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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg163529
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurocirurgia)
Sobre as complicações associadas à drenagem de hematoma subdural crônico (HSDC) e os cuidados para mitigá-las, assinale a alternativa correta.
  1. AA principal complicação após a drenagem de um HSDC é a infecção, que ocorre em quase todos os pacientes e exige o uso contínuo de antibióticos profiláticos até a completa cicatrização.
  2. BA recidiva do hematoma é uma complicação comum e ocorre principalmente devido à drenagem excessiva de líquido cerebrospinal, sendo mitigada com o uso de dispositivos de pressão ajustável ou restrição de posicionamento do paciente.
  3. CConvulsões no pós-operatório imediato são raras e, portanto, o uso de anticonvulsivantes profiláticos é contraindicado para evitar efeitos colaterais desnecessários.
  4. DA drenagem subdural para HSDC deve sempre ser mantida por um período mínimo de duas semanas para garantir a completa remoção do hematoma e evitar complicações futuras, independentemente do volume drenado inicialmente.
  5. EA síndrome de hiperdrenagem, que pode causar cefaleia intensa e até herniação cerebral, é evitada aumentando a velocidade da drenagem do hematoma e reduzindo a pressão intracraniana no pós operatório.
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GabaritoB — A recidiva do hematoma é uma complicação comum e ocorre principalmente devido à drenagem excessiva de líquido cerebrospinal, sendo mitigada com o uso de dispositivos de pressão ajustável ou restrição de posicionamento do paciente.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hematoma subdural crônico: complicações pós-drenagem e cuidados

Gabarito: letra B. A recidiva do hematoma subdural crônico (HSDC) é uma complicação comum, frequentemente associada à drenagem excessiva de líquido cerebrospinal (LCR), e pode ser mitigada com o uso de dispositivos de pressão ajustável ou restrição de posicionamento do paciente. As demais alternativas apresentam erros conceituais importantes sobre infecção, profilaxia anticonvulsivante, tempo de drenagem e manejo da hiperdrenagem.

O hematoma subdural crônico é uma coleção de sangue envelhecido no espaço subdural, comum em idosos, frequentemente após trauma craniano leve. A drenagem cirúrgica é o tratamento de escolha, mas o pós-operatório exige atenção a complicações específicas. A recidiva é uma das mais temidas, ocorrendo em uma parcela significativa dos casos. A fisiopatologia da recidiva envolve a persistência de uma membrana neomembranosa que continua a sangrar, além de fatores como a drenagem excessiva de LCR, que pode causar colapso cerebral e reacúmulo de sangue no espaço subdural. Por isso, o controle da drenagem é crucial: dispositivos com válvulas de pressão ajustável permitem regular o fluxo, e a restrição de posicionamento (como manter o paciente em decúbito dorsal ou com a cabeceira elevada) ajuda a evitar a drenagem rápida e excessiva.

A infecção, embora seja uma complicação grave, não ocorre em "quase todos" os pacientes, como afirma a alternativa A. A taxa de infecção após drenagem de HSDC é baixa, e o uso de antibióticos profiláticos não é indicado de rotina por tempo prolongado. A profilaxia anticonvulsivante, mencionada na alternativa C, é um tema controverso: embora as crises convulsivas sejam mais frequentes após craniotomias para drenagem de HSDC, a literatura mostra que a profilaxia de rotina não reduz significativamente a incidência de crises e aumenta os efeitos colaterais, sendo, portanto, desaconselhada como rotina, mas não "contraindicada" de forma absoluta. A alternativa D erra ao afirmar que a drenagem deve ser mantida por um período mínimo fixo de duas semanas; na prática, o tempo de drenagem é individualizado, baseado no volume drenado e na resolução do hematoma, podendo ser de poucos dias. Por fim, a alternativa E inverte o manejo da síndrome de hiperdrenagem: ela é evitada reduzindo a velocidade da drenagem, não aumentando.

A distinção central que separa as alternativas é o conhecimento das complicações reais do HSDC e suas medidas preventivas. A recidiva, a hiperdrenagem e a infecção são as principais preocupações, mas cada uma tem um manejo específico. A banca explora a confusão entre essas complicações e suas condutas, especialmente ao inverter a lógica da drenagem (aumentar vs. reduzir a velocidade) e ao exagerar a frequência de eventos como a infecção. Guarde este critério: a alternativa correta é a que descreve com precisão a complicação e a medida preventiva adequada, sem exageros ou inversões.

Complicações pós-drenagem de HSDC
  • 1Recidiva (comum)
    • Causa: drenagem excessiva de LCR
    • Mitigação
      • Dispositivos de pressão ajustável
      • Restrição de posicionamento
  • 2Infecção
    • Baixa incidência
    • Sem antibiótico profilático de rotina
  • 3Convulsões
    • Profilaxia de rotina não recomendada
    • Decisão individualizada
  • 4Hiperdrenagem
    • Evitada reduzindo a velocidade da drenagem
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A infecção não é a principal complicação após drenagem de HSDC, e não ocorre em "quase todos" os pacientes. A taxa de infecção é baixa, e o uso de antibióticos profiláticos contínuos até a cicatrização não é indicado de rotina. A principal complicação é a recidiva do hematoma, e a infecção, embora grave, é menos frequente. A alternativa exagera a incidência e a conduta, tornando-a incorreta.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A recidiva do hematoma é uma complicação comum após a drenagem de HSDC. A drenagem excessiva de LCR pode levar ao colapso cerebral e ao reacúmulo de sangue no espaço subdural, favorecendo a recidiva. Medidas como o uso de dispositivos de pressão ajustável (válvulas) e a restrição de posicionamento do paciente (evitando decúbito lateral ou posições que aumentem a drenagem) são estratégias para mitigar esse risco. A alternativa descreve corretamente a complicação e as medidas preventivas.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A afirmação de que convulsões no pós-operatório imediato são raras e que o uso de anticonvulsivantes profiláticos é contraindicado está incorreta. Embora a profilaxia de rotina não seja recomendada, as crises convulsivas são mais frequentes após craniotomias para drenagem de HSDC, e a decisão de usar anticonvulsivantes é individualizada, não sendo "contraindicada" de forma absoluta. A alternativa simplifica demais a questão, ignorando a controvérsia e a necessidade de avaliação caso a caso.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A drenagem subdural não deve ser mantida por um período mínimo fixo de duas semanas. O tempo de drenagem é individualizado, baseado no volume drenado, na resolução do hematoma e na evolução clínica do paciente. Em muitos casos, a drenagem pode ser removida em poucos dias, quando o débito diminui e a tomografia mostra boa resolução. A alternativa impõe um prazo arbitrário, sem fundamento na prática clínica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome de hiperdrenagem, que pode causar cefaleia intensa e até herniação cerebral, é evitada reduzindo a velocidade da drenagem, não aumentando. A drenagem rápida e excessiva de LCR pode levar a uma queda brusca da pressão intracraniana, causando a hiperdrenagem. O manejo correto envolve controlar a velocidade da drenagem, muitas vezes com dispositivos de pressão ajustável, e monitorar o paciente. A alternativa inverte a conduta, tornando-a incorreta.

Gabarito: letra B

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