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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg163908
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia
Assinale a alternativa correta em relação às doenças vasculares encefálicas.
  1. AA hemorragia intracraniana com ruptura do aneurisma cerebral nunca é fator para o aumento da pressão intracraniana.
  2. BA cirurgia precoce para aneurisma cerebral é realizada em até 48 a 72 horas após a hemorragia subaracnoide causada pela ruptura do aneurisma.
  3. CA drenagem venosa deve ser evitada, para isso, deve-se elevar a cabeça a nível acima do coração.
  4. DA anestesia superficial para que não ocorra hipotensão arterial deve ser instituída, pois no momento da intubação a hipertensão arterial pode sobrevir e provocar nova hemorragia subaracnoide.
  5. EA cirurgia precoce para aneurisma cerebral apresenta melhor resultado nos graus I ou II da escala de Hunt e Hess, pois a reatividade vascular não está totalmente comprometida. Assim, pode-se utilizar certo grau de hipotensão arterial se necessário.
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GabaritoE — A cirurgia precoce para aneurisma cerebral apresenta melhor resultado nos graus I ou II da escala de Hunt e Hess, pois a reatividade vascular não está totalmente comprometida. Assim, pode-se utilizar certo grau de hipotensão arterial se necessário.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Doenças vasculares encefálicas: manejo do aneurisma cerebral

Gabarito: letra E. A cirurgia precoce para aneurisma cerebral apresenta melhor resultado nos graus I ou II da escala de Hunt e Hess, pois a reatividade vascular não está totalmente comprometida, permitindo certo grau de hipotensão arterial se necessário. As demais alternativas contêm erros conceituais graves sobre o manejo da hemorragia subaracnoide (HSA) por ruptura de aneurisma.

A hemorragia subaracnoide (HSA) por ruptura de aneurisma cerebral é uma emergência neurocirúrgica de alta morbimortalidade. O entendimento do manejo dessa condição exige o domínio de alguns pilares: o controle da pressão intracraniana (PIC), o timing cirúrgico, o manejo da pressão arterial e a classificação clínica do paciente. A escala de Hunt e Hess é o instrumento mais utilizado para graduar a gravidade clínica do paciente com HSA, variando do grau I (assintomático ou cefaleia leve) ao grau V (coma profundo). Essa graduação é decisiva para a conduta, pois pacientes em melhores graus (I e II) têm melhor prognóstico cirúrgico e menor comprometimento da autorregulação cerebral.

A cirurgia precoce, realizada idealmente nas primeiras 48 a 72 horas após o sangramento, tem como objetivo principal prevenir o ressangramento, que é uma complicação devastadora. A lógica por trás da cirurgia precoce é que, quanto antes o aneurisma é excluído da circulação (por clipagem ou embolização), menor o risco de novo sangramento. Nos pacientes em graus I e II de Hunt e Hess, a reatividade vascular cerebral está relativamente preservada, o que permite ao neurocirurgião e ao anestesiologista utilizar estratégias de hipotensão arterial controlada durante o procedimento, se necessário, sem o risco de isquemia cerebral grave. Já nos graus mais avançados (III a V), a autorregulação cerebral está comprometida, e qualquer variação da pressão arterial pode precipitar isquemia ou novo sangramento.

O manejo da pressão arterial no paciente com HSA é um equilíbrio delicado. A hipertensão arterial deve ser controlada para reduzir o risco de ressangramento, mas a hipotensão deve ser evitada, pois pode comprometer a perfusão cerebral, especialmente em um cérebro já lesado. A alternativa D inverte esse conceito ao afirmar que se deve instituir anestesia superficial para evitar hipotensão, quando na verdade o objetivo é manter uma anestesia adequada e um controle fino da pressão arterial, evitando tanto picos hipertensivos quanto quedas bruscas. A alternativa C também erra ao afirmar que a drenagem venosa deve ser evitada e que a cabeça deve ser elevada acima do coração — na verdade, a elevação da cabeça (em torno de 30 graus) é uma medida para facilitar a drenagem venosa e reduzir a PIC, não para evitá-la.

A alternativa A é flagrantemente incorreta, pois a hemorragia intracraniana com ruptura de aneurisma é uma das principais causas de aumento da pressão intracraniana. O sangramento ocupa espaço dentro da cavidade craniana, que é um compartimento fechado, elevando a PIC e podendo levar a herniação cerebral. A alternativa B, embora mencione o timing correto da cirurgia precoce (48 a 72 horas), está incorreta porque a cirurgia precoce não é realizada "em até 48 a 72 horas" de forma absoluta — ela é indicada preferencialmente nesse período, mas a decisão depende da condição clínica do paciente e da disponibilidade de recursos. Além disso, a alternativa B não menciona a escala de Hunt e Hess, que é o critério mais importante para a seleção dos pacientes que se beneficiarão da cirurgia precoce.

