Sobre neuropatologia e os marcadores tumorais mais utilizados para tumores do SNC, assinale a alternativa correta.
AO marcador Ki-67, também conhecido como MIB-1, é amplamente utilizado para avaliar a proliferação celular em tumores do SNC, sendo útil para classificar o grau de malignidade em gliomas e meningiomas, mas sua expressão é limitada a tumores de crescimento rápido.
BO GFAP (proteína ácida fibrilar glial) é um marcador específico de gliomas e é raramente encontrado em outros tipos de tumores do SNC, como ependimomas ou oligodendrogliomas.
COs tumores neuroendócrinos do SNC, como o pineocitoma e o meduloblastoma, podem ser identificados por meio da coloração positiva para sinaptofisina, que é um marcador de vesículas sinápticas.
DA expressão do antígeno de membrana epitelial (EMA) é um marcador específico para meningiomas e raramente é encontrado em outros tumores do SNC, como ependimomas ou carcinomas metastáticos.
EA beta-hCG (gonadotrofina coriônica humana) é um marcador comum encontrado em tumores germinativos, sendo particularmente elevada em teratomas e astrocitomas de alto grau do SNC.
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GabaritoC — Os tumores neuroendócrinos do SNC, como o pineocitoma e o meduloblastoma, podem ser identificados por meio da coloração positiva para sinaptofisina, que é um marcador de vesículas sinápticas.
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Marcadores tumorais em tumores do SNC
Gabarito: letra C. A alternativa correta é a que associa a sinaptofisina, marcador de vesículas sinápticas, à identificação de tumores neuroendócrinos do SNC, como pineocitoma e meduloblastoma. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre a especificidade e a aplicação dos marcadores Ki-67, GFAP, EMA e beta-hCG.
A neuropatologia utiliza marcadores imunohistoquímicos para identificar a linhagem celular e o grau de proliferação dos tumores do sistema nervoso central (SNC). Cada marcador tem um perfil de expressão que auxilia no diagnóstico diferencial entre os diversos tipos de neoplasias. O Ki-67 (ou MIB-1) é um antígeno nuclear expresso em células em proliferação, sendo um índice prognóstico importante em gliomas e meningiomas, mas não é restrito a tumores de crescimento rápido — ele é utilizado justamente para medir a taxa proliferativa, que pode ser baixa ou alta. O GFAP é um marcador de diferenciação astrocitária, presente em gliomas, mas também pode ser expresso em ependimomas e oligodendrogliomas, embora com menor intensidade. O EMA é um marcador de diferenciação epitelial, presente em meningiomas, mas também em ependimomas e metástases de carcinomas. A beta-hCG é um marcador de tumores germinativos, especialmente o coriocarcinoma, e não é encontrada em teratomas ou astrocitomas.
A sinaptofisina é uma glicoproteína integral de membrana das vesículas sinápticas, sendo um marcador de diferenciação neuronal e neuroendócrina. Sua positividade é característica de tumores com diferenciação neuronal, como o meduloblastoma (tumor embrionário do cerebelo) e o pineocitoma (tumor da glândula pineal). Esses tumores expressam marcadores neuroendócrinos, como sinaptofisina, cromogranina e enolase neurônio-específica, refletindo sua origem em células com fenótipo neuronal.
A banca explora a confusão entre a especificidade dos marcadores e os tumores em que são encontrados. O candidato deve conhecer o perfil imunohistoquímico típico de cada neoplasia do SNC para distinguir as alternativas corretas das incorretas. A seguir, analisaremos cada alternativa em detalhe.
A afirmação de que o Ki-67 é "limitado a tumores de crescimento rápido" está incorreta. O Ki-67 é um marcador de proliferação celular utilizado para avaliar o índice proliferativo de qualquer tumor, independentemente da velocidade de crescimento. Ele é expresso em células que estão no ciclo celular (fases G1, S, G2 e M), e sua positividade é proporcional à taxa de proliferação. Em gliomas e meningiomas, o índice Ki-67 é usado para auxiliar na graduação histológica, mas não é restrito a tumores de crescimento rápido — tumores de baixo grau também podem apresentar expressão, embora em menor percentual. O erro está na palavra "limitada", que sugere uma restrição que não existe.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O GFAP é um marcador de diferenciação astrocitária, sendo fortemente expresso em astrocitomas e glioblastomas. No entanto, a afirmação de que é "raramente encontrado em outros tipos de tumores do SNC, como ependimomas ou oligodendrogliomas" está incorreta. O GFAP pode ser expresso em ependimomas e oligodendrogliomas, embora com menor intensidade e distribuição. Os ependimomas, por serem derivados de células ependimárias, frequentemente expressam GFAP. Os oligodendrogliomas também podem ser GFAP-positivos, especialmente em células minigemistocíticas. Portanto, o GFAP não é específico de gliomas, sendo encontrado em outros tumores gliais.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A sinaptofisina é um marcador de vesículas sinápticas, presente em neurônios e células neuroendócrinas. Sua positividade é característica de tumores com diferenciação neuronal ou neuroendócrina, como o meduloblastoma e o pineocitoma. O meduloblastoma é um tumor embrionário do cerebelo que expressa marcadores neuronais, incluindo sinaptofisina. O pineocitoma é um tumor bem diferenciado da glândula pineal, que também expressa sinaptofisina e outros marcadores neuroendócrinos. Portanto, a alternativa está correta ao afirmar que esses tumores podem ser identificados pela coloração positiva para sinaptofisina.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O EMA é um marcador de diferenciação epitelial, presente em meningiomas, mas não é específico. A afirmação de que é "raramente encontrado em outros tumores do SNC, como ependimomas ou carcinomas metastáticos" está incorreta. O EMA é frequentemente expresso em ependimomas, especialmente nos ependimomas anaplásicos, e é um marcador útil para distinguir ependimomas de outros tumores gliais. Além disso, carcinomas metastáticos para o SNC são tipicamente EMA-positivos, pois são de origem epitelial. Portanto, o EMA não é específico de meningiomas, sendo encontrado em outros tumores.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A beta-hCG é um marcador de tumores germinativos, especialmente o coriocarcinoma e os tumores germinativos com sinciciotrofoblasto. A afirmação de que é "particularmente elevada em teratomas e astrocitomas de alto grau do SNC" está incorreta. Os teratomas são tumores germinativos que podem ter componentes maduros ou imaturos, mas a beta-hCG não é um marcador característico — ela é mais associada a coriocarcinoma e tumores germinativos com elementos trofoblásticos. Os astrocitomas de alto grau (glioblastomas) não expressam beta-hCG; eles são tipicamente GFAP-positivos e podem ter outras alterações moleculares, mas não produzem beta-hCG. Portanto, a alternativa está incorreta ao associar beta-hCG a teratomas e astrocitomas.