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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg166217
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Alegria - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Homem, 27 anos, apresenta-se no pronto atendimento com disfagia, dor cervical e contração sustentada dos músculos faciais. Está lúcido e sem febre. Ao exame físico, observa-se aumento do tônus dos músculos masseteres (trismo), rigidez dos músculos da parede abdominal e certa rigidez dos músculos dos membros inferiores. Como antecedentes de importância, refere que lesionou acidentalmente o pé direito com uma barra de ferro que gerou uma lesão grande há uma semana, porém tratou o ferimento em casa. Afirma desconhecer o seu estado imune e não sabe quando foi a sua última vacinação. Sobre o caso descrito, assinale a alternativa que indica mais corretamente o tipo de tétano e o tratamento a ser prescrito ao paciente.
  1. ALocal – vacinar o paciente e observá-lo por 7 dias.
  2. BLocal – administrar penicilina endovenosa por 10 dias e imunoglobulina antitetânica, para neutralizar a toxina livre, além de controlar espasmos musculares com benzodiazepínicos.
  3. CGeneralizado – administrar apenas imunoglobulina antitetânica, para neutralizar as toxinas livres, e vacinar o paciente, independentemente de quando tenha sido o último reforço da vacina antitetânica, além de controlar os espasmos com agentes bloqueadores neuromusculares.
  4. DGeneralizado – administrar penicilina endovenosa por 10 dias, juntamente com a imunoglobulina antitetânica, para neutralizar a toxina livre, além de controlar os espasmos musculares com benzodiazepínicos e imunizar o paciente, já que se desconhece o estado imunitário.
  5. EGeneralizado – administrar apenas penicilina endovenosa por 10 dias ou metronidazol e controlar os espasmos musculares com agentes bloqueadores neuromusculares.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Generalizado – administrar penicilina endovenosa por 10 dias, juntamente com a imunoglobulina antitetânica, para neutralizar a toxina livre, além de controlar os espasmos musculares com benzodiazepínicos e imunizar o paciente, já que se desconhece o estado imunitário.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tétano: classificação e tratamento

Gabarito: letra D. O paciente apresenta tétano generalizado (trismo, disfagia, rigidez abdominal e de membros inferiores, com paciente lúcido e sem febre), e o tratamento correto envolve quatro pilares: neutralizar a toxina livre com imunoglobulina antitetânica, erradicar o bacilo com antibiótico (penicilina ou metronidazol), controlar os espasmos com benzodiazepínicos e imunizar o paciente (vacina antitetânica), já que o estado imunitário é desconhecido. A alternativa D é a única que contempla todos esses elementos.

O tétano é uma doença infecciosa aguda, não contagiosa, causada pela exotoxina (tetanospasmina) do Clostridium tetani, um bacilo Gram-positivo, anaeróbio e esporulado, encontrado no solo e em objetos contaminados. A infecção ocorre pela penetração dos esporos em solução de continuidade da pele ou mucosas, e, em condições de anaerobiose (tecidos desvitalizados, corpos estranhos, isquemia), os esporos germinam em formas vegetativas que produzem a toxina. A tetanospasmina age no sistema nervoso, bloqueando a liberação de neurotransmissores inibitórios (GABA e glicina), o que leva à hiperexcitabilidade dos neurônios motores, resultando em rigidez muscular e espasmos. O paciente permanece lúcido, e a febre costuma ser baixa ou ausente — exatamente o quadro descrito no enunciado.

A classificação do tétano é fundamental para o manejo. O tétano generalizado é a forma mais comum, manifestando-se com trismo (espasmo dos masseteres), disfagia, rigidez da musculatura abdominal e dos membros, podendo evoluir para opistótono e insuficiência respiratória. O tétano localizado restringe-se à musculatura próxima ao ferimento, sem rigidez generalizada. O tétano cefálico envolve os nervos cranianos, e o neonatal ocorre em recém-nascidos, geralmente por contaminação do coto umbilical. No caso, a presença de trismo, disfagia, rigidez abdominal e de membros inferiores caracteriza a forma generalizada.

