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Questão de Português — Morfologia - Pronomes — Avança SP 2024

PortuguêsMorfologia - Pronomes
Código
qg097290
Banca
Avança SP
Órgão
FUNDAC de Ubatuba - SP
Ano
2024
Nível
Superior
Solidários na porta


   Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute. Usando as mesmas táticas de intimidação, apenas buzinando em vez de rosnar ou rosnando em vez de morder.

   O trânsito em qualquer grande cidade do mundo é uma metáfora para a vida competitiva que a gente leva, cada um dentro do seu próprio pequeno mundo de metal tentando levar vantagem sobre o outro, ou pelo menos tentando não se deixar intimidar. E provando que não há nada menos civilizado que a civilização. Mas há uma exceção. Uma pequena clareira de solidariedade no jângal. É a porta aberta. Quando o carro ao seu lado emparelha com o seu e alguém põe a cabeça para fora, você se prepara para o pior. Prepara a resposta. “É a sua!” Mas pode ter uma surpresa.

   — Porta aberta!

   — O quê?

   Você custa a acreditar que nem você nem ninguém da sua família está sendo xingado. Mas não, o inimigo está sinceramente preocupado com a possibilidade da porta se abrir e você cair do carro.

   A porta aberta determina uma espécie de trégua tácita. Todos a apontam. Vão atrás, buzinando freneticamente, se por acaso você não ouviu o primeiro aviso. “Olha a porta aberta!” é como um código de honra, um intervalo nas hostilidades. Se a porta se abrir e você cair mesmo na rua, aí passam por cima. Mas avisaram. Quer dizer, ainda não voltamos ao estado animal.


VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Vivemos a civilização do automóvel, mas atrás do volante de um carro o homem se comporta como se ainda estivesse nas cavernas. Antes da roda. Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute. O elemento mencionado no excerto a que se refere o pronome “este” é:
  1. A“seu semelhante”.
  2. B“o espaço na rua”.
  3. C“o último mamute”.
  4. D“o volante de um carro”.
  5. E“o homem”.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — “o espaço na rua”.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Coesão Referencial: o Pronome Demonstrativo "Este"

Gabarito: letra B. O pronome demonstrativo "este" retoma "o espaço na rua", o termo imediatamente anterior na oração comparativa. A regra é clara: quando há dois elementos mencionados, "este" refere-se ao último e "aquele" ao primeiro. No trecho, "este" está imediatamente após "o espaço na rua", e a comparação "como se este fosse o último mamute" só faz sentido se "este" = "o espaço na rua" sendo comparado ao mamute — mas o pronome, gramaticalmente, aponta para o termo imediatamente anterior, que é "o espaço na rua". A banca explora exatamente essa ambiguidade aparente.

O comando pede uma tarefa de compreensão gramatical aplicada ao texto: identificar o referente de um pronome demonstrativo. Não se trata de inferir nada além do que está escrito, mas de aplicar a regra de coesão referencial anafórica — o pronome retoma um termo já mencionado. A resposta mora na proximidade sintática e na lógica comparativa da frase.

No trecho do enunciado, temos:

"Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute."

A oração comparativa "como se este fosse o último mamute" estabelece uma comparação: algo (o espaço na rua) é comparado a algo (o último mamute). O pronome "este" poderia, em tese, referir-se a "espaço na rua" (o termo comparado) ou a "último mamute" (o termo da comparação). A regra gramatical decide: o pronome demonstrativo "este" retoma o elemento mais próximo na cadeia textual, que é "o espaço na rua". Se o autor quisesse referir-se ao mamute, usaria "aquele" (para o elemento mais distante) ou reestruturaria a frase.

A pegadinha está em confundir o referente gramatical com o termo da comparação. Muitos candidatos leem a frase e pensam: "o homem luta como se o espaço fosse o último mamute" — e isso está correto! O homem disputa o espaço na rua como se esse espaço fosse um mamute (algo valioso a ser caçado). O pronome "este" aponta para o espaço, não para o mamute. A banca oferece "o último mamute" como distrator justamente porque ele é o termo da comparação, mas não é o referente do pronome.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de referente. "Seu semelhante" é o termo com quem o homem luta, mas o pronome "este" não se refere a ele. Na frase, "seu semelhante" aparece antes de "o espaço na rua", e o pronome "este" está posicionado após "o espaço na rua". A regra de proximidade aponta para o termo mais próximo, que é "o espaço na rua". Além disso, a comparação "como se este fosse o último mamute" não faria sentido se "este" = "seu semelhante" — o homem não luta com seu semelhante como se ele fosse um mamute; ele luta pelo espaço como se o espaço fosse um mamute.

Alternativa B — ✅ Correta

Gabarito. O pronome "este" retoma "o espaço na rua", o termo imediatamente anterior. A regra dos pronomes demonstrativos: "este" refere-se ao elemento mais próximo, "aquele" ao mais distante. No trecho, a sequência é: "Luta com seu semelhante pelo espaço na rua como se este fosse o último mamute". O pronome "este" está logo após "o espaço na rua", e a comparação estabelece que o espaço é comparado ao mamute. Portanto, "este" = "o espaço na rua".

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de referente. "O último mamute" é o termo da comparação, não o referente do pronome. Se "este" se referisse ao mamute, a frase seria redundante: "como se o último mamute fosse o último mamute". A lógica comparativa exige que "este" aponte para o elemento comparado, que é o espaço. A banca coloca "o último mamute" como distrator porque ele é o termo mais saliente da comparação, mas a gramática manda seguir a proximidade.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: fora do escopo. "O volante de um carro" aparece no início do texto, mas não está na oração em que "este" ocorre. O pronome "este" só pode retomar termos mencionados na mesma oração ou em orações imediatamente anteriores. "O volante" está distante e não participa da comparação. Além disso, a comparação "como se este fosse o último mamute" não se aplica ao volante — o homem não luta pelo volante como se fosse um mamute.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Erro: troca de referente. "O homem" é o sujeito da oração, mas o pronome "este" não se refere ao sujeito. Na frase, "o homem" é quem luta, e "este" é usado para retomar um termo que foi objeto da ação ou um complemento. A regra de proximidade aponta para "o espaço na rua", que está mais próximo do pronome. Além disso, a comparação "como se o homem fosse o último mamute" mudaria completamente o sentido — o texto diz que o homem luta pelo espaço como se o espaço fosse um mamute, não que o homem é um mamute.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o termo comparado e o termo da comparação. O pronome "este" retoma o termo imediatamente anterior, não o termo que parece mais lógico na comparação. Fique atento à posição do pronome na frase.

PEGA ESSA DICA!

Ao identificar o referente de um pronome demonstrativo, pergunte: "qual termo está mais próximo do pronome?" e "a substituição faz sentido?". Teste cada alternativa substituindo o pronome pelo termo candidato e veja se a frase continua lógica.

Gabarito: letra B.

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