Questão de Medicina — Otorrinolaringologia — FUNDATEC 2024
- Código
- qg164005
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- GHC-RS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico - Medicina de Emergência - UPA
- AApenas I.
- BApenas II.
- CApenas III.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoC — Apenas III.
Gabarito: letra C — apenas o item III está correto. A distância tireomentoniana curta é um fator preditor de dificuldade para o uso de dispositivos extraglóticos, conforme o mnemônico RODS. Mobilidade cervical e paciente longilíneo não são citados como dificuldades específicas para esses dispositivos, embora a mobilidade cervical limitada seja um preditor de via aérea difícil em geral.
Os dispositivos extraglóticos (como a máscara laríngea) são instrumentos utilizados para ventilar e oxigenar pacientes, especialmente em situações de resgate ventilatório, quando a intubação traqueal falha ou é contraindicada. Eles são chamados "extraglóticos" porque ficam posicionados acima da glote, sem atravessá-la, ao contrário do tubo traqueal. A inserção correta depende de uma anatomia favorável da via aérea superior, e certas características do paciente podem dificultar ou impossibilitar o selo adequado do dispositivo, comprometendo a ventilação.
O mnemônico RODS resume os principais fatores preditivos de dificuldade para o uso desses dispositivos:
R – Restriction (restrição): restrição de abertura oral e mobilidade cervical limitada.
O – Obstruction/Obesity (obstrução/obesidade): obstrução da via aérea ou obesidade.
D – Distorted airway (via aérea distorcida): alterações anatômicas que prejudicam o selo.
S – Short thyromental distance (distância tireomentoniana curta): dificulta o posicionamento da língua e a inserção do dispositivo.
A distância tireomentoniana é a medida entre a borda inferior do mento e a incisura tireóidea. Quando curta, indica uma via aérea anteriorizada, o que dificulta o alinhamento dos eixos oral, faríngeo e laríngeo, tornando a inserção do dispositivo extraglótico mais difícil. Estudos mostram que a distância tireomentoniana curta é o fator com maior probabilidade de dificuldade entre os quatro preditores.
A mobilidade cervical limitada também é um fator de dificuldade, mas ela aparece no mnemônico ROMAN (para via aérea difícil em geral) e no próprio RODS como parte da restrição. No entanto, a questão pergunta especificamente sobre "dificuldades para uso de dispositivos extraglóticos", e o item I afirma "mobilidade cervical" de forma genérica, sem especificar que é a limitação da mobilidade. A banca pode ter considerado que a mobilidade cervical, por si só, não é uma dificuldade — o que dificulta é a restrição da mobilidade. Além disso, o paciente longilíneo (alto e magro) não é um fator de dificuldade para dispositivos extraglóticos; na verdade, a obesidade é que é um fator, pois o excesso de tecido adiposo pode prejudicar o selo da máscara.
Portanto, apenas o item III (distância tireomentoniana curta) está correto, pois é um fator explicitamente listado no mnemônico RODS como preditor de dificuldade para dispositivos extraglóticos.
A mobilidade cervical, por si só, não é uma dificuldade para o uso de dispositivos extraglóticos. O que dificulta é a restrição da mobilidade cervical, que está incluída no mnemônico RODS como parte do fator "Restriction". A banca pode ter considerado que a simples mobilidade cervical (sem especificar que é limitada) não é um fator de dificuldade, pois a mobilidade normal não atrapalha. Além disso, a mobilidade cervical limitada é um preditor de via aérea difícil em geral, mas não é listada como um fator específico para dispositivos extraglóticos no mnemônico RODS.
O paciente longilíneo (alto e magro) não é um fator de dificuldade para dispositivos extraglóticos. O que é citado como fator é a obesidade (IMC > 26), que faz parte do mnemônico RODS no fator "Obstruction/Obesity". O excesso de tecido adiposo pode prejudicar o selo da máscara laríngea, dificultando a ventilação. O paciente longilíneo, ao contrário, tende a ter uma anatomia mais favorável, sem excesso de tecido que interfira no posicionamento do dispositivo.
A distância tireomentoniana curta é um fator preditivo de dificuldade para o uso de dispositivos extraglóticos, conforme o mnemônico RODS (S – Short thyromental distance). Quando a distância é curta, o posicionamento da língua e a inserção do dispositivo são dificultados, comprometendo o selo e a ventilação. Estudos mostram que esse é o fator com maior probabilidade de dificuldade entre os preditores.
A banca tenta confundir o candidato ao incluir "mobilidade cervical" como se fosse um fator de dificuldade para dispositivos extraglóticos. Na verdade, o que dificulta é a restrição da mobilidade cervical, e isso está dentro do mnemônico RODS como parte do fator "Restriction". Além disso, o paciente longilíneo é um distrator: o fator real é a obesidade, não o biotipo magro. Fique atento aos termos exatos dos mnemônicos!
Para memorizar os fatores de dificuldade para dispositivos extraglóticos, use o mnemônico RODS: Restriction, Obstruction/Obesity, Distorted airway, Short thyromental distance. Compare com o mnemônico ROMAN (para via aérea difícil em geral): Restriction, Obstruction/Obesity, Mask seal/Mallampati/Male, Age, No teeth. A diferença é que o RODS é específico para dispositivos extraglóticos, enquanto o ROMAN é para via aérea difícil como um todo.
Gabarito: letra C — apenas o item III está correto.
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