O tratamento do tétano tem quatro objetivos principais, e é neles que as alternativas se dividem:

  1. Neutralizar a toxina livre: administração de imunoglobulina antitetânica humana (IGAT), que não atravessa a barreira hematoencefálica, mas neutraliza a toxina circulante antes que ela se fixe nos terminais nervosos. Deve ser administrada o mais precocemente possível.

  2. Erradicar o bacilo: antibioticoterapia, sendo o metronidazol o fármaco de escolha, com a penicilina como opção alternativa. O tratamento dura cerca de 10 dias.

  3. Controlar os espasmos musculares: benzodiazepínicos (como diazepam) são a primeira linha, podendo ser associados a agentes bloqueadores neuromusculares em casos graves, especialmente quando há necessidade de intubação e ventilação mecânica.

  4. Imunizar o paciente: a doença não confere imunidade, portanto, todos os pacientes devem receber a vacina antitetânica (dT ou dTpa) após o episódio agudo, independentemente do histórico vacinal, pois a imunoglobulina fornece apenas proteção passiva temporária.

A pegadinha central desta questão está em omitir um dos pilares do tratamento ou em classificar erroneamente o tipo de tétano. A banca explora a confusão entre tétano localizado e generalizado, e entre as condutas de profilaxia (para ferimentos sem doença estabelecida) e o tratamento da doença já instalada. No tétano generalizado, a conduta é sempre o tratamento completo, nunca apenas observação ou vacinação isolada.

Guarde o esquema dos quatro pilares — neutralizar toxina, antibiótico, controle de espasmos e vacinação — e a distinção entre tétano localizado e generalizado: é exatamente nesses dois eixos que as alternativas se separam.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Classifica o caso como tétano local e propõe apenas vacinar e observar por 7 dias. O erro é duplo: o quadro clínico (trismo, disfagia, rigidez abdominal e de membros) é de tétano generalizado, e a conduta de "observação" é completamente inadequada para doença já estabelecida — trata-se de uma doença de alta letalidade que exige intervenção imediata. A vacinação isolada não neutraliza a toxina nem trata a infecção.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Também classifica como tétano local, o que contradiz o quadro generalizado. Embora mencione penicilina, imunoglobulina e benzodiazepínicos, a alternativa omite a vacinação do paciente, que é um pilar essencial do tratamento, pois a doença não confere imunidade. Além disso, a classificação incorreta compromete a conduta.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Classifica corretamente como tétano generalizado, mas o tratamento está incompleto: propõe apenas imunoglobulina e vacinação, omitindo a antibioticoterapia (penicilina ou metronidazol), essencial para erradicar o Clostridium tetani e impedir a produção contínua de toxina. O controle de espasmos com bloqueadores neuromusculares é mencionado, mas sem o antibiótico o tratamento fica inadequado.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta é a alternativa completa e correta. Classifica o caso como tétano generalizado e prescreve o tratamento nos quatro pilares: penicilina endovenosa por 10 dias (erradica o bacilo), imunoglobulina antitetânica (neutraliza a toxina livre), benzodiazepínicos (controlam os espasmos musculares) e imunização do paciente (já que o estado imunitário é desconhecido e a doença não confere imunidade). Todos os elementos do tratamento estão presentes e corretamente indicados.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Classifica corretamente como tétano generalizado e menciona penicilina ou metronidazol, mas omite a imunoglobulina antitetânica (essencial para neutralizar a toxina livre) e a vacinação do paciente. Além disso, propõe apenas bloqueadores neuromusculares para controle de espasmos, sem citar os benzodiazepínicos, que são a primeira linha. O tratamento está, portanto, incompleto.

Gabarito: letra D — a única que reúne todos os pilares do tratamento do tétano generalizado: antibiótico, imunoglobulina, controle de espasmos e vacinação.

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