Questão de Medicina — Epidemiologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Epidemiologia
Código
qg163402
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico (Infectologia)
Um homem de 45 anos, morador de zona urbana, apresenta-se ao serviço de emergência com febre intermitente, sudorese noturna e perda de peso de aproximadamente 10 Kg nos últimos três meses. O exame físico revela hepatoesplenomegalia moderada, palidez cutânea e linfadenopatia cervical. Os exames laboratoriais mostram anemia microcítica, leucopenia e plaquetas diminuídas. Foi aventada a hipótese diagnóstica de infecção por Leishmania. Com base nas manifestações clínicas, laboratoriais e epidemiológicas da leishmaniose visceral, assinale a alternativa correta.
AO principal agente etiológico dessa forma de leishmaniose no Brasil é Leishmania (Leishmania) amazonensis.
BAs espécies de Lutzomyia são os principais vetores de transmissão da Leishmania no Brasil.
CO paciente com leishmaniose visceral, conforme a evolução natural da doença, pode apresentar complicações que levam ao óbito, principalmente sangramentos e falência hepática.
DA leishmaniose visceral é sempre assintomática nos estágios iniciais, dificultando o diagnóstico.
EOs exames parasitológicos diretos através da biópsia de medula óssea são aqueles com maior sensibilidade.
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GabaritoB — As espécies de Lutzomyia são os principais vetores de transmissão da Leishmania no Brasil.
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Leishmaniose Visceral: aspectos clínicos, epidemiológicos e diagnósticos
Gabarito: letra B. As espécies de Lutzomyia são, de fato, os principais vetores da leishmaniose no Brasil, sendo a alternativa correta. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre o agente etiológico, a evolução natural da doença, o espectro clínico e a sensibilidade dos métodos diagnósticos.
A leishmaniose visceral (LV) é uma doença parasitária crônica e sistêmica causada por protozoários do gênero Leishmania. No Brasil, o agente etiológico predominante é a Leishmania (Leishmania) infantum chagasi, transmitida pela picada de fêmeas de flebotomíneos do gênero Lutzomyia (popularmente conhecidos como mosquito-palha, birigui ou tatuquira). A doença tem como reservatórios principais o cão doméstico e, em áreas urbanas, os humanos infectados. A transmissão ocorre quando a fêmea do vetor, ao se alimentar de sangue, inocula as formas promastigotas no hospedeiro vertebrado.
O quadro clínico clássico da LV é caracterizado pela tríade febre, hepatoesplenomegalia e emagrecimento, acompanhada de palidez cutânea e linfadenopatia. Os achados laboratoriais típicos incluem pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia), hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia. A evolução natural da doença, sem tratamento, é progressiva e pode levar ao óbito, principalmente por complicações como hemorragias, infecções bacterianas secundárias (pneumonia, sepse) e falência hepática. O diagnóstico é realizado por métodos parasitológicos (exame direto de aspirado de medula óssea, baço ou linfonodo), sorológicos (teste rápido, ELISA, IFI) e moleculares (PCR). A sensibilidade dos métodos varia, sendo a PCR a mais sensível, seguida pelo exame parasitológico de medula óssea.
A banca explora, nesta questão, o conhecimento sobre os aspectos fundamentais da LV, incluindo o vetor, o agente etiológico, a evolução clínica e os métodos diagnósticos. É essencial dominar esses conceitos para responder corretamente. A alternativa B é a única que apresenta uma afirmação correta e abrangente sobre a transmissão da doença no Brasil.
Leishmaniose visceral (LV)
1Agente etiológico (Brasil)
Leishmania infantum chagasi
2Vetor
Lutzomyia (mosquito-palha)
3Reservatórios
Cão doméstico
Humanos infectados
4Quadro clínico
Febre
Hepatoesplenomegalia
Emagrecimento
Pancitopenia
5Evolução natural
Óbito sem tratamento
Infecções bacterianas (principal causa)
Hemorragias
Falência hepática
6Diagnóstico
Parasitológico (medula óssea)
Sorológico (ELISA, IFI)
PCR (maior sensibilidade)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O principal agente etiológico da leishmaniose visceral no Brasil é a Leishmania (Leishmania) infantum chagasi, e não a Leishmania (Leishmania) amazonensis. Esta última é uma espécie associada à leishmaniose tegumentar (cutânea e mucosa), não à forma visceral. A confusão entre as espécies é um erro comum, pois ambas pertencem ao mesmo gênero, mas causam manifestações clínicas distintas.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
As espécies de Lutzomyia são, de fato, os principais vetores da leishmaniose no Brasil. Os flebotomíneos do gênero Lutzomyia são responsáveis pela transmissão tanto da leishmaniose visceral quanto da tegumentar. A alternativa está correta ao afirmar que esses insetos são os principais vetores da Leishmania no país.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o paciente com LV pode apresentar complicações que levam ao óbito, principalmente sangramentos e falência hepática. Embora essas complicações possam ocorrer, a principal causa de morte na LV são as infecções bacterianas secundárias, como pneumonia e sepse, além de hemorragias e desnutrição grave. A falência hepática é uma complicação possível, mas não é a principal causa de óbito. A alternativa é incorreta por superestimar o papel da falência hepática e não mencionar as infecções bacterianas como principal causa de morte.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A leishmaniose visceral não é sempre assintomática nos estágios iniciais. Embora existam formas assintomáticas e oligossintomáticas, a doença pode se apresentar de forma aguda, subaguda ou crônica, com febre, hepatoesplenomegalia e emagrecimento desde o início. A afirmação de que é "sempre assintomática" é uma generalização incorreta, pois a apresentação clínica é variável e pode incluir sintomas desde o início.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os exames parasitológicos diretos, como a biópsia de medula óssea, não são os de maior sensibilidade. A técnica de PCR (reação em cadeia da polimerase) é a mais sensível para o diagnóstico da LV, seguida pelo exame parasitológico de aspirado de medula óssea, que tem sensibilidade variável (em torno de 70-90%). A alternativa é incorreta ao afirmar que o exame parasitológico direto é o de maior sensibilidade, pois a PCR é superior nesse aspecto.