. Nessa época, o
francês Louis Pasteur – que, junto com o alemão
Robert Koch, foi um dos arquitetos da teoria dos
germes – começou a disseminar a ideia de que
existem microrganismos por todo canto e que
eles são responsáveis por diversas doenças.
Pasteur estudou como essas bactérias e fungos
estragavam comida e desenvolveu o método que
leva o seu nome: a pasteurização (um choque
térmico que mata bactérias e aumenta a validade
dos alimentos). [...]
Inspirado pelas ideias de Pasteur, o
cirurgião inglês Joseph Lister começou a estudar
infecções em fraturas ósseas. Lister dava aulas
em Glasgow, na Escócia, e gastava horas
mergulhado em microscópios [...]. Lister
percebeu que fraturas expostas infeccionavam
mais do que as que não rasgavam a pele. “A culpa
deve estar em algo suspenso no ar”, pensou. O médico, então, procurou por desinfetantes que
pudessem ser aplicados em humanos. Em 1865,
ele experimentou uma versão diluída do fenol,
um químico usado para tratar esgotos, e a usou
para higienizar mãos, equipamentos, feridas e
curativos. Lister havia acabado de criar o
primeiro antisséptico, que reduziu drasticamente
as
infecções
pós-operatórias.
O
médico
estabeleceu um rígido protocolo de higienização
para cirurgias e desenvolveu também sabonetes e
sprays desinfetantes.
Lister publicou suas descobertas em
1867. Nos anos 1880, a teoria dos germes já era
amplamente aceita, e a assepsia tornou-se o
padrão-ouro em procedimentos cirúrgicos. Lister
virou cirurgião particular da Rainha Vitória, e
seu nome serviu para batizar um enxaguante
bucal lançado em 1895: o Listerine.
Semmelweis, Pasteur e Lister não são os
únicos personagens desta história, claro. A
revolução sanitária é também mérito dos
profissionais de saúde que desafiaram o status
quo e implementaram métodos mais higiênicos.
[...] Em meados do século 19, a expectativa de
vida mundial era de 30 anos, em média. Hoje, é
de 72. Um salto que começou graças a sabonetes
e antissépticos. Valeu, Merthiolate.
Revista Superinteressante. Disponível em
<https://super.abril.com.br/historia/o-dia-em
que-os-medicos-aprenderam-a-lavar-as-maos/>
De acordo com o último parágrafo do texto, conclui-se que:
AO aumento da expectativa de vida se deu principalmente ao desenvolvimento de antivirais, antibióticos e vermífugos.
BA baixa expectativa de vida estava relacionada, ao menos em parte, às infecções adquiridas pela falta de higiene.
CO status quo da época admitia hábitos de higiene refinados, que superavam a expectativa dos profissionais da área da saúde.
DA revolução sanitária comprovou que a expectativa de vida está relacionada apenas aos hábitos de higiene da população.
EA popularização dos antissépticos à base de fenol contribuiu para o aumento da expectativa de vida.
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GabaritoB — A baixa expectativa de vida estava relacionada, ao menos em parte, às infecções adquiridas pela falta de higiene.
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A Revolução Sanitária e a Expectativa de Vida
Gabarito: letra B. A conclusão correta é que a baixa expectativa de vida estava relacionada, ao menos em parte, às infecções adquiridas pela falta de higiene. O último parágrafo do texto estabelece essa relação ao afirmar que o salto na expectativa de vida (de 30 para 72 anos) "começou graças a sabonetes e antissépticos", ou seja, graças a medidas de higiene que combatiam infecções.
O comando pede uma conclusão a partir do último parágrafo. Isso significa que a resposta não precisa estar literalmente escrita, mas deve ser uma inferência ancorada no que o texto afirma. O último parágrafo diz:
"Em meados do século 19, a expectativa de vida mundial era de 30 anos, em média. Hoje, é de 72. Um salto que começou graças a sabonetes e antissépticos."
Aqui está o núcleo da questão: o texto atribui o aumento da expectativa de vida às medidas de higiene (sabonetes e antissépticos). A conclusão lógica e diretamente sustentada é que, antes dessas medidas, a expectativa de vida era baixa por causa das infecções que a falta de higiene causava. A alternativa B captura exatamente isso, com a ressalva "ao menos em parte", que é fiel ao texto, pois ele não diz que a higiene foi o único fator.
A técnica para resolver é testar cada alternativa perguntando: o texto autoriza esta afirmação, ou ela exige acrescentar algo de fora? A alternativa correta é a única que permanece dentro dos limites do que o texto diz, sem extrapolar, restringir ou contradizer.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o aumento da expectativa de vida se deu "principalmente ao desenvolvimento de antivirais, antibióticos e vermífugos". O texto não menciona nenhum desses itens. Ele fala de "sabonetes e antissépticos" e da "teoria dos germes". A alternativa extrapola o texto, introduzindo informações (antivirais, antibióticos, vermífugos) que não estão presentes em nenhum parágrafo.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como explicado, o texto afirma que o salto na expectativa de vida "começou graças a sabonetes e antissépticos". A conclusão de que a baixa expectativa de vida estava relacionada a infecções por falta de higiene é uma inferência direta dessa afirmação. A expressão "ao menos em parte" é crucial e correta, pois o texto não exclui outros fatores, apenas destaca a higiene como o ponto de partida do salto.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa diz que "o status quo da época admitia hábitos de higiene refinados". O texto afirma o oposto: os profissionais de saúde "desafiaram o status quo" para implementar métodos mais higiênicos. Isso contradiz o texto, que mostra que os hábitos de higiene da época eram precários e que a mudança foi uma revolução.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que a expectativa de vida está relacionada "apenas aos hábitos de higiene". O texto diz que o salto "começou graças a sabonetes e antissépticos", mas não diz que é o único fator. A palavra "apenas" restringe indevidamente o alcance da afirmação, transformando uma causa importante em causa exclusiva. Isso é um erro de generalização.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "a popularização dos antissépticos à base de fenol contribuiu para o aumento da expectativa de vida". Embora o texto mencione o fenol como o primeiro antisséptico de Lister, o último parágrafo (foco da questão) não fala de fenol nem de sua popularização. Ele fala genericamente de "sabonetes e antissépticos". A alternativa tangencia o tema, trazendo uma informação verdadeira do texto, mas que não é a conclusão do parágrafo pedido.
NÃO CAIA NESSA!
A banca mistura informações de parágrafos diferentes. A alternativa E usa um dado real do texto (fenol), mas que não responde à pergunta sobre o último parágrafo. A alternativa D usa a palavra "apenas" para restringir uma afirmação que o texto faz de forma mais ampla.
PEGA ESSA DICA!
Quando o comando pedir uma conclusão de um parágrafo específico, ignore o resto do texto e foque apenas naquele trecho. Isso elimina alternativas que usam informações de outras partes.
Gabarito: letra B. A resposta é a única que se mantém fiel ao último parágrafo, fazendo uma inferência legítima sobre a relação entre falta de higiene, infecções e baixa expectativa de vida, sem extrapolar ou restringir o que o texto afirma.