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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg169600
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Coronel Bicaco - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um homem de 29 anos apresenta quatro dias de fraqueza progressiva bilateral nos membros inferiores e disestesia. O paciente nega histórico de trauma, mas afirma que ficou em casa e não trabalhou na semana anterior por causa de febre associada à diarreia. O exame neurológico demonstra ausência de reflexos nas extremidades inferiores, sem déficits de nervos cranianos. Qual seria a melhor terapia para a condição desse paciente?
  1. APlasmaférese e imunoglobulina.
  2. BGlicocorticoides.
  3. CParacetamol.
  4. DRadioterapia.
  5. ERepouso e elevação de membros inferiores.
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GabaritoA — Plasmaférese e imunoglobulina.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Guillain-Barré: diagnóstico e tratamento

Gabarito: letra A. O quadro clínico — fraqueza progressiva bilateral ascendente, disestesia, arreflexia e antecedente de infecção gastrointestinal — é clássico da Síndrome de Guillain-Barré (SGB), uma polirradiculoneuropatia aguda autoimune. O tratamento de primeira linha consiste em plasmaférese ou imunoglobulina intravenosa, ambas com eficácia equivalente, sendo a imunoglobulina a opção mais utilizada na prática. Glicocorticoides não têm papel no tratamento da SGB e podem até ser prejudiciais.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma neuropatia periférica aguda, geralmente desencadeada por uma infecção prévia (viral ou bacteriana, como Campylobacter jejuni, citomegalovírus, Epstein-Barr, entre outros). O mecanismo é autoimune: anticorpos produzidos contra o agente infeccioso reagem de forma cruzada com componentes da bainha de mielina ou do axônio dos nervos periféricos, levando à desmielinização ou lesão axonal. Clinicamente, manifesta-se como fraqueza muscular progressiva, geralmente ascendente, simétrica, com hiporreflexia ou arreflexia, e pode haver alterações sensitivas como disestesias e parestesias. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de Brighton, e pode ser complementado por análise do líquido cefalorraquidiano (dissociação albumino-citológica: aumento de proteínas com celularidade normal) e eletroneuromiografia.

O tratamento da SGB tem dois pilares: terapias modificadoras da doença e medidas de suporte. As terapias modificadoras são a plasmaférese (troca plasmática) e a imunoglobulina intravenosa (IGIV). Ambas atuam modulando a resposta imune, removendo ou neutralizando os anticorpos patogênicos. A IGIV é geralmente preferida por ser mais acessível e ter menos complicações, mas a plasmaférese é igualmente eficaz. O tratamento deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras duas semanas de sintomas, para acelerar a recuperação e reduzir a morbidade. O suporte inclui monitorização respiratória (risco de insuficiência respiratória por fraqueza diafragmática), fisioterapia, prevenção de trombose venosa profunda e suporte nutricional.

A principal pegadinha desta questão é a tentação de usar glicocorticoides, que são amplamente utilizados em outras doenças autoimunes e inflamatórias. No entanto, na SGB, os corticosteroides são ineficazes e não são recomendados, pois não alteram o curso da doença e podem aumentar o risco de complicações. Outra armadilha é confundir a SGB com outras causas de fraqueza aguda, como mielite transversa, miastenia gravis ou botulismo, mas o padrão ascendente, a arreflexia e o antecedente infeccioso apontam fortemente para a SGB.

Guarde a distinção central: SGB → imunoterapia (IGIV ou plasmaférese), enquanto glicocorticoides → reservados para outras condições autoimunes, como esclerose múltipla ou vasculites. É exatamente essa fronteira que separa a alternativa correta das demais.

1Quadro clínico
Fraqueza ascendente e simétrica
Arreflexia
Disestesias
Antecedente infeccioso
2Mecanismo
Autoimune pós-infeccioso
Anticorpos contra mielina/axônio
3Tratamento
Imunoglobulina IV
Plasmaférese
Glicocorticoides (ineficazes)
Suporte (ventilação, fisioterapia)
Síndrome de Guillain-Barré
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome de Guillain-Barré: Quadro clínico (Fraqueza ascendente e simétrica, Arreflexia, Disestesias, Antecedente infeccioso); Mecanismo (Autoimune pós-infeccioso, Anticorpos contra mielina/axônio); Tratamento (Imunoglobulina IV, Plasmaférese, Glicocorticoides (ineficazes), Suporte (ventilação, fisioterapia))

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A plasmaférese e a imunoglobulina intravenosa são as terapias modificadoras da doença de primeira linha para a Síndrome de Guillain-Barré. Ambas têm eficácia comprovada em acelerar a recuperação e reduzir a gravidade do quadro, sendo a imunoglobulina a opção mais utilizada na prática clínica. O mecanismo envolve a modulação da resposta autoimune, removendo ou neutralizando os anticorpos que atacam os nervos periféricos.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os glicocorticoides (corticosteroides) são ineficazes no tratamento da Síndrome de Guillain-Barré. Diferentemente de outras doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, o uso de corticosteroides na SGB não demonstrou benefício e pode até ser prejudicial, aumentando o risco de complicações. A banca explora a associação automática entre "doença autoimune" e "corticoide", mas a SGB é uma exceção importante.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O paracetamol é um analgésico e antipirético, útil apenas para o controle sintomático de dor ou febre, mas não trata a causa da doença. Na SGB, o manejo da dor neuropática pode ser feito com outros medicamentos (como gabapentina ou amitriptilina), mas o paracetamol isolado não é a terapia principal e não modifica o curso da doença.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A radioterapia não tem indicação no tratamento da Síndrome de Guillain-Barré. Ela é utilizada no tratamento de neoplasias, e não há qualquer evidência de benefício em neuropatias periféricas autoimunes. A fraqueza na SGB é de origem imunológica, não neoplásica, portanto a radioterapia é completamente inadequada.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Repouso e elevação de membros inferiores são medidas de suporte que podem ajudar no conforto e na prevenção de edema, mas não constituem terapia modificadora da doença. Na SGB, o repouso absoluto pode até ser prejudicial, aumentando o risco de complicações como trombose venosa profunda e fraqueza muscular adicional. O tratamento exige imunoterapia específica, além de suporte multidisciplinar.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta induzir o candidato a escolher glicocorticoides (alternativa B), associando erroneamente "doença autoimune" a "corticoide". Na SGB, os corticosteroides são ineficazes e não são recomendados — o tratamento correto é com imunoglobulina ou plasmaférese. Lembre-se: SGB é a exceção clássica em que corticoide não funciona!

PEGA ESSA DICA!

Para questões de fraqueza aguda ascendente com arreflexia e antecedente infeccioso, pense em Síndrome de Guillain-Barré e lembre-se do tratamento: imunoglobulina intravenosa ou plasmaférese. Glicocorticoides são distratores clássicos. Memorize o par: SGB → IGIV/plasmaférese; outras doenças autoimunes → corticoide.

Gabarito: letra A

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