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Questão de Medicina — Neurologia — FUNDATEC 2024

MedicinaNeurologia
Código
qg163993
Banca
FUNDATEC
Órgão
GHC-RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Medicina de Emergência - UPA
Considerando os critérios brasileiros para definição de Morte Encefálica (ME), assinale a alternativa correta.
  1. AA abertura do protocolo de ME deve ser feita em todos pacientes em coma arresponsivo, excluindo aqueles que não preenchem critérios para doação de órgãos.
  2. BA angiografia cerebral de quatro vasos é o padrão-ouro tradicional entre os testes de fluxo sanguíneo cerebral para morte encefálica.
  3. CEm casos de lesão anatômica congênita ou adquirida em olhos ou ouvidos, o exame clínico não pode ser realizado.
  4. DO intervalo de horas para a realização de cada exame clínico não difere entre crianças e adultos.
  5. EPaciente com trauma medular cervical alto não tem contraindicação para realização do teste de apneia.
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GabaritoB — A angiografia cerebral de quatro vasos é o padrão-ouro tradicional entre os testes de fluxo sanguíneo cerebral para morte encefálica.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Morte Encefálica: critérios brasileiros e exames complementares

Gabarito: letra B. A angiografia cerebral de quatro vasos é, de fato, o padrão-ouro tradicional entre os testes de fluxo sanguíneo cerebral para o diagnóstico de morte encefálica, sendo a referência para comparação com novos métodos. As demais alternativas contêm erros conceituais ou de procedimento frente à resolução vigente do Conselho Federal de Medicina.

A morte encefálica (ME) é definida como a interrupção completa e irreversível das funções encefálicas, mesmo na presença de atividade cardíaca — é a definição legal de morte no Brasil. O diagnóstico segue rigorosamente a resolução do CFM, que contempla aspectos técnicos, regulamentares e jurídicos. O protocolo exige: coma arresponsivo, ausência de reflexos de tronco cerebral, teste de apneia positivo e um exame complementar que confirme a ausência de atividade encefálica (fluxo sanguíneo cerebral, atividade elétrica ou metabolismo cerebral).

Os exames complementares dividem-se em três categorias: avaliação de fluxo sanguíneo cerebral (Doppler transcraniano, arteriografia cerebral ou cintilografia radioisotópica), avaliação de atividade elétrica encefálica (eletroencefalograma) e avaliação de metabolismo cerebral (cintilografia). Cada método tem vantagens e desvantagens, e a escolha depende do contexto clínico. A arteriografia cerebral é descrita como "referência para comparação com novos testes", consolidando seu papel de padrão-ouro tradicional. A angiotomografia de crânio, por sua vez, não foi validada para esse fim no Brasil.

O exame clínico neurológico inclui a avaliação de reflexos como o oculocefálico ("olhos de boneca"), o vestibulococlear (prova calórica) e o de tosse. Em casos de lesão anatômica congênita ou adquirida unilateral de olhos ou ouvidos, o exame clínico pode ser realizado; a impossibilidade ocorre apenas quando a alteração é bilateral ou quando há lesão de coluna cervical suspeita ou confirmada. O intervalo entre os exames neurológicos varia conforme a faixa etária: de 7 dias a 2 meses, o intervalo mínimo é de 24 horas; de 2 meses a 2 anos, 12 horas; e maiores de 2 anos, 1 hora.

O teste de apneia é obrigatório e pode ser realizado uma única vez entre os dois exames clínicos. Seus pré-requisitos incluem temperatura corporal > 35°C, SatO2 > 94%, pressão arterial adequada para a idade e ausência de fatores que influenciem os movimentos respiratórios — como uso de sedativos e causas extraencefálicas para apneia, incluindo trauma medular cervical alto ou doenças neuromusculares. O teste é positivo quando não há movimentos respiratórios e a PaCO2 ultrapassa 55 mmHg.

A abertura do protocolo de ME não deve ser feita em todos os pacientes em coma arresponsivo indiscriminadamente; é necessário que o paciente preencha os critérios clínicos e que não haja fatores de exclusão, independentemente da intenção de doação de órgãos. A doação é uma consequência possível, mas não um pré-requisito para o diagnóstico.

