Questão de Português — Intertextualidade — FUNDATEC 2024
Português›Intertextualidade
Código
qg164183
Banca
FUNDATEC
Órgão
IF Sul - MG
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Professor de Ensino Básico, Técnico e Tecnológico: Letras
Analise os fragmentos de textos a seguir:“Minha terra tem palmeiras,Onde canta o Sabiá;As aves, que aqui gorjeiam,Não gorjeiam como lá.Nosso céu tem mais estrelas,Nossas várzeas têm mais flores,Nossos bosques têm mais vida,Nossa vida mais amores”.(Dias, Gonçalves. Canção do Exílio.)“Minha terra tem macieiras da Califórniaonde cantam gaturamos de Veneza.Os poetas da minha terrasão pretos que vivem em torres de ametista,os sargentos do exército são monistas, cubistas,os filósofos são polacos vendendo a prestações.A gente não pode dormircom os oradores e os pernilongos”.(Mendes, Murilo. Canção do Exílio.)A essa citação de um texto por outro, a esse diálogo entre textos, à luz do que ensinam Platão e Fiorin, denomina-se intertextualidade. Em relação aos dois textos, analise as assertivas que seguem, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.( ) O texto de Murilo Mendes é uma paródia, visto que inverte, contesta e deforma alguns dos sentidos do texto de Gonçalves Dias, polemizando com ele.( ) O texto de Murilo Mendes é uma paráfrase, visto que reafirma alguns dos sentidos do texto de Gonçalves Dias.( ) O texto de Murilo Mendes é uma mera cópia do texto de Gonçalves Dias, visto que apenas altera o vocabulário.A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
AV – V – V.
BF – F – V.
CV – F – F.
DV – F – V.
EF – V – F.
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GabaritoC — V – F – F.
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Intertextualidade: Paródia vs. Paráfrase
Gabarito: letra C (V – F – F).
A questão trata dos conceitos de intertextualidade, especificamente paródia e paráfrase. O texto de Murilo Mendes dialoga com o de Gonçalves Dias, mas de forma crítica e subversiva, caracterizando uma paródia, não uma paráfrase ou cópia.
Intertextualidade: Paráfrase (Reafirma o sentido original, Concorda com o texto-fonte); Paródia (Subverte o sentido original, Polemiza com o texto-fonte, Crítica ou ironia); Cópia (Reprodução literal, Sem transformação)
Análise das assertivas
1ª assertiva — ✅ Verdadeira
O texto de Murilo Mendes é uma paródia, visto que inverte, contesta e deforma alguns dos sentidos do texto de Gonçalves Dias, polemizando com ele.
Correta. Murilo Mendes utiliza a estrutura do poema original, mas substitui os elementos nostálgicos e ufanistas por imagens modernas e críticas ("macieiras da Califórnia", "gaturamos de Veneza", "pretos que vivem em torres de ametista"), invertendo o sentido e polemizando com o texto de origem. Isso é a essência da paródia.
2ª assertiva — ❌ Falsa
O texto de Murilo Mendes é uma paráfrase, visto que reafirma alguns dos sentidos do texto de Gonçalves Dias.
Falsa. A paráfrase mantém o sentido original, apenas reescrevendo-o com outras palavras. Murilo Mendes não reafirma os mesmos sentidos; ao contrário, ele os subverte. O texto parafrástico concordaria com o original, o que não ocorre aqui.
3ª assertiva — ❌ Falsa
O texto de Murilo Mendes é uma mera cópia do texto de Gonçalves Dias, visto que apenas altera o vocabulário.
Falsa. A alteração não é apenas vocabular; há mudança de tom, de contexto histórico e de crítica social. A estrutura do poema é aproveitada, mas o conteúdo é transformado intencionalmente para criar um novo significado, o que caracteriza a paródia, não a cópia.
Conclusão: A sequência correta é V – F – F, correspondente à alternativa C.
NÃO CAIA NESSA!
Confundir paródia com paráfrase. A banca testa se o candidato reconhece que a paródia polemiza e subverte, enquanto a paráfrase reforça. Como o texto de Murilo Mendes tem o mesmo título e estrutura, pode parecer paráfrase ou cópia, mas o conteúdo crítico denuncia a paródia.