Questão de Nutrição — Dietoterapia — FUNDATEC 2024
Nutrição›Dietoterapia
Código
qg167290
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Augusto Pestana - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Nutricionista
A doença celíaca é uma condição clínica crônica do intestino delgado de caráter autoimune em que o indivíduo geneticamente predisposto não tolera a exposição ao glúten. Uma vez que afeta um órgão do sistema gastrointestinal, algumas deficiências podem ser observadas nesses pacientes devido à má absorção. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Celíaca do Ministério da Saúde, são exemplos de micronutrientes em deficiência que devem ser diagnosticados e tratados:
AZinco, cobre, vitamina A e vitamina D.
BFerro, ácido fólico, vitamina B12 e cálcio.
CVitamina C, ferro, vitamina B1 e selênio.
DMagnésio, vitamina E, cloro e sódio.
EPotássio, vitamina C, vitamina D e cálcio.
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GabaritoB — Ferro, ácido fólico, vitamina B12 e cálcio.
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Doença celíaca e deficiências de micronutrientes
Gabarito: letra B. Na doença celíaca, a lesão da mucosa do intestino delgado compromete a absorção de nutrientes, levando a deficiências características de ferro, ácido fólico, vitamina B12 e cálcio — exatamente o que a alternativa B elenca. Essa é a tríade clássica de carências observada nesses pacientes, conforme o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Celíaca do Ministério da Saúde.
A doença celíaca é uma enteropatia autoimune desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos (associada aos HLA-DQ2 e HLA-DQ8). O glúten, presente no trigo, na cevada e no centeio, provoca uma resposta imunológica que lesa as vilosidades do intestino delgado, principalmente no duodeno e jejuno proximal. Essa lesão reduz a superfície de absorção e leva à má absorção de diversos nutrientes.
A atrofia vilositária compromete de forma mais acentuada a absorção de nutrientes que dependem de mecanismos específicos no duodeno e jejuno proximal. O ferro é absorvido principalmente no duodeno, e sua deficiência é uma das manifestações mais comuns e precoces da doença celíaca, podendo ser a única apresentação clínica (anemia ferropriva isolada). O ácido fólico também é absorvido no jejuno proximal, e sua deficiência é frequente. A vitamina B12, embora absorvida no íleo terminal, pode estar deficiente em casos de doença extensa ou por comprometimento do receptor do fator intrínseco. O cálcio é absorvido no duodeno e jejuno proximal, e sua deficiência está associada à má absorção de vitamina D e à osteoporose, complicação comum da doença celíaca não tratada.
É importante destacar que a deficiência de ferro e ácido fólico pode levar à anemia, enquanto a deficiência de cálcio e vitamina D contribui para a redução da densidade mineral óssea. O diagnóstico e o tratamento dessas deficiências são parte essencial do manejo da doença celíaca, mesmo após a instituição da dieta sem glúten, que é o tratamento de base.
A banca explora o conhecimento das deficiências nutricionais específicas da doença celíaca, diferenciando-as de outras condições. A alternativa correta é a que reúne os micronutrientes mais classicamente associados à má absorção na doença celíaca. As demais alternativas incluem nutrientes que não são as deficiências mais características ou que não estão diretamente relacionados à fisiopatologia da doença.
Embora zinco, cobre, vitamina A e vitamina D possam estar deficientes em alguns pacientes com doença celíaca, não são as deficiências mais características e classicamente descritas no Protocolo Clínico. A alternativa mistura nutrientes que podem estar envolvidos, mas não representa o conjunto típico de deficiências que devem ser diagnosticadas e tratadas de forma prioritária.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Ferro, ácido fólico, vitamina B12 e cálcio são exatamente os micronutrientes cuja deficiência é mais frequentemente observada na doença celíaca, devido à má absorção no intestino delgado. Essas deficiências são reconhecidas pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Celíaca do Ministério da Saúde como as que devem ser diagnosticadas e tratadas.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Vitamina C, ferro, vitamina B1 e selênio não representam o conjunto de deficiências mais características da doença celíaca. Embora o ferro seja uma deficiência comum, a vitamina C, a tiamina (B1) e o selênio não são as carências classicamente associadas à má absorção nessa condição.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Magnésio, vitamina E, cloro e sódio não são as deficiências típicas da doença celíaca. O cloro e o sódio são eletrólitos cuja depleção não é uma característica central da má absorção na doença celíaca, e a vitamina E e o magnésio, embora possam estar alterados em casos graves, não são as deficiências prioritárias descritas no protocolo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Potássio, vitamina C, vitamina D e cálcio não formam o conjunto de deficiências mais características. Embora o cálcio e a vitamina D possam estar deficientes, o potássio e a vitamina C não são as carências classicamente associadas à doença celíaca. A alternativa mistura nutrientes que podem estar envolvidos em outras condições, mas não representa o perfil típico da doença celíaca.