Assinale a alternativa correta sobre pacientes vítimas de queimadura térmica.
APacientes com queimaduras de segundo grau acometendo mais de 12% da superfície corporal são considerados grandes queimados.
BA extensão da queimadura é quantificada com a porcentagem da superfície corporal queimada, incluindo as queimaduras de primeiro grau.
CA oximetria de pulso é fundamental na avaliação do paciente que ficou em ambiente confinado para avaliar possível intoxicação por monóxido de carbono.
DApesar de sua maior predileção a desenvolver pneumonia, vítimas de lesão por inalação, principalmente os intubados, não devem receber antibioticoprofilaxia.
EA alcalose metabólica grave é frequente na intoxicação por cianeto.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoD — Apesar de sua maior predileção a desenvolver pneumonia, vítimas de lesão por inalação, principalmente os intubados, não devem receber antibioticoprofilaxia.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Queimaduras térmicas: manejo inicial e complicações
Gabarito: letra D. A afirmativa correta é a que afirma que vítimas de lesão por inalação, principalmente os intubados, não devem receber antibioticoprofilaxia, apesar da maior predileção a desenvolver pneumonia. Isso porque a antibioticoprofilaxia não é recomendada nesses casos, sendo reservada para situações de infecção comprovada ou fortemente suspeita, conforme as diretrizes de manejo de queimaduras.
O atendimento ao paciente vítima de queimadura térmica exige uma avaliação sistemática que vai além da extensão e profundidade da lesão. É preciso considerar a possibilidade de lesão inalatória, intoxicação por monóxido de carbono (CO) e cianeto, além de complicações infecciosas. A classificação da queimadura quanto à profundidade (1º, 2º, 3º e 4º graus) e à extensão (superfície corporal queimada – SCQ) é fundamental para definir a gravidade e a conduta. As queimaduras de 1º grau, por exemplo, não entram no cálculo da SCQ, pois afetam apenas a epiderme e não formam bolhas. Já as de 2º grau (espessura parcial) e 3º grau (espessura total) são contabilizadas. A extensão é medida por métodos como a regra dos nove (Wallace) em adultos e a tabela de Lund e Browder em crianças.
A lesão inalatória é uma complicação grave e frequente em queimaduras, especialmente quando o paciente ficou em ambiente confinado. Ela pode levar a edema de vias aéreas, insuficiência respiratória e pneumonia. A pneumonia é, de fato, uma complicação comum nesses pacientes, principalmente nos intubados, devido à colonização bacteriana e à dificuldade de clearance mucociliar. No entanto, a antibioticoprofilaxia não é indicada de rotina, pois não há evidência de que reduza a incidência de pneumonia e pode selecionar bactérias resistentes. O tratamento antibiótico deve ser iniciado apenas quando houver sinais de infecção, como febre, secreção purulenta ou alterações radiológicas.
A intoxicação por monóxido de carbono é outra preocupação em pacientes que ficaram em ambiente confinado. O CO se liga à hemoglobina com afinidade muito maior que o oxigênio, formando carboxiemoglobina (COHb), o que reduz a capacidade de transporte de oxigênio. A oximetria de pulso, no entanto, não é um método confiável para avaliar essa intoxicação, pois não diferencia a hemoglobina ligada ao CO da ligada ao oxigênio. O diagnóstico é feito pela dosagem de COHb no sangue arterial ou venoso, e o tratamento é a administração de oxigênio a 100%.
A intoxicação por cianeto também pode ocorrer em incêndios, especialmente pela queima de materiais sintéticos. O cianeto inibe a citocromo oxidase, bloqueando a fosforilação oxidativa e levando a acidose metabólica grave, não alcalose. Os sintomas incluem confusão, convulsões, coma e parada cardiorrespiratória. O tratamento envolve a administração de antídotos, como hidroxicobalamina.
A definição de "grande queimado" varia conforme a idade e a profundidade da lesão. Em adultos, queimaduras de 2º grau acometendo mais de 20% da SCQ são consideradas graves, e não 12%. Em crianças, o percentual é menor, geralmente acima de 10%. A extensão da queimadura é quantificada pela SCQ, mas excluindo as queimaduras de 1º grau, que não são contabilizadas.
Guarde esses conceitos: a SCQ exclui queimaduras de 1º grau; a oximetria de pulso não avalia intoxicação por CO; a intoxicação por cianeto causa acidose metabólica; e a antibioticoprofilaxia não é indicada na lesão inalatória. É exatamente nesses pontos que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está no percentual: queimaduras de 2º grau acometendo mais de 12% da SCQ não são consideradas grandes queimados em adultos. O critério para grande queimado em adultos é queimadura de 2º grau acometendo mais de 20% da SCQ (ou 10% em crianças). O valor de 12% não corresponde a nenhum critério estabelecido.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A extensão da queimadura é quantificada pela SCQ, mas excluindo as queimaduras de 1º grau. Essas lesões afetam apenas a epiderme e não são contabilizadas no cálculo da superfície corporal queimada, pois não apresentam risco de complicações sistêmicas significativas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A oximetria de pulso não é fundamental para avaliar intoxicação por monóxido de carbono. O oxímetro não distingue a carboxiemoglobina da oxiemoglobina, podendo mostrar uma saturação falsamente normal. O método correto é a dosagem de COHb no sangue, e o tratamento é oxigênio a 100%.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A afirmativa está correta. Vítimas de lesão por inalação, principalmente os intubados, têm maior predileção a desenvolver pneumonia, mas não devem receber antibioticoprofilaxia. A profilaxia não reduz a incidência de pneumonia e pode selecionar bactérias resistentes. O antibiótico deve ser usado apenas quando houver infecção comprovada ou fortemente suspeita.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A intoxicação por cianeto causa acidose metabólica grave, não alcalose. O cianeto inibe a citocromo oxidase, bloqueando a fosforilação oxidativa e levando ao acúmulo de ácido lático. A alcalose metabólica não é uma característica dessa intoxicação.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora inversões clássicas: troca o percentual de grande queimado (12% em vez de 20%), inclui queimaduras de 1º grau na SCQ, usa a oximetria de pulso para avaliar intoxicação por CO (quando o correto é a dosagem de COHb) e inverte o distúrbio ácido-base da intoxicação por cianeto (acidose, não alcalose). Fique atento a esses detalhes na prova!
PEGA ESSA DICA!
Para memorizar os critérios de grande queimado, lembre-se: em adultos, queimadura de 2º grau > 20% da SCQ; em crianças, > 10%. E para a intoxicação por cianeto, associe sempre a acidose metabólica, pois o bloqueio da respiração celular gera acúmulo de lactato.