Homem, 52 anos, vai à emergência com queixa de perda súbita de audição do ouvido esquerdo. Ele também se queixa de zumbido. O exame neurológico não apresenta alterações. Qual deve ser o próximo passo no manejo desse paciente?
AIniciar corticosteroide.
BRealizar uma tomografia computadorizada de crânio.
CRealizar uma ressonância magnética com gadolínio de crânio.
DSolicitar avaliação do neurologista.
ESolicitar avaliação do otorrinolaringologista.
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GabaritoE — Solicitar avaliação do otorrinolaringologista.
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Perda auditiva súbita: abordagem inicial na emergência
Gabarito: letra E. Diante de perda auditiva súbita unilateral com zumbido e exame neurológico normal, o próximo passo é solicitar avaliação do otorrinolaringologista, especialista responsável pelo diagnóstico e manejo dessa condição. A perda auditiva súbita é uma emergência otológica, e o encaminhamento precoce ao especialista é fundamental para investigação etiológica e instituição de tratamento adequado, que pode incluir corticoterapia.
A perda auditiva súbita (PAS) é definida como uma perda auditiva neurossensorial de início rápido, geralmente em menos de 72 horas, afetando tipicamente um ouvido. É uma emergência médica que requer avaliação e tratamento imediatos, pois o prognóstico auditivo depende da precocidade da intervenção. O quadro clássico inclui perda auditiva unilateral, frequentemente acompanhada de zumbido, plenitude auricular e, em alguns casos, vertigem. O exame neurológico costuma ser normal, como no caso descrito, o que ajuda a diferenciar de causas centrais.
A principal preocupação na PAS é identificar e tratar precocemente as causas potencialmente reversíveis. As etiologias mais comuns incluem causas idiopáticas (a maioria), infecciosas (virais), vasculares, autoimunes, traumáticas e neoplásicas, como o schwannoma vestibular (neurinoma do acústico). O diagnóstico diferencial é amplo, e a investigação deve ser conduzida pelo otorrinolaringologista, que realizará a otoscopia, a audiometria e, se necessário, exames de imagem.
O tratamento de primeira linha para a PAS idiopática é a corticoterapia sistêmica, que deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 72 horas. No entanto, a decisão de iniciar corticoides deve ser tomada pelo otorrinolaringologista após a confirmação diagnóstica por audiometria, que é o exame que caracteriza a perda auditiva neurossensorial. A ressonância magnética com gadolínio é indicada para excluir schwannoma vestibular, especialmente em casos de perda auditiva assimétrica ou quando não há recuperação após o tratamento, mas não é o primeiro passo na emergência.
A distinção crucial nesta questão é entre o papel do médico de emergência e o do especialista. O médico de emergência deve reconhecer a PAS como uma emergência e encaminhar o paciente ao otorrinolaringologista, que é o profissional habilitado para conduzir a investigação e o tratamento. Iniciar corticoterapia sem avaliação especializada, solicitar exames de imagem de forma indiscriminada ou solicitar avaliação do neurologista sem antes passar pelo otorrino são condutas inadequadas na abordagem inicial.
A banca explora a confusão entre o que é uma emergência neurológica (AVC) e uma emergência otológica (PAS). Embora a perda auditiva súbita possa, em raros casos, ser um sintoma de AVC, a ausência de outros déficits neurológicos e a apresentação típica de PAS apontam para uma causa otológica. O otorrinolaringologista é o especialista que deve avaliar o paciente, realizar a audiometria e decidir sobre a necessidade de exames complementares e tratamento.
1Reconhecer emergência otológica
2Encaminhar ao otorrinolaringologista
3Audiometria confirma diagnóstico
4Corticoterapia precoce (se idiopática)
5RM com gadolínio (se necessário)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Iniciar corticosteroide é o tratamento de primeira linha para a PAS idiopática, mas não é o "próximo passo" na emergência. A decisão de iniciar corticoterapia deve ser tomada pelo otorrinolaringologista após a confirmação diagnóstica por audiometria. O médico de emergência não deve iniciar o tratamento sem a avaliação especializada, pois a PAS pode ter outras causas que exigem abordagens diferentes.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A tomografia computadorizada de crânio não é o exame de escolha na avaliação inicial da PAS. Ela é útil para excluir causas ósseas ou traumáticas, mas não avalia adequadamente o ouvido interno e o nervo vestibulococlear. A ressonância magnética com gadolínio é o exame de imagem preferido para investigar causas retrococleares, como o schwannoma vestibular, mas não é o primeiro passo na emergência.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ressonância magnética com gadolínio é indicada para excluir schwannoma vestibular, especialmente em casos de perda auditiva assimétrica ou quando não há recuperação após o tratamento. No entanto, não é o primeiro passo na abordagem inicial da PAS. A prioridade é a avaliação pelo otorrinolaringologista, que realizará a audiometria e decidirá sobre a necessidade de exames de imagem.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Solicitar avaliação do neurologista não é o próximo passo adequado, pois o exame neurológico é normal e a apresentação é típica de PAS, uma emergência otológica. O neurologista pode ser consultado se houver suspeita de causa central, como AVC, mas não é o caso descrito. O otorrinolaringologista é o especialista responsável pela avaliação e manejo da PAS.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Solicitar avaliação do otorrinolaringologista é o próximo passo correto. O otorrino é o especialista habilitado para realizar a otoscopia, a audiometria e a investigação etiológica da PAS. Ele decidirá sobre a necessidade de corticoterapia, exames de imagem e acompanhamento. O encaminhamento precoce ao especialista é fundamental para o prognóstico auditivo do paciente.