Questão de Biologia — Ecologia e ciências ambientais — FUNDATEC 2024
- Código
- qg165168
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- IF-SC
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor - Biologia
- Abásico
- Bfonte-sumidouro
- Cnulo
- Dde paisagem
- Ede compartimento
GabaritoD — de paisagem
Gabarito: letra D. O modelo de paisagem é a representação de metapopulações que considera explicitamente a estrutura espacial dos retalhos e da matriz circundante, incluindo diferenças na qualidade dos habitats e nos tipos de ambientes entre eles — exatamente o que o enunciado descreve. Os demais modelos (básico, fonte-sumidouro, nulo, de compartimento) não incorporam essa complexidade espacial da paisagem.
A ecologia de metapopulações estuda populações fragmentadas em manchas de habitat, conectadas pela dispersão de indivíduos. Os modelos variam conforme o grau de realismo espacial que incorporam. O modelo clássico (básico) de Levins assume manchas equivalentes e dispersão igualmente provável entre todas — ignora a localização e a qualidade dos fragmentos. Já o modelo de paisagem, também chamado de modelo espacialmente explícito, reconhece que a distância entre fragmentos, a qualidade de cada mancha e a natureza da matriz (o ambiente não-habitável que os separa) influenciam o movimento e a persistência das subpopulações.
A distinção central está no tratamento do espaço: modelos espacialmente implícitos (como o básico) tratam todos os fragmentos como igualmente conectados, enquanto modelos espacialmente explícitos (como o de paisagem) atribuem localização e características próprias a cada mancha e à matriz. É essa diferença que a questão explora: o enunciado fala em "movimento entre os retalhos influenciado pelos tipos de habitats entre eles" e em "diferenças na qualidade das manchas adequadas e na qualidade da matriz" — características que só o modelo de paisagem incorpora.
A pegadinha da banca está em confundir o modelo de paisagem com o modelo fonte-sumidouro. O modelo fonte-sumidouro (alternativa B) também considera diferenças de qualidade entre fragmentos, mas o faz de forma binária: fragmentos-fonte (onde a natalidade supera a mortalidade) e fragmentos-dreno (onde a mortalidade supera a natalidade, mantidos por imigração). Ele não incorpora a estrutura espacial da matriz nem os tipos de habitat entre os retalhos — é uma classificação funcional, não espacial. O modelo de paisagem vai além, integrando a heterogeneidade espacial completa.
O modelo básico (de Levins) é a representação mais simples de metapopulação: assume fragmentos idênticos, todos igualmente conectados entre si, sem considerar localização espacial, qualidade das manchas ou características da matriz. O enunciado descreve justamente o oposto — um modelo que incorpora diferenças espaciais e de qualidade. Portanto, não preenche a lacuna.
O modelo fonte-sumidouro classifica os fragmentos em fontes (produtores líquidos de indivíduos) e drenos (receptores líquidos, que dependem da imigração para persistir). Embora considere diferenças de qualidade entre manchas, ele não incorpora a influência dos tipos de habitat entre os retalhos nem a qualidade da matriz circundante — elementos centrais do enunciado. A banca usa essa alternativa para confundir quem conhece o conceito de fonte-sumidouro, mas não distingue os modelos espaciais.
O modelo nulo é uma construção teórica que assume ausência de efeitos espaciais ou de qualidade: todos os fragmentos são equivalentes e a dispersão é aleatória e igualmente provável entre todos. Serve como referência para comparar com modelos mais realistas, mas não corresponde à descrição do enunciado, que exige consideração explícita da paisagem.
O modelo de paisagem é a representação espacialmente explícita de metapopulações que considera a localização e a qualidade dos fragmentos, bem como a natureza da matriz circundante e dos habitats entre eles. O enunciado descreve precisamente esse modelo: "movimento entre os retalhos influenciado pelos tipos de habitats entre eles" e "diferenças tanto na qualidade das manchas adequadas quanto na qualidade da matriz circundante". É o modelo que integra a heterogeneidade espacial da paisagem na dinâmica metapopulacional.
O modelo de compartimento (ou modelo de compartimentos) é uma abordagem que divide a população ou o sistema em compartimentos homogêneos interconectados, geralmente usada em epidemiologia ou em dinâmica de populações estruturadas. Não é um modelo de metapopulação que considere a qualidade das manchas e da matriz — é uma ferramenta de modelagem genérica, não específica para a estrutura espacial de subpopulações.
A banca explora a confusão entre o modelo de paisagem e o modelo fonte-sumidouro. Ambos consideram diferenças de qualidade entre fragmentos, mas o fonte-sumidouro é uma classificação funcional binária (fonte vs. dreno), sem incorporar a estrutura espacial da matriz e dos habitats intermediários. O modelo de paisagem é o único que integra explicitamente a heterogeneidade espacial completa — leia o enunciado com atenção: "tipos de habitats entre eles" e "qualidade da matriz circundante" são as palavras-chave que apontam para a letra D. 💪
Para diferenciar os modelos de metapopulação na prova, foque no que cada um considera:
Básico (Levins): fragmentos idênticos, dispersão igual entre todos, sem espaço.
Fonte-sumidouro: fragmentos classificados como fonte ou dreno, sem estrutura espacial.
De paisagem: incorpora localização, qualidade das manchas e da matriz — o mais realista.
Nulo: assume ausência de efeitos espaciais, serve como referência.
De compartimento: divide o sistema em compartimentos homogêneos, não é específico de metapopulação.
Memorize essa tabela mental e identifique no enunciado qual elemento espacial está sendo descrito.
Gabarito: letra D
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