Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg163532
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico (Neurocirurgia)
Sobre o diagnóstico e tratamento do abscesso cerebral, assinale a alternativa correta.
  1. AAbscessos cerebrais originados de infecções odontogênicas são comumente localizados no lobo temporal ou frontal, enquanto abscessos originados de infecções otogênicas e mastoidites têm maior probabilidade de afetar a fossa posterior, especialmente o cerebelo.
  2. BA drenagem estereotáxica é indicada para abscessos cerebrais multiloculados, sendo preferida em comparação à drenagem cirúrgica aberta com remoção da cápsula, que é reservada apenas para abscessos em áreas eloquentes.
  3. CA ressonância magnética com espectroscopia é o exame de escolha para diferenciar abscessos cerebrais de tumores, sendo o achado clássico o aumento do lactato e da colina, além da redução de N-Acetil Aspartato (NAA) e da ausência de lipídios.
  4. DAbscessos cerebrais com mais de 2,5 cm e localizados em áreas eloquentes ou em pacientes com alto risco cirúrgico devem ser tratados exclusivamente com antibióticos, já que a cirurgia apresenta alto risco de déficits neurológicos adicionais.
  5. EA remoção cirúrgica completa da cápsula do abscesso é indicada em todos os casos de abscessos cerebrais, independentemente da resposta ao tratamento antibiótico, para evitar complicações futuras.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — Abscessos cerebrais originados de infecções odontogênicas são comumente localizados no lobo temporal ou frontal, enquanto abscessos originados de infecções otogênicas e mastoidites têm maior probabilidade de afetar a fossa posterior, especialmente o cerebelo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Abscesso cerebral: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra A. A alternativa correta descreve com precisão a relação entre a origem da infecção e a localização típica do abscesso cerebral: infecções odontogênicas tendem a afetar os lobos frontal e temporal, enquanto otogênicas e mastoidites acometem preferencialmente a fossa posterior, especialmente o cerebelo. Essa correlação é um dos pilares da semiologia neurológica e da neuroimagem, e é exatamente o que a banca cobra.

O abscesso cerebral é uma coleção purulenta circunscrita no parênquima encefálico, geralmente decorrente de infecção contígua (sinusite, otite, mastoidite, infecção dentária), disseminação hematogênica (endocardite, abscesso pulmonar) ou, menos comumente, trauma penetrante. A localização do abscesso frequentemente reflete a via de disseminação: infecções nos seios paranasais e na dentição superior drenam para os lobos frontal e temporal, enquanto infecções do ouvido médio e mastoide, por proximidade anatômica, atingem o cerebelo e o tronco encefálico. Essa correlação é um dos pilares da semiologia neurológica e da neuroimagem, e é exatamente o que a banca cobra.

O diagnóstico é feito por neuroimagem, sendo a ressonância magnética (RM) superior à tomografia computadorizada (TC) para diferenciar o abscesso de outras lesões expansivas, como tumores. Na RM, o abscesso típico apresenta realce anelar, centro necrótico com restrição à difusão (pus viscoso) e edema perilesional. A espectroscopia por RM pode auxiliar, mostrando aumento de lactato e aminoácidos, com redução de NAA e colina — mas a alternativa C inverte esses achados, o que a torna incorreta.

O tratamento combina antibioticoterapia empírica e intervenção neurocirúrgica. A drenagem estereotáxica é o procedimento de escolha para a maioria dos abscessos, especialmente os únicos e de tamanho considerável, pois permite a identificação do patógeno e a redução do efeito de massa. A excisão cirúrgica aberta da cápsula é reservada para casos específicos, como abscessos multiloculados, recidivantes ou com corpo estranho. A alternativa B inverte essa lógica, e a alternativa E generaliza a excisão para todos os casos, o que é incorreto.

A alternativa D propõe tratamento exclusivamente antibiótico para abscessos >2,5 cm em áreas eloquentes ou em pacientes de alto risco cirúrgico. Isso está errado: o tamanho e a eloquência da área são justamente indicações para drenagem, não contraindicações. A antibioticoterapia isolada é reservada para cerebrite (fase pré-capsular), abscessos múltiplos pequenos, ou quando a cirurgia é absolutamente contraindicada — mas não é a regra para abscessos grandes.

Guarde a correlação etiologia-localização e as indicações cirúrgicas: são esses os dois eixos que separam as alternativas desta questão.

Critério

Abscesso odontogênico

Abscesso otogênico/mastoidite

Localização típica

Lobo frontal e temporal

Fossa posterior (cerebelo)

Via de disseminação

Contiguidade (seios paranasais/dentição)

Proximidade anatômica (ouvido médio/mastoide)

Abscesso cerebral
  • 1Origem e localização
    • Odontogênica → lobo frontal/temporal
    • Otogênica/mastoidite → cerebelo (fossa posterior)
  • 2Diagnóstico (RM)
    • Realce anelar + restrição à difusão
    • Espectroscopia: lactato, aminoácidos, lipídios
  • 3Tratamento
    • Drenagem estereotáxica (maioria)
    • Excisão aberta (multiloculado, recidivante)
    • Antibiótico isolado (cerebrite, pequenos)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa está correta ao afirmar que abscessos de origem odontogênica são comuns nos lobos frontal e temporal, enquanto os de origem otogênica e mastoidite afetam preferencialmente a fossa posterior, especialmente o cerebelo. Essa correlação é clássica e amplamente descrita na literatura: infecções dentárias e sinusais drenam para os lobos frontal e temporal, enquanto infecções do ouvido médio e mastoide, por proximidade anatômica, atingem o cerebelo e o tronco encefálico. É um dos pilares da semiologia neurológica e da neuroimagem.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A alternativa inverte a indicação dos procedimentos. A drenagem estereotáxica é o método de escolha para a maioria dos abscessos, incluindo os únicos e de tamanho considerável, pois é menos invasiva e permite a identificação do patógeno. A drenagem cirúrgica aberta com remoção da cápsula é reservada para casos específicos, como abscessos multiloculados, recidivantes, com corpo estranho ou em áreas não eloquentes — não o contrário. A banca troca a indicação dos dois métodos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A alternativa erra ao afirmar que a espectroscopia mostra aumento de colina e ausência de lipídios. No abscesso cerebral, a espectroscopia por RM tipicamente demonstra aumento de lactato e aminoácidos (como valina, leucina e isoleucina), além de lipídios, com redução de NAA e colina. A colina está elevada em tumores, não em abscessos. A banca inverte os achados metabólicos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa está errada ao propor tratamento exclusivamente antibiótico para abscessos >2,5 cm em áreas eloquentes ou em pacientes de alto risco cirúrgico. O tamanho e a eloquência da área são justamente indicações para drenagem, não contraindicações. A antibioticoterapia isolada é reservada para cerebrite (fase pré-capsular), abscessos múltiplos pequenos, ou quando a cirurgia é absolutamente contraindicada — mas não é a regra para abscessos grandes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A alternativa generaliza a remoção cirúrgica completa da cápsula para todos os casos, o que é incorreto. A excisão da cápsula é reservada para casos específicos, como abscessos multiloculados, recidivantes ou com corpo estranho. Na maioria dos casos, a drenagem estereotáxica ou a aspiração é suficiente, e a resposta ao tratamento antibiótico é monitorada com neuroimagem. A cirurgia aberta não é indicada em todos os casos, independentemente da resposta ao tratamento.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/qg163532