Questão de Medicina — Envenenamentos e Acidentes — FUNDATEC 2024
- Código
- qg164746
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- IF-AP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico-Área (Medicina do Trabalho)
- AApenas I.
- BApenas III.
- CApenas I e II.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoE — I, II e III.
Gabarito: letra E — os itens I, II e III estão corretos. Todos descrevem achados clínicos que, isoladamente ou em conjunto, indicam gravidade e exigem mudança na rotina da equipe: rebaixamento do nível de consciência (especialmente com trauma cranioencefálico e idade avançada), alterações de sinais vitais (hipoxemia e enchimento capilar lentificado) e hipotensão com febre e suspeita de neutropenia. A base para essa classificação está na tabela de achados clínicos fundamentais para identificação de situações de emergência, que lista exatamente esses parâmetros.
A identificação precoce do paciente grave é o primeiro passo para uma abordagem eficaz em emergências. O raciocínio clínico parte de uma triagem que combina dados da história, exame físico e sinais vitais para reconhecer padrões de risco iminente. Não se trata de um único sinal isolado, mas de um conjunto de achados que, quando presentes, indicam que o paciente pode deteriorar rapidamente e precisa de intervenção imediata.
O rebaixamento do nível de consciência é um dos sinais mais importantes de gravidade, pois reflete disfunção do sistema nervoso central. Quando associado a trauma cranioencefálico, a avaliação pela escala de coma de Glasgow (ECG) é fundamental: qualquer escore menor que 15 já indica algum grau de comprometimento, e a idade superior a 65 anos é um fator de risco adicional, pois o cérebro envelhecido tem menor reserva funcional e maior propensão a complicações como hematomas. A queda de 2 ou mais pontos na ECG também é um critério de alerta, conforme a tabela de achados clínicos fundamentais.
As alterações dos sinais vitais são outro pilar da identificação de gravidade. A saturação arterial de oxigênio menor que 90% indica hipoxemia significativa, que compromete a oxigenação tecidual e pode levar a disfunção de múltiplos órgãos. O enchimento capilar maior que três segundos reflete má perfusão periférica, um sinal precoce de choque. Esses dois parâmetros, quando alterados, indicam que o paciente está em risco iminente e precisa de suporte imediato.
A pressão arterial sistólica menor que 90 mmHg define hipotensão, que é um marcador de instabilidade hemodinâmica. Quando associada a febre e suspeita de neutropenia, o quadro sugere fortemente sepse grave ou choque séptico em paciente imunocomprometido — uma emergência médica que exige antibioticoterapia e suporte hemodinâmico urgentes. A neutropenia (contagem de neutrófilos muito baixa) elimina a resposta inflamatória normal, então a febre pode ser o único sinal de infecção grave.
A tabela de achados clínicos fundamentais organiza esses sinais em duas categorias: os que indicam emergência (rebaixamento do nível de consciência, queda na ECG > 2 pontos, alterações importantes dos sinais vitais, FR > 36 ou < 8 ipm, SpO2 < 90%, FC > 130 ou < 40 bpm, PAS < 90 mmHg, enchimento capilar > 3 segundos) e os que indicam potencial emergencial (precordialgia, febre com suspeita de neutropenia, suspeita de obstrução de vias aéreas, alterações neurológicas agudas, intoxicações exógenas, hemorragias digestivas, dor intensa). Os três itens da questão se encaixam perfeitamente nesses critérios.
A pegadinha desta questão é que ela mistura critérios de emergência com critérios de potencial emergencial, e o candidato pode achar que apenas os itens com sinais "clássicos" de emergência (como hipotensão) estão corretos. No entanto, todos os itens descrevem situações que exigem atenção imediata e mudança na rotina da equipe, seja por serem emergências estabelecidas ou por serem potencialmente emergenciais. A banca testa exatamente a capacidade de reconhecer a amplitude dos critérios de gravidade.
Guarde o critério decisivo: um achado é relevante para identificar paciente grave se ele está na lista de emergências ou de potencial emergência — e todos os três itens estão. É essa fronteira que separa as alternativas.
Item | Achado clínico | Classificação na tabela | Situação descrita |
|---|---|---|---|
I | Rebaixamento do nível de consciência + TCE + Glasgow < 15 + idade > 65 anos | Emergência | Disfunção neurológica com fator de risco adicional |
II | SpO₂ < 90% + enchimento capilar > 3 segundos | Emergência | Hipoxemia e má perfusão periférica |
III | PAS < 90 mmHg + febre + suspeita de neutropenia | Emergência (hipotensão) + Potencial emergencial (febre com neutropenia) | Sepse grave ou choque séptico em imunocomprometido |
O rebaixamento do nível de consciência é um achado fundamental de emergência. A associação com trauma cranioencefálico, escore de Glasgow menor que 15 e idade superior a 65 anos reforça a gravidade: o Glasgow < 15 indica comprometimento neurológico, e a idade avançada é fator de risco para pior evolução. A tabela de achados clínicos fundamentais lista o rebaixamento do nível de consciência como critério de emergência, e a queda na ECG > 2 pontos também é citada. O item está correto.
As alterações dos sinais vitais são critérios clássicos de emergência. A saturação arterial de oxigênio menor que 90% indica hipoxemia grave, e o enchimento capilar maior que três segundos indica má perfusão periférica — ambos listados na tabela de achados clínicos fundamentais como critérios de emergência. O item está correto.
A pressão arterial sistólica menor que 90 mmHg é um critério de emergência (hipotensão). A associação com febre e suspeita de neutropenia configura um quadro de potencial emergencial — a febre com suspeita de neutropenia está explicitamente listada na tabela como achado potencialmente emergencial. A combinação de hipotensão (emergência) com febre e neutropenia (potencial emergência) indica sepse grave ou choque séptico, exigindo intervenção imediata. O item está correto.
Conclusão: os itens I, II e III estão corretos, portanto a alternativa correta é a letra E.
Gabarito: letra E
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