Pular para o conteúdo principal

Questão de Português — Conjunções: Relação de causa e consequência — Avança SP 2024

PortuguêsConjunções: Relação de causa e consequência
Código
qg097326
Banca
Avança SP
Órgão
FundArt de Ubatuba - SP
Ano
2024
Nível
Médio

Leia o texto para responder às questões de 1 a 5.


Estudo com esponjas de 300 anos mostra que a Terra ficou 1,5ºC mais quente


O Acordo de Paris, um dos principais tratados internacionais sobre a crise climática, tem como objetivo evitar que o aquecimento global ultrapasse 2ºC até 2100. A meta é que esse aumento não seja maior do que 1,5ºC. No entanto, em estudo publicado na revista Nature nesta segunda-feira (5), pesquisadores apontam que o planeta já atingiu esse valor.

Liderado por Malcolm McCulloch, da Universidade da Austrália Ocidental, o estudo utiliza um método alternativo para mensurar o aquecimento da Terra. A análise de esqueletos de esponjas sugere que o aquecimento da era industrial começou em meados dos anos 1860 – mais de 80 anos antes do que indicavam outros métodos.

O IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU), por exemplo, tem como referência o registro da temperatura da superfície do oceano, que começou a ser feito instrumentalmente entre 1850 e 1900. Esse é o período considerado pré-industrial. A partir dele, calcula-se quanto o planeta tem aquecido. No entanto, McCulloch aponta que, nesse mesmo período, as temperaturas globais já haviam subido 0,5ºC. “Nosso resultado é 0,5ºC mais elevado do que a estimativa do IPCC, com um aquecimento global de 2ºC projetado para o final dos anos 2020, quase duas décadas mais cedo do que se esperava”, diz a pesquisa. Segundo os pesquisadores, o planeta ultrapassou 1,5ºC de aquecimento entre 2010 e 2012.

Esponjas antigas

Para chegar a tais conclusões, os cientistas avaliaram a proporção de estrôncio e cálcio em esqueletos de esponjas de 300 anos da espécie Ceratoporella nicholsoni, cuja proporção muda somente com a temperatura da água, o que permite que seja empregada como uma espécie de termômetro. As esponjas são típicas da costa de Porto Rico e ficam em uma área protegida de grandes correntes marítimas e ciclos climáticos, na qual há menor variabilidade na temperatura da água. De acordo com a pesquisa, esponjas antigas podem fornecer evidências relativas a temperaturas até mesmo do século 18.

Os exemplares analisados foram coletados no Caribe a uma profundidade entre 33 e 91 metros, em uma região denominada camada de mistura oceânica. “A temperatura da superfície do mar pode ser altamente variável em cima”, reconhece McCulloch. “Mas essa camada de mistura representa o sistema inteiro dentro de algumas centenas de metros e está em equilíbrio com as temperaturas da atmosfera”, explica em nota. A equipe também observou que as temperaturas obtidas a partir da análise das esponjas são compatíveis aos registros de temperaturas médias de 1964 a 2012.

Não é a primeira vez que estudos sugerem que o planeta está aquecendo desde a década de 1860. Outras formas alternativas de mensurar as temperaturas globais (com núcleos de gelo e anéis de árvores, por exemplo) obtiveram resultados similares. No entanto, o assunto ainda é debatido na comunidade científica.

Sabe-se que a Terra está ficando cada vez mais quente devido à atividade humana, mas o aumento exato relativo aos níveis pré-industriais é alvo de discussões. Há cientistas que defendem que mais estudos precisam ser feitos, utilizando métodos e fontes variados. “Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível”, afirma Hendry. “Quanto mais peças diferentes do quebra-cabeça pudermos juntar, melhor nós conseguiremos reconstruir essas diferenças de temperatura.”


Revista Galileu. Adaptado. Disponível emhttps://revistagalileu.globo.com/ciencia/meio-ambiente/noticia/2024/02/estudo-com-esponjas-de-300-anos-mostra-que-a-terra-ficou-15oc-mais-quente.ghtml

Considere o excerto a seguir para responder às questões 3 e 4:


“Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível”, afirma Hendry.


