Questão de Biologia — Evolução biológica — FUNDATEC 2024
- Código
- qg165171
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- IF-SC
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Professor - Biologia
- ARecombinação gênica.
- BMutação.
- CDeriva genética.
- DSeleção natural.
- EEpigenética.
GabaritoC — Deriva genética.
Gabarito: letra C. A deriva genética é o fator evolutivo que altera a frequência dos alelos de forma aleatória e não necessariamente adaptativa, sendo mais intensa em populações pequenas — exatamente o que o enunciado descreve. Os demais mecanismos (mutação, recombinação, seleção natural e epigenética) não se encaixam nessa definição, como veremos a seguir.
A deriva genética (também chamada de deriva gênica ou oscilação genética) é um mecanismo microevolutivo que modifica aleatoriamente as frequências alélicas ao longo das gerações. Ela é um processo estocástico — ou seja, não é possível prever a direção da mudança na frequência de um alelo. Isso ocorre porque os alelos transmitidos à próxima geração são uma amostra aleatória dos alelos presentes na geração parental, sujeita a erros de amostragem. Em populações pequenas, esse efeito é amplificado: a perda de variação genética e a fixação de alelos (por acaso) acontecem mais rapidamente. A deriva pode atuar em momentos específicos, como no efeito fundador (quando poucos indivíduos colonizam uma nova área) e no efeito de gargalo (quando uma população sofre uma drástica redução numérica).
A banca explora a distinção entre os fatores evolutivos: enquanto a seleção natural é direcional e adaptativa (favorece características que aumentam a sobrevivência e a reprodução), a deriva genética é aleatória e não adaptativa — ela não "escolhe" os alelos mais vantajosos; apenas reflete o acaso. A mutação é a fonte primária de novos alelos, mas é um evento raro e não direcionado; a recombinação gênica (permutação) embaralha alelos já existentes durante a meiose, aumentando a variabilidade, mas não altera as frequências alélicas por si só; a epigenética envolve modificações na expressão gênica sem alterar a sequência de DNA. Nenhum desses mecanismos é descrito como "aleatório e não adaptativo, mais comum em populações pequenas" — essa é a assinatura da deriva genética.
A recombinação gênica (permutação ou crossing-over) ocorre durante a meiose e embaralha os alelos já presentes nos cromossomos homólogos, gerando novas combinações genotípicas. Ela aumenta a variabilidade genética, mas não altera as frequências alélicas da população — apenas reorganiza os alelos nos indivíduos. Além disso, não é um processo aleatório no sentido de mudar a frequência dos alelos, nem é mais comum em populações pequenas. O erro aqui é confundir "aumento de variabilidade" com "alteração aleatória de frequências alélicas".
A mutação é a fonte primária de novos alelos — alterações no DNA que podem gerar novas características hereditárias. Ela é um evento aleatório (não dirigido pela necessidade do organismo), mas é rara e, por si só, tem efeito muito pequeno sobre as frequências alélicas de uma população em uma geração. Além disso, a mutação não é "mais comum em populações pequenas" — ela ocorre em qualquer população, independentemente do tamanho. A pegadinha aqui é que a mutação também é aleatória, mas o enunciado fala de um mecanismo que altera as frequências de modo aleatório e não adaptativo, mais comum em populações pequenas — isso é deriva, não mutação.
A deriva genética é exatamente o mecanismo descrito: altera as frequências alélicas de forma aleatória (processo estocástico), não necessariamente adaptativa (pode fixar alelos neutros, deletérios ou vantajosos), e é mais intensa em populações pequenas — pois o erro de amostragem é maior quando o número de indivíduos é reduzido. É um dos mecanismos microevolutivos centrais da teoria sintética da evolução, ao lado da seleção natural, mutação, recombinação e fluxo gênico.
A seleção natural é o mecanismo evolutivo direcional e adaptativo: favorece a reprodução diferencial de indivíduos com características vantajosas, tornando essas características mais comuns na população ao longo das gerações. Ela não é aleatória — pelo contrário, é o oposto da deriva genética. Além disso, a seleção natural atua em populações de qualquer tamanho, não sendo "mais comum em populações pequenas". O erro aqui é inverter a natureza do processo: seleção natural é não aleatória e adaptativa; deriva é aleatória e não adaptativa.
A epigenética refere-se a modificações na expressão gênica que não alteram a sequência de DNA (como metilação do DNA e modificações de histonas). Essas modificações podem ser influenciadas por fatores ambientais e, em alguns casos, serem herdadas, mas não alteram as frequências alélicas da população — que é o que o enunciado descreve. Além disso, não é um mecanismo microevolutivo clássico de alteração de frequências alélicas, nem tem relação com o tamanho populacional. A pegadinha aqui é que a epigenética é um tema atual e pode confundir o candidato, mas ela não se encaixa na definição dada.
A banca explora a confusão entre mutação e deriva genética — ambos são aleatórios, mas a mutação é rara e não depende do tamanho populacional, enquanto a deriva é um processo de amostragem que se intensifica em populações pequenas. Outra armadilha é trocar a deriva pela seleção natural, que é o mecanismo adaptativo por excelência. Fique atento às palavras-chave: "aleatório" + "não adaptativo" + "populações pequenas" = deriva genética.
Para fixar, compare os mecanismos evolutivos em uma tabela:
Mecanismo | Efeito nas frequências alélicas | Aleatório? | Adaptativo? | Mais intenso em populações pequenas? |
|---|---|---|---|---|
Deriva genética | Altera (fixa ou elimina alelos) | Sim | Não | Sim |
Seleção natural | Altera (favorece alelos vantajosos) | Não | Sim | Não |
Mutação | Introduz novos alelos (efeito pequeno) | Sim | Não | Não |
Recombinação gênica | Não altera frequências (embaralha) | Não | Não | Não |
Fluxo gênico | Altera (entrada/saída de alelos) | Não | Não | Não |
Gabarito: letra C.
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