Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg163945
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Anestesiologia Cardiovascular
Mulher, 93 anos, será submetida à cirurgia cardíaca de revascularização miocárdica. Em relação às alterações cardiovasculares que são incrementadas durante o avanço da idade e que podem ser observadas durante a cirurgia cardíaca, será encontrado(a):
ARedução dos níveis pressóricos.
BAumento da reserva cardiovascular.
CAumento das unidades miofibrilas.
DAumento do débito cardíaco.
EDiminuição da elasticidade vascular.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoE — Diminuição da elasticidade vascular.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Alterações cardiovasculares no envelhecimento e cirurgia cardíaca
Gabarito: letra E. Com o avanço da idade, ocorre diminuição da elasticidade vascular, decorrente de alterações estruturais como o espessamento da íntima, aumento do colágeno e fragmentação das fibras elásticas — o que torna as artérias mais rígidas. Essa rigidez arterial é um dos principais determinantes do aumento da pressão arterial sistólica e da pressão de pulso no idoso, e é exatamente o que se observa durante a cirurgia cardíaca nessa população.
O envelhecimento cardiovascular é um processo fisiológico que envolve múltiplas adaptações estruturais e funcionais. No sistema vascular, a principal alteração é a perda progressiva da complacência arterial: as paredes dos grandes vasos tornam-se mais espessas e rígidas, com acúmulo de colágeno e degradação das fibras elásticas. Isso reduz a capacidade de distensão das artérias a cada ejeção ventricular, aumentando a impedância à ejeção e, consequentemente, a pós-carga do ventrículo esquerdo. O resultado prático é o aumento da pressão arterial sistólica, alargamento da pressão de pulso e maior trabalho cardíaco — achados típicos no idoso e que se tornam ainda mais relevantes no contexto de uma cirurgia de revascularização miocárdica, em que o coração já está sobrecarregado pela doença coronariana.
No coração propriamente dito, o envelhecimento promove redução do número de miócitos (por apoptose), com hipertrofia compensatória dos remanescentes, aumento da fibrose intersticial e deposição de amiloide. Essas mudanças levam a uma diminuição da reserva cardiovascular: o coração idoso tem menor capacidade de aumentar a frequência cardíaca e a contratilidade em resposta ao estresse, o que reduz a tolerância a variações de volume e pressão durante o ato anestésico-cirúrgico. O débito cardíaco, em repouso, pode estar preservado, mas a reserva funcional está comprometida — ou seja, o coração não consegue elevar o débito de forma adequada diante de uma demanda aumentada, como ocorre no pós-operatório de cirurgia cardíaca.
É importante distinguir o que ocorre com a pressão arterial no idoso: ao contrário do que se poderia supor, os níveis pressóricos tendem a AUMENTAR, especialmente a pressão sistólica, devido justamente à rigidez arterial. A hipotensão não é uma consequência fisiológica do envelhecimento, mas sim um achado patológico que pode ocorrer por outras causas (desidratação, sangramento, efeito de drogas). Da mesma forma, o número de miofibrilas por miócito não aumenta com a idade — o que ocorre é hipertrofia celular com aumento do tamanho das fibras, mas não do número de unidades contráteis.
A banca explora exatamente a confusão entre os conceitos de complacência vascular e pressão arterial, e entre reserva cardiovascular e débito cardíaco. O candidato que sabe que o idoso tem artérias rígidas e coração com reserva diminuída acerta a questão; o que confunde esses conceitos tende a marcar uma das alternativas incorretas. A chave é lembrar que o envelhecimento é um processo de PERDA de reserva e de ELASTICIDADE, nunca de ganho.
Envelhecimento cardiovascular
1Vasos
Elasticidade vascular diminui
Pressão sistólica aumenta
Pressão de pulso aumenta
2Coração
Reserva cardiovascular diminui
Débito cardíaco em repouso preservado
Resposta ao estresse diminui
3Músculo cardíaco
Miócitos diminuem (apoptose)
Hipertrofia compensatória
Fibrose intersticial aumenta
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que há redução dos níveis pressóricos com o envelhecimento. Na verdade, ocorre o oposto: a rigidez arterial aumenta a pressão sistólica e a pressão de pulso, sendo a hipertensão sistólica isolada a forma mais comum de hipertensão no idoso. A redução pressórica não é uma alteração fisiológica do envelhecimento, mas sim um sinal de alerta para outras condições (hipovolemia, sepse, efeito de medicações).
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que há aumento da reserva cardiovascular. O envelhecimento promove REDUÇÃO da reserva cardiovascular: o coração idoso tem menor capacidade de aumentar a frequência cardíaca (por redução da resposta aos beta-adrenérgicos) e menor reserva contrátil, o que limita a resposta ao estresse cirúrgico. A reserva cardiovascular diminuída é um dos motivos pelos quais o idoso tolera pior grandes cirurgias.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que há aumento das unidades de miofibrilas. Com o envelhecimento, ocorre perda de miócitos por apoptose e hipertrofia compensatória dos remanescentes, mas não há aumento do número de miofibrilas. O que se observa é aumento do tamanho das fibras musculares (hipertrofia) e aumento da fibrose intersticial, com redução da massa muscular funcional.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que há aumento do débito cardíaco. O débito cardíaco em repouso pode estar preservado no idoso, mas a capacidade de aumentá-lo durante o estresse está reduzida (reserva cardiovascular diminuída). Não há aumento do débito cardíaco como consequência do envelhecimento; pelo contrário, a resposta cronotrópica e inotrópica ao exercício e ao estresse está atenuada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que há diminuição da elasticidade vascular. Essa é a alteração cardiovascular mais característica do envelhecimento: as artérias tornam-se mais rígidas devido ao espessamento da íntima, aumento do colágeno e fragmentação das fibras elásticas. Essa rigidez arterial aumenta a impedância à ejeção ventricular, elevando a pressão sistólica e a pós-carga — achados que se tornam ainda mais evidentes durante a cirurgia cardíaca, quando o coração precisa trabalhar contra uma carga aumentada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca inverte o sentido das alterações fisiológicas do envelhecimento: apresenta como "aumento" o que na verdade é "diminuição" (reserva cardiovascular, débito cardíaco, miofibrilas) e como "redução" o que é "aumento" (níveis pressóricos). A única alternativa que descreve corretamente uma alteração real — a diminuição da elasticidade vascular — é a letra E. Fique atento: no idoso, a pressão arterial tende a AUMENTAR (especialmente a sistólica), e a reserva cardiovascular DIMINUI.
PEGA ESSA DICA!
Para questões sobre envelhecimento cardiovascular, lembre-se do padrão: rigidez arterial ↑, pressão sistólica ↑, reserva cardiovascular ↓, débito cardíaco em repouso = (preservado), resposta ao estresse ↓. Se a alternativa trouxer "aumento" de algo que deveria diminuir (ou vice-versa), desconfie imediatamente.
Gabarito: letra E — a diminuição da elasticidade vascular é a alteração cardiovascular característica do envelhecimento, observada durante a cirurgia cardíaca.