No excerto dado, o vocábulo “portanto” é utilizado para:

  1. Aadicionar um novo fato à argumentação.
  2. Bexplicar a causa para um acontecimento enunciado anteriormente.
  3. Ccontrapor um fato enunciado anteriormente.
  4. Dindicar a finalidade de um acontecimento enunciado anteriormente.
  5. Econcluir uma colocação enunciada anteriormente.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoE — concluir uma colocação enunciada anteriormente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Conjunção Conclusiva "Portanto" — Valor de Conclusão

Gabarito: letra E. O vocábulo "portanto" é uma conjunção coordenativa conclusiva: ele introduz uma conclusão a partir do que foi enunciado antes. No excerto, a ideia de que "cada proxy de temperatura terá problemas, ressalvas e limitações" leva, por dedução, à conclusão de que "é uma questão de juntar o máximo de proxies possível". A passagem que ancora essa leitura é a própria estrutura do período:

"Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível"

O conectivo portanto sinaliza que a segunda oração é uma consequência lógica (conclusão) da primeira, e não uma causa, uma adição, uma oposição ou uma finalidade.

O Comando

A questão pede que se identifique a função semântica do vocábulo "portanto" no excerto. Isso é uma questão de gramática aplicada ao texto: não se trata de interpretar o conteúdo, mas de reconhecer o valor do conectivo e a relação que ele estabelece entre as orações. O comando "é utilizado para" indica que devemos nomear a relação lógico-discursiva que o conectivo instaura.

O Texto e a Relação

No excerto, temos duas orações:

  1. "Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações."

  2. "Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível."

A primeira oração apresenta uma premissa (todo proxy tem limitações). A segunda, iniciada por portanto, apresenta uma conclusão que decorre dessa premissa (por isso, devemos juntar o máximo de proxies). Essa é a relação típica das conjunções conclusivas: elas introduzem uma dedução ou consequência lógica do que foi dito antes.

A Técnica: Reconhecendo o Valor do Conectivo

As conjunções coordenativas se dividem em cinco grupos: aditivas (e, nem), adversativas (mas, porém), alternativas (ou, ora...ora), conclusivas (logo, portanto, pois) e explicativas (porque, pois). O portanto é uma das conjunções conclusivas mais típicas, ao lado de logo, por conseguinte, por isso e assim.

A pegadinha da banca é confundir conclusão com causa ou consequência. Veja a diferença:

  • Causa: é o motivo que gera um fato. Ex.: "Choveu, porque a rua está molhada." (a chuva é a causa)

  • Consequência: é o efeito de uma causa. Ex.: "Choveu tanto que a rua alagou." (o alagamento é consequência)

  • Conclusão: é uma dedução a partir de uma premissa. Ex.: "Todo proxy tem limitações; portanto, junte o máximo possível." (a segunda oração é uma conclusão lógica, não um efeito físico)

No excerto, a segunda oração não é uma consequência automática da primeira, mas uma conclusão que o falante tira. A relação é de raciocínio, não de causa e efeito.

Análise das Alternativas

  1. 1Premissa: todo proxy tem limitações
  2. 2Portanto (conclusiva)
  3. 3Conclusão: juntar o máximo
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico. O "portanto" não adiciona um fato novo; ele conclui algo a partir do que foi dito. A adição seria feita por conectivos como e, além disso, também. No excerto, a segunda oração não é um acréscimo, mas uma dedução.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico. O "portanto" não explica uma causa; ele introduz uma conclusão. A causa seria expressa por porque, já que, visto que. No excerto, a primeira oração não é a causa da segunda; ela é a premissa que leva à conclusão.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico. O "portanto" não contrapõe ideias; ele conclui. A oposição seria feita por mas, porém, contudo. No excerto, não há contraste entre as orações; há uma relação de consequência lógica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Erro: troca de valor semântico. O "portanto" não indica finalidade; ele conclui. A finalidade seria expressa por para que, a fim de que. No excerto, a segunda oração não expressa um objetivo, mas uma conclusão.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Correta. O "portanto" é uma conjunção conclusiva e, no excerto, introduz uma conclusão a partir da premissa anterior. A passagem "Cada proxy de temperatura que encontrarmos terá problemas, ressalvas e limitações. Portanto, é uma questão de juntar o máximo de proxies possível" mostra exatamente isso: a segunda oração é a conclusão que se tira da primeira.

NÃO CAIA NESSA!

A banca oferece valores semânticos próximos (causa, consequência) para confundir com conclusão. Lembre-se: portanto é conclusivo, não causal nem consecutivo.

PEGA ESSA DICA!

Para identificar o valor de um conectivo, pergunte: "que relação ele estabelece entre as orações?" Se a segunda oração é uma dedução da primeira, o conectivo é conclusivo. Se é um efeito de uma causa, é consecutivo. Se é um motivo, é causal.

Gabarito: letra E.

Link permanente: /questoes/qg097326