Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg166209
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Alegria - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um paciente apresenta sintomas como fadiga, fraqueza, dispneia aos esforços com elevação abrupta do pulso arterial, ictus acentuado do ventrículo esquerdo, desdobramento amplo de B2 e um sopro holossistólico alto. O ecocardiograma revela aumento do átrio esquerdo e ventrículo esquerdo hiperdinâmico. Qual seria a cardiopatia valvar mais provável?
AInsuficiência mitral.
BEstenose aórtica.
CEstenose tricúspide.
DInsuficiência aórtica.
EEstenose mitral.
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GabaritoA — Insuficiência mitral.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Valvopatias: diagnóstico diferencial pela semiologia
Gabarito: letra A. O quadro descrito — sopro holossistólico, desdobramento amplo de B2, ictus hiperdinâmico e átrio esquerdo aumentado com ventrículo esquerdo hiperdinâmico — é a assinatura clássica da insuficiência mitral crônica. O sopro holossistólico (que ocupa toda a sístole, de B1 a B2) é o achado auscultatório mais característico dessa valvopatia, e o eco confirmando átrio esquerdo aumentado fecha o diagnóstico. As demais valvopatias apresentam sopros em outra fase do ciclo cardíaco ou outros sinais semiológicos que as afastam.
A insuficiência mitral (IM) é a regurgitação de sangue do ventrículo esquerdo (VE) para o átrio esquerdo (AE) durante a sístole. Isso ocorre por falha de coaptação dos folhetos valvares, que pode ser por doença reumática, prolapso, disfunção de cordoalhas, endocardite ou dilatação do anel valvar. A consequência hemodinâmica é dupla: o sangue regurgitado sobrecarrega o AE (que dilata, acomodando o volume extra) e o VE precisa ejetar um volume maior (o que vai para a aorta + o que regurgita), gerando sobrecarga de volume. O VE responde com hipertrofia excêntrica e hipercontratilidade — daí o ictus hiperdinâmico e o VE hiperdinâmico no eco.
Na ausculta, o sopro da IM é holossistólico (ou pansistólico), ou seja, começa junto com B1 e se estende até B2, com timbre soprante, mais audível no ápice com a campânula, irradiando para a axila. O desdobramento amplo de B2 ocorre porque o VE ejeta mais rápido (tempo de ejeção encurtado), fazendo o componente aórtico (A2) ocorrer mais cedo, alargando o intervalo A2-P2. A primeira bulha costuma estar hipofonética. No eco, além do AE aumentado, vê-se o jato regurgitante ao Doppler colorido.
Para diferenciar das outras valvopatias, o ponto-chave é a fase do ciclo cardíaco em que o sopro ocorre e os sinais associados:
Valvopatia
Sopro
Outros achados-chave
Insuficiência mitral
Holossistólico (ápice, irradia p/ axila)
Ictus hiperdinâmico, B1 hipofonética, desdobramento amplo de B2, AE aumentado
Estenose aórtica
Sistólico de ejeção (crescente-decrescente)
Pulso parvus et tardus, ictus sustentado, B2 hipofonética, frêmito sistólico
Insuficiência aórtica
Diastólico aspirativo (decrescente)
Pulso em martelo d'água (Corrigan), pressão de pulso alargada, ictus hiperdinâmico e deslocado
Estenose mitral
Diastólico em ruflar (ápice)
Estalido de abertura, B1 hiperfonética, reforço pré-sistólico, FA frequente
Estenose tricúspide
Diastólico (foco tricúspide)
Ascite, edema, pulso jugular, sem sintomas de congestão pulmonar
A pegadinha da banca está em trocar o sopro holossistólico (IM) pelo sopro diastólico (IA e EM) ou pelo sopro sistólico de ejeção (EA). O candidato que decora apenas "sopro sistólico" sem especificar o tipo pode cair na estenose aórtica, mas o detalhe do eco (AE aumentado, VE hiperdinâmico) e o desdobramento amplo de B2 apontam inequivocamente para a IM.
