Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2024
- Código
- qg164756
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- IF-AP
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico-Área (Medicina do Trabalho)
- AApenas I.
- BApenas III.
- CApenas I e II.
- DApenas II e III.
- EI, II e III.
GabaritoD — Apenas II e III.
Gabarito: letra D (corretas II e III). A assertiva I está incorreta porque a obstrução vesical é a segunda causa mais comum de incontinência em homens idosos, não a mais comum — a causa mais comum em idosos é a incontinência de urgência. As assertivas II e III estão corretas: a incontinência transitória é precipitada por fatores remediáveis (como depressão, deficiência de estrogênio, imobilidade e infecção urinária), e a incontinência de estresse é a segunda causa mais comum em mulheres, sendo comum em multíparas com relaxamento do assoalho pélvico.
A incontinência urinária é definida como a perda involuntária de urina, um problema altamente prevalente em idosos — até 30% dos idosos não institucionalizados apresentam a condição, embora frequentemente não seja identificada ou relatada espontaneamente. A avaliação clínica deve distinguir, em primeiro lugar, se a incontinência é aguda (transitória) ou crônica (permanente), pois isso muda completamente a abordagem diagnóstica e terapêutica.
As causas agudas ou transitórias são precipitadas por fatores potencialmente remediáveis, e o mnemônico DIAPERS (do inglês) resume as principais: Delirium, Infecção urinária, Atrofia vaginal (deficiência de estrogênio), Produtos farmacêuticos (medicamentos), Excesso de produção de urina (por ICC ou hiperglicemia), Restrição de mobilidade e Stool impaction (impactação fecal). A assertiva II cita exatamente depressão, deficiência de estrogênio, imobilidade e infecção urinária — todos fatores reversíveis que, uma vez tratados, podem resolver a incontinência.
Já as causas crônicas ou permanentes são classificadas em quatro tipos principais, conforme o mecanismo fisiopatológico:
Tipo | Mecanismo | Característica clínica |
|---|---|---|
Urgência | Hiperatividade do detrusor | Vontade súbita e intensa de urinar, com perda antes de chegar ao banheiro |
Estresse (esforço) | Incompetência esfincteriana / fraqueza do assoalho pélvico | Perda de pequenos volumes com tosse, espirro, riso ou esforço |
Transbordamento (sobrefluxo) | Obstrução vesical ou detrusor hipoativo | Gotejamento constante, sem sensação de bexiga cheia |
Funcional | Causas externas ao trato urinário (mobilidade, cognição) | Incapacidade de chegar ao banheiro a tempo |
A incontinência de urgência é a causa mais comum em idosos, resultando de contrações involuntárias da bexiga que superam a inibição do sistema nervoso central. A obstrução vesical (frequentemente por hiperplasia prostática benigna) é a segunda causa mais comum em homens idosos, e a incontinência de estresse é a segunda causa mais comum em mulheres idosas, especialmente multíparas com relaxamento do assoalho pélvico. A incontinência por atividade insuficiente do detrusor é a causa menos frequente, correspondendo a 5–10% dos casos.
A pegadinha central desta questão está na assertiva I: a banca troca a posição da obstrução vesical (que é a segunda causa em homens) pela posição da incontinência de urgência (que é a causa mais comum em idosos). É uma inversão clássica de hierarquia de frequência. Guarde o mapa: urgência > obstrução (homens) / estresse (mulheres) > detrusor hipoativo.
A assertiva afirma que a obstrução vesical é a causa de incontinência mais comum em idosos. Isso está errado: a causa mais comum é a incontinência de urgência, por hiperatividade do detrusor. A obstrução vesical é a segunda causa mais comum em homens idosos, podendo decorrer de hiperplasia prostática benigna, câncer de próstata, estenose uretral ou contratura do colo vesical. A banca inverteu a hierarquia: trocou a primeira pela segunda causa.
A assertiva está correta. A incontinência transitória (aguda) é precipitada por fatores potencialmente remediáveis, e os exemplos citados — depressão, deficiência de estrogênio, imobilidade e infecção urinária — são exatamente os fatores reversíveis que devem ser investigados e tratados antes de se considerar a incontinência como permanente. O mnemônico DIAPERS resume essas causas agudas: delirium, infecção, vaginite atrófica (deficiência de estrogênio), produtos farmacêuticos, excesso de produção de urina, mobilidade restrita e impactação fecal.
A assertiva está correta. A incontinência de estresse é a segunda causa mais comum de incontinência em mulheres idosas, ocorrendo por insuficiência esfincteriana em evitar a saída de urina durante o enchimento vesical. É comum em multíparas que sofreram relaxamento do assoalho pélvico, e o diagnóstico é fortemente sugerido quando as perdas ocorrem em situações de aumento da pressão intra-abdominal, como tosse, espirro, riso ou esforço físico.
A banca adora inverter a hierarquia de frequência das causas de incontinência. Nesta questão, a assertiva I troca a incontinência de urgência (causa mais comum em idosos) pela obstrução vesical (segunda causa em homens). Memorize o ranking: 1º urgência, 2º obstrução (homens) / estresse (mulheres), 3º detrusor hipoativo. Com esse mapa, você enxerga a inversão de longe 💪
Gabarito: letra D — corretas apenas as assertivas II e III.
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