Síndrome de Tourette: critérios diagnósticos e manifestações clínicas
Gabarito: letra C. A alternativa correta afirma que é comum a presença de ecolalia e ecopraxia na síndrome de Tourette, especialmente quando associada a transtorno obsessivo-compulsivo — o que está de acordo com a literatura médica sobre o tema. As demais alternativas contêm erros conceituais sobre os critérios diagnósticos, o controle voluntário dos tiques e o tratamento da condição.
A síndrome de Tourette é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado pela presença de múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal, persistindo por mais de um ano, com início antes dos 18 anos. Os tiques são movimentos ou vocalizações súbitas, rápidas, recorrentes e não rítmicas, que podem ser simples (piscar, pigarrear) ou complexos (pular, repetir palavras). Um aspecto central é que os tiques são, em certa medida, suprimíveis voluntariamente por períodos variáveis, embora essa supressão possa gerar desconforto e tensão interna. Essa capacidade de supressão é um dos critérios que diferenciam os tiques de outros movimentos involuntários, como os da coreia.
A ecolalia (repetição de palavras ou frases ouvidas) e a ecopraxia (imitação de movimentos de outras pessoas) são fenômenos comuns nos tiques complexos, e sua presença é ainda mais frequente quando há comorbidade com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). A associação entre Tourette e TOC é bem estabelecida, e ambos compartilham bases neurobiológicas envolvendo circuitos córtico-estriatais. A coprolalia (emissão de palavras obscenas), embora seja o sintoma mais popularmente associado à síndrome, ocorre em apenas cerca de 10% dos pacientes, como mencionado no material de apoio.
Quanto ao tratamento, a abordagem é multimodal: terapia comportamental (como o treino de reversão de hábito) é a primeira linha para tiques leves a moderados, e medicamentos (antipsicóticos, alfa-agonistas) são utilizados em casos mais graves ou refratários. O canabidiol não é considerado tratamento de primeira linha, e a afirmação de que não existem tratamentos medicamentosos eficazes é falsa.
A banca explora, nesta questão, o conhecimento dos critérios diagnósticos do DSM-5 e das características clínicas da síndrome. A alternativa C é a única que apresenta uma afirmação correta e clinicamente aceita, enquanto as demais contêm distorções que o candidato deve saber identificar.
Alternativa A — ❌ Incorreta
O erro está na exigência de "dois tiques motores e dois vocais" e na palavra "concomitantemente". Os critérios diagnósticos exigem múltiplos tiques motores e pelo menos um tique vocal, não dois de cada. Além disso, não é necessário que ocorram concomitantemente; o que se exige é que persistam por mais de um ano, podendo haver períodos sem tiques.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que os tiques são "permanentes e não podem ser controlados de forma voluntária". Na realidade, os tiques são suprimíveis voluntariamente por períodos variáveis, embora essa supressão possa causar desconforto. A capacidade de supressão é uma característica clínica importante e faz parte da avaliação diagnóstica.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ecolalia e a ecopraxia são tiques complexos comuns na síndrome de Tourette, e sua frequência aumenta quando há comorbidade com transtorno obsessivo-compulsivo. Essa associação é amplamente descrita na literatura e reflete a sobreposição neurobiológica entre os dois transtornos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que o diagnóstico exige tiques complexos e que os tiques simples seriam classificados como transtorno persistente de tiques. Isso é falso: o diagnóstico de Tourette pode ser feito com tiques simples, desde que haja múltiplos tiques motores e pelo menos um vocal. A distinção entre Tourette e transtorno persistente de tiques não se baseia na complexidade, mas no número e tipo de tiques (no transtorno persistente, há apenas tiques motores ou vocais, não ambos).
Alternativa E — ❌ Incorreta
A afirmação de que não existem tratamentos medicamentosos eficazes é falsa. Existem diversas opções farmacológicas (antipsicóticos, alfa-agonistas) e não farmacológicas (terapia comportamental) eficazes. O canabidiol não é primeira linha, e a terapia cognitivo-comportamental, embora útil, não é o único tratamento.
Gabarito: letra C