A pegadinha central desta questão está na alternativa E, que é a única que integra corretamente os conceitos de timing cirúrgico, graduação clínica e manejo da pressão arterial. A banca explora a confusão entre os diferentes graus da escala de Hunt e Hess e o manejo da pressão arterial, além de testar o conhecimento sobre as medidas de controle da PIC. O candidato que domina a fisiopatologia da HSA e os princípios do manejo neurocirúrgico identifica facilmente a alternativa E como a correta.

Manejo da HSA por aneurisma
  • 1Controle da PIC
    • Elevação da cabeça (~30°)
    • Facilita drenagem venosa
  • 2Timing cirúrgico
    • Precoce (48–72h)
    • Objetivo: prevenir ressangramento
  • 3Escala de Hunt e Hess
    • Graus I–II
      • Melhor prognóstico cirúrgico
      • Autorregulação preservada
      • Permite hipotensão controlada
    • Graus III–V
      • Autorregulação comprometida
      • Variação pressórica deletéria
  • 4Manejo da PA
    • Evitar picos hipertensivos
    • Evitar hipotensão
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a hemorragia intracraniana com ruptura do aneurisma cerebral "nunca" é fator para o aumento da pressão intracraniana. Isso é um erro grave, pois a HSA é uma causa clássica de hipertensão intracraniana. O sangramento subaracnóideo, intraventricular ou intraparenquimatoso ocupa espaço e aumenta a PIC, podendo levar a herniação cerebral. O próprio apoio técnico confirma que a HIC relacionada à HSA é um evento frequente e pode ocorrer abruptamente após a ruptura do aneurisma. A palavra "nunca" torna a afirmação categoricamente falsa.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a cirurgia precoce é realizada "em até 48 a 72 horas" após a HSA. Embora o timing de 48 a 72 horas seja o recomendado para a cirurgia precoce, a afirmação é imprecisa e incompleta. A cirurgia precoce é indicada preferencialmente nesse período, mas a decisão depende da condição clínica do paciente, da graduação de Hunt e Hess e da disponibilidade de recursos. Além disso, a alternativa não menciona que a cirurgia precoce é mais benéfica em pacientes com bons graus clínicos (I e II), o que é o cerne da questão. A alternativa B está incorreta por ser uma generalização que ignora os critérios de seleção dos pacientes.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a drenagem venosa deve ser evitada e que, para isso, a cabeça deve ser elevada acima do coração. Isso é um contrassenso. A elevação da cabeça (em torno de 30 graus) é uma medida para facilitar a drenagem venosa cerebral e reduzir a PIC, não para evitá-la. A drenagem venosa adequada é essencial para o controle da PIC em pacientes com HSA. A alternativa inverte completamente o conceito, provavelmente para confundir o candidato que não domina os princípios de manejo da PIC.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que se deve instituir anestesia superficial para evitar hipotensão arterial, pois no momento da intubação a hipertensão arterial pode sobrevir e provocar nova hemorragia subaracnoide. Essa afirmação é contraditória e perigosa. A anestesia superficial pode levar a picos hipertensivos durante a intubação, aumentando o risco de ressangramento. O correto é manter uma anestesia adequada e um controle fino da pressão arterial, evitando tanto picos hipertensivos quanto quedas bruscas. A alternativa D confunde os conceitos de anestesia superficial e controle pressórico, apresentando uma conduta que vai contra as recomendações de segurança.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a cirurgia precoce para aneurisma cerebral apresenta melhor resultado nos graus I ou II da escala de Hunt e Hess, pois a reatividade vascular não está totalmente comprometida, permitindo certo grau de hipotensão arterial se necessário. Essa afirmação está correta e integra os principais conceitos do manejo da HSA. Pacientes em graus I e II de Hunt e Hess têm melhor prognóstico cirúrgico e autorregulação cerebral preservada, o que permite o uso de hipotensão arterial controlada durante o procedimento. Nos graus mais avançados, a autorregulação está comprometida, e qualquer variação pressórica pode ser deletéria. A alternativa E é a única que apresenta uma conduta tecnicamente correta e fundamentada.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os graus da escala de Hunt e Hess e o manejo da pressão arterial. O candidato pode ser induzido a marcar a alternativa D, que parece plausível ao mencionar o risco de hipertensão na intubação, mas inverte o conceito ao recomendar anestesia superficial. A alternativa E é a correta porque integra corretamente o timing cirúrgico, a graduação clínica e o manejo pressórico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões sobre HSA e aneurisma cerebral, memorize os pilares do manejo: (1) controle da PIC, (2) timing cirúrgico (precoce em 48-72h), (3) graduação de Hunt e Hess (I-V), e (4) manejo da pressão arterial (evitar picos e quedas). A escala de Hunt e Hess é o critério mais cobrado para decisão cirúrgica.

Gabarito: letra E

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