Questão de Medicina — Oftalmologia — FUNDATEC 2024
- Código
- qg163981
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Medicina de Emergência - UPA
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas I e III.
- DApenas I, II e III.
- EApenas I, III e IV.
GabaritoE — Apenas I, III e IV.
Gabarito: letra E — estão corretas as assertivas I, III e IV. A assertiva II é falsa porque, em queimadura química ocular, o uso de colírio antibiótico está indicado independentemente do pH do agente causador (ácido ou básico), sendo a irrigação copiosa a medida mais importante. As demais assertivas refletem condutas e quadros clássicos: perda visual súbita unilateral indolor sugere oclusão de artéria central da retina; trauma ocular com material contaminado exige intervenção cirúrgica idealmente em menos de 6 horas; e o glaucoma agudo é manejado com manitol 20% EV e acetazolamida VO.
O reconhecimento de emergências oftalmológicas é uma habilidade essencial para o médico emergencista, pois a maioria dos atendimentos iniciais é realizada por não especialistas. O conhecimento dos quadros clínicos típicos e das condutas iniciais pode preservar a visão do paciente e evitar sequelas irreversíveis. Nesta questão, a banca cobra quatro situações distintas: oclusão de artéria central da retina, queimadura química, trauma ocular penetrante e glaucoma agudo. Cada uma tem características próprias que precisam ser dominadas.
A oclusão de artéria central da retina (OACR) é uma emergência vascular que se apresenta com perda visual súbita, unilateral, indolor e acentuada, geralmente em pacientes entre 60 e 70 anos. O prognóstico é ruim, e o tratamento visa restabelecer a circulação retiniana o mais rápido possível. A queimadura química é uma das lesões oculares mais graves, exigindo irrigação copiosa e imediata com água corrente ou solução fisiológica, independentemente do pH do agente. O uso de colírio antibiótico é parte do manejo para prevenir infecção secundária, não sendo contraindicado em agentes de pH básico. No trauma ocular com material contaminado, a intervenção cirúrgica deve ser realizada o quanto antes, idealmente em menos de 6 horas, para reduzir o risco de endoftalmite. Já o glaucoma agudo é uma emergência hipertensiva ocular que requer redução rápida da pressão intraocular, utilizando-se mióticos, acetazolamida e manitol.
A banca explora a confusão entre a conduta na queimadura química e a necessidade de antibiótico, além de testar o conhecimento sobre o manejo do glaucoma agudo. É fundamental que o candidato saiba que a irrigação é a prioridade absoluta na queimadura química, mas que o antibiótico também faz parte do tratamento, independentemente do pH. No glaucoma agudo, a combinação de manitol EV e acetazolamida VO é clássica e bem estabelecida.
Guarde a fronteira entre o que é prioridade absoluta (irrigação na queimadura química) e o que é parte do manejo (antibiótico, mesmo em pH básico): é exatamente nessa distinção que a assertiva II se torna falsa.
A perda visual súbita, unilateral, indolor e acentuada é o quadro clássico da oclusão de artéria central da retina (OACR). O material de apoio confirma: "Perda visual súbita unilateral, indolor e acentuada sugere oclusão de artéria central de retina. O prognóstico é muito ruim." A OACR é o bloqueio agudo do fluxo sanguíneo na artéria central da retina, ocorrendo geralmente em pacientes entre 60 e 70 anos, com sintomas que variam de conta dedos à percepção luminosa. O diagnóstico é clínico, e o tratamento visa restabelecer a circulação retiniana.
A assertiva afirma que o uso de colírio antibiótico não está indicado caso o agente de contato tenha pH básico. Isso é falso. Na queimadura química ocular, a irrigação copiosa com água corrente ou solução fisiológica é a medida mais importante e deve ser iniciada imediatamente, independentemente do pH do agente. O colírio antibiótico está indicado para prevenir infecção secundária, sendo parte do manejo tanto em queimaduras por ácidos quanto por bases. A banca tenta induzir o erro ao sugerir que o pH básico contraindica o antibiótico, o que não procede.
Em trauma ocular com material contaminado, a intervenção cirúrgica deve ser realizada idealmente em menos de 6 horas. Essa conduta visa reduzir o risco de endoftalmite, uma infecção intraocular grave que pode levar à perda da visão. O material de apoio menciona a importância do diagnóstico precoce e da conduta adequada em traumas oculares, reforçando a necessidade de intervenção rápida em casos de contaminação.
O uso de manitol 20% EV e acetazolamida VO faz parte do manejo do glaucoma agudo. O material de apoio confirma: "O tratamento inicial consiste em mióticos (colírio de pilocarpina a 2%) instilados de 15/15 minutos, diuréticos (acetazolamida 250 mg, por via oral, de 6/6 horas, e/ou manitol a 20%, 250 mL, 70 gotas/minuto por via intravenosa)." Esses medicamentos reduzem a pressão intraocular de forma rápida, sendo essenciais no manejo emergencial do glaucoma agudo de ângulo fechado.
Conclusão: Corretos: I, III e IV → portanto a alternativa é a letra E.
A banca tenta confundir o candidato ao afirmar que o colírio antibiótico não está indicado em queimadura química com agente de pH básico. Isso é uma inversão da conduta correta: a irrigação é a prioridade, mas o antibiótico também é parte do manejo, independentemente do pH. O candidato que associa "pH básico" a "não usar antibiótico" cai na armadilha. Lembre-se: a irrigação copiosa é sempre o primeiro passo, e o antibiótico é adjuvante para prevenir infecção.
Para questões de emergências oftalmológicas, memorize os quadros clássicos: OACR (perda visual súbita indolor), queimadura química (irrigação imediata), trauma penetrante (cirurgia em <6h se contaminado) e glaucoma agudo (manitol + acetazolamida). Esses são os temas mais cobrados e seguem um padrão previsível.
Gabarito: letra E
Link permanente: /questoes/qg163981