Valvopatias
1Sopro sistólico
Holossistólico
Insuficiência mitral
Ejeção
Estenose aórtica
2Sopro diastólico
Aspirativo
Insuficiência aórtica
Ruflar
Estenose mitral
Estenose tricúspide
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A insuficiência mitral crônica é a única que reúne todos os achados: sopro holossistólico (regurgitação durante toda a sístole), desdobramento amplo de B2 (ejeção sistólica encurtada do VE), ictus hiperdinâmico (sobrecarga de volume), e eco com AE aumentado + VE hiperdinâmico (sobrecarga de volume biventricular esquerda). O sopro é mais bem audível no ápice, com irradiação para axila, e a B1 costuma estar hipofonética — tudo consistente com o quadro.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A estenose aórtica produz sopro sistólico de ejeção (crescente-decrescente, rude), não holossistólico. O pulso é parvus et tardus (fraco e tardio), não abrupto. O ictus é sustentado (hipertrofia concêntrica), não hiperdinâmico. O eco mostraria VE hipertrófico, não hiperdinâmico, e o AE não estaria aumentado em fases iniciais. O desdobramento amplo de B2 não é característico — na verdade, B2 costuma estar hipofonética ou com desdobramento paradoxal em casos graves.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A estenose tricúspide é uma valvopatia direita, rara e quase sempre associada a outras lesões. O sopro é diastólico (em ruflar, no foco tricúspide), não holossistólico. Os sintomas são de congestão direita: ascite, edema de membros inferiores, pulso jugular proeminente — não fadiga, dispneia aos esforços com VE hiperdinâmico. O eco mostraria átrio direito aumentado, não átrio esquerdo. Não há desdobramento amplo de B2 nem ictus hiperdinâmico do VE.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A insuficiência aórtica produz sopro diastólico aspirativo (decrescente), não holossistólico. O pulso é em martelo d'água (colapsante, com pressão de pulso alargada), que pode ser descrito como "abrupto", mas o sopro diastólico é o diferencial decisivo. O eco mostraria VE dilatado e hiperdinâmico, mas o AE não estaria aumentado primariamente (a regurgitação é aórtica → VE, não mitral → AE). O desdobramento amplo de B2 não é típico; na IA, B2 pode estar normal ou com desdobramento fisiológico.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A estenose mitral produz sopro diastólico em ruflar (no ápice), com estalido de abertura e B1 hiperfonética — não sopro holossistólico. O pulso é normal ou fino, não abrupto. O eco mostraria AE aumentado (clássico), mas o VE seria normal ou pequeno (a estenose impede o enchimento ventricular), nunca hiperdinâmico. O desdobramento amplo de B2 não é característico; na EM, B2 pode ter hiperfonese de P2 se houver hipertensão pulmonar, mas não desdobramento amplo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre sopro sistólico (IM e EA) e diastólico (IA e EM). O candidato que memoriza "sopro sistólico = estenose aórtica" erra, pois a IM também é sistólica, mas holossistólica (ocupa toda a sístole), enquanto a EA é de ejeção (mesossistólico, crescente-decrescente). O eco com AE aumentado + VE hiperdinâmico é a chave: na EA o VE é hipertrófico (concêntrico), na EM o VE é normal/pequeno, e na IA o AE não aumenta primariamente. Guarde: sopro holossistólico no ápice + AE aumentado = insuficiência mitral.
PEGA ESSA DICA!
Para diferenciar as valvopatias na prova, monte o raciocínio em 3 passos: (1) fase do sopro — sistólico (IM, EA) vs diastólico (IA, EM, ET); (2) tipo de sopro sistólico — holossistólico (IM) vs ejeção (EA); (3) eco — AE aumentado + VE hiperdinâmico (IM), VE hipertrófico (EA), VE normal/pequeno (EM), VE dilatado sem AE aumentado (IA). Esse fluxo resolve qualquer questão de valvopatia.
Gabarito: letra A — insuficiência mitral, pela tríade sopro holossistólico + desdobramento amplo de B2 + eco com AE aumentado e VE hiperdinâmico.