O consumerismo é um movimento social
em que os consumidores e outros agentes sociais
procuram adargar os direitos dos consumidores,
buscando a paridade de forças entre estes últimos
e as empresas fornecedoras de produtos e
serviços. Três aspectos são fundamentais no
consumerismo: (i) trata-se de esforço coletivo
planificado; (ii) resulta de dissensão de poder
entre vendedores e compradores no mercado e da
consequente insatisfação dos compradores; (iii)
busca atingir o equilíbrio de forças em prol dos
compradores.
Foi nos Estados Unidos da América que o
movimento consumerista assumiu maiores
proporções. É curioso que isso tenha acontecido
exatamente na pátria do marketing, ou seja, no
país onde a disciplina de marketing teve maior
importância e desenvolvimento. O próprio
conceito de marketing, como hoje reconhecido, é
um desenvolvimento teórico norte-americano.
No Brasil, o movimento consumerista,
como ação de cidadania, nunca obteve grande
expressão. As primeiras iniciativas
consumeristas no Brasil foram associadas a
períodos de carestia de alimentos, em função dos
condições edafoclimáticas. Apesar da ínfima
expressividade da ação dos consumidores na
defesa de seus direitos, o Brasil tem legislação
avançada neste campo.
Fonte: Adaptado de Rocha, A.; Ferreira, J. b.; Silva, J. F.
Administração de marketing. São Paulo: Atlas, 2012.
Retome o último parágrafo, destaque a relação que a conjunção estabelece no referido trecho do texto.
Aconformidade
Bcausa
Cconcessão
Dcomparação
Eadversidade
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GabaritoC — concessão
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Conjunção Concessiva — Relação de Concessão no Último Parágrafo
Gabarito: letra C. A conjunção destacada no último parágrafo estabelece relação de concessão, pois o trecho "Apesar da ínfima expressividade da ação dos consumidores na defesa de seus direitos, o Brasil tem legislação avançada neste campo" apresenta uma ideia que se contrapõe à outra, sem impedir sua realização. A locução "apesar de" é uma conjunção concessiva clássica, indicando que, mesmo com a pouca atuação dos consumidores, o Brasil possui legislação avançada.
O comando pede que se retome o último parágrafo e se destaque a relação que a conjunção estabelece. Isso exige identificar o conectivo e classificá-lo semanticamente. No trecho final, a locução "apesar de" introduz uma oração subordinada adverbial concessiva, que expressa uma concessão: um fato que se opõe à ideia principal, mas não a impede. A banca testa o reconhecimento do valor semântico do conectivo, não apenas sua memorização.
No texto, o autor afirma que o movimento consumerista no Brasil "nunca obteve grande expressão" e que as iniciativas foram "ínfimas". Em seguida, contrapõe essa realidade com a informação de que o país "tem legislação avançada neste campo". A conjunção "apesar de" estabelece exatamente essa oposição: a pouca expressividade não impediu a existência de legislação avançada. É a relação típica de concessão, em que a oração subordinada apresenta um obstáculo que não impede a realização do fato principal.
Para entender a concessão, é preciso distingui-la de outras relações próximas:
Causa: a oração subordinada é o motivo da principal. Ex.: "Não saí porque chovia." (a chuva é a causa de não sair).
Concessão: a oração subordinada apresenta um obstáculo, mas a principal se realiza mesmo assim. Ex.: "Saí, embora chovesse." (a chuva não impede a saída).
Adversidade: relação de oposição entre orações coordenadas, sem subordinação. Ex.: "Estudei, mas não passei." (ideias contrastantes, mas independentes).
Comparação: estabelece paralelo entre dois elementos. Ex.: "Ela é mais alta do que eu."
Conformidade: indica acordo com algo. Ex.: "Fiz como você pediu."
A pegadinha da banca está em oferecer "causa" e "adversidade" como distratores. A causa confunde porque a concessão também envolve uma relação de oposição, mas a diferença é que, na concessão, o obstáculo não impede a ação. A adversidade confunde porque ambas expressam oposição, mas a adversidade é coordenada, enquanto a concessão é subordinada. No trecho, "apesar de" é claramente uma conjunção subordinativa concessiva.
PEGA ESSA DICA!
Para identificar uma concessiva, pergunte: "o fato da oração subordinada impede o fato da principal?" Se não impede, é concessão. Ex.: "Apesar de estar cansado, fui trabalhar." (o cansaço não impede o trabalho).
Conjunções adverbiais: Concessiva (obstáculo que não impede, Ex.: "embora", "apesar de"); Causal (motivo da ação, Ex.: "porque", "já que"); Adversativa (oposição coordenada, Ex.: "mas", "porém"); Comparativa (paralelo entre elementos, Ex.: "como", "tal qual"); Conformativa (acordo com algo, Ex.: "conforme", "segundo")
Alternativa A — ❌ Incorreta
A relação de conformidade indica que algo ocorre de acordo com outra coisa, como em "conforme", "segundo", "como". No trecho, não há essa ideia. O conectivo "apesar de" não expressa conformidade, mas oposição. A alternativa tangencia o tema, pois fala de uma relação semântica que não está presente no trecho.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A relação de causa indica o motivo da ação, como em "porque", "já que", "visto que". No trecho, a pouca expressividade não é a causa da legislação avançada; pelo contrário, é um obstáculo que não impede a existência da legislação. A alternativa contradiz o texto, pois inverte a relação: a concessão expressa oposição, não causa.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A locução "apesar de" é uma conjunção concessiva clássica. Ela introduz uma oração subordinada adverbial concessiva, que expressa uma ideia que se contrapõe à principal, sem impedi-la. No trecho, a pouca expressividade do movimento consumerista não impede o Brasil de ter legislação avançada. A alternativa está correta e é a única que identifica corretamente a relação de concessão.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A relação de comparação estabelece um paralelo entre dois elementos, como em "como", "tal qual", "mais que". No trecho, não há comparação entre a expressividade e a legislação; há uma oposição. A alternativa extrapola o texto, pois introduz uma relação que não está presente.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A relação de adversidade é típica de orações coordenadas adversativas, introduzidas por "mas", "porém", "contudo". No trecho, a conjunção "apesar de" é subordinativa, não coordenativa. Embora haja oposição, a relação é de concessão, não de adversidade. A alternativa confunde os conceitos de coordenação e subordinação.
Conclusão: A questão exige reconhecer o valor semântico do conectivo "apesar de", que é concessivo. A alternativa C é a única que identifica corretamente a relação de concessão, pois o obstáculo (pouca expressividade) não impede a realização do fato principal (legislação avançada).