Guarde a fronteira entre o que é permitido e o que é impedido no exame clínico, e entre o que é padrão-ouro e o que é alternativa: é exatamente nesses pares que as alternativas se dividem.

Critério

Arteriografia cerebral de 4 vasos

Doppler transcraniano

Cintilografia radioisotópica

Categoria

Fluxo sanguíneo cerebral

Fluxo sanguíneo cerebral

Fluxo sanguíneo cerebral

Padrão-ouro tradicional

Sim (referência para novos testes)

Não

Não

Invasividade

Invasiva (contraste iodado)

Não invasiva

Minimamente invasiva (radiofármaco)

Exige transporte do paciente

Sim

Não (pode ser à beira do leito)

Sim (para medicina nuclear)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a abertura do protocolo deve ser feita em todos os pacientes em coma arresponsivo, excluindo apenas aqueles que não preenchem critérios para doação. O erro está em condicionar o protocolo à doação de órgãos. O diagnóstico de ME é um procedimento médico obrigatório quando há suspeita clínica, independentemente da intenção de doar. A doação é uma etapa posterior, que só ocorre após o diagnóstico confirmado e com autorização familiar. Além disso, existem critérios de exclusão clínicos (como hipotermia, uso de sedativos, bloqueio neuromuscular, choque) que impedem a realização do protocolo naquele momento, mesmo que o paciente seja potencial doador.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A arteriografia cerebral de quatro vasos é o padrão-ouro tradicional entre os testes de fluxo sanguíneo cerebral. Ela é invasiva, exige transporte do paciente e uso de contraste iodado, mas serve como referência para validação de novos métodos. No contexto brasileiro, é um dos exames complementares aceitos para confirmar a ausência de fluxo sanguíneo cerebral, ao lado do Doppler transcraniano e da cintilografia radioisotópica.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que, em casos de lesão anatômica congênita ou adquirida em olhos ou ouvidos, o exame clínico não pode ser realizado. O erro está na generalização: a impossibilidade ocorre apenas quando a lesão é bilateral. Em lesões unilaterais, o exame clínico pode ser realizado normalmente. A resolução do CFM é explícita ao permitir o exame em alterações unilaterais e vedá-lo apenas nas bilaterais ou quando há lesão de coluna cervical suspeita ou confirmada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o intervalo de horas para a realização de cada exame clínico não difere entre crianças e adultos. O erro é direto: o intervalo varia conforme a faixa etária. Para pacientes de 7 dias a 2 meses, o intervalo mínimo é de 24 horas; de 2 meses a 2 anos, 12 horas; e maiores de 2 anos, 1 hora. Portanto, há diferença significativa entre crianças pequenas e adultos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que paciente com trauma medular cervical alto não tem contraindicação para o teste de apneia. O erro é a inversão: o trauma medular cervical alto é uma causa extraencefálica de apneia e, portanto, uma contraindicação para a realização do teste. Isso porque a apneia nesses pacientes pode ser decorrente da lesão medular, e não da ausência de função do tronco encefálico, invalidando o diagnóstico. O mesmo vale para doenças neuromusculares.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a inversão de sentido em duas alternativas: na C, troca "unilateral" por "bilateral" (o exame é permitido na unilateral e vedado na bilateral); na E, afirma que o trauma medular cervical alto não contraindica o teste de apneia, quando na verdade ele contraindica por ser causa extraencefálica de apneia. Fique atento a essas trocas de negação e de lateralidade — são as armadilhas clássicas deste tema.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar os intervalos entre exames clínicos, memorize a progressão: quanto menor a idade, maior o intervalo. Use a regra: 24h (7 dias–2 meses) → 12h (2 meses–2 anos) → 1h (>2 anos). E lembre: o teste de apneia é feito uma única vez, entre os dois exames clínicos, e exige PaCO2 > 55 mmHg para ser positivo.

Gabarito: letra B

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