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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg170009
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Criciúma - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialista - Pediatra
Quanto à crise convulsiva febril simples, analise as assertivas a seguir:I. É definida por crise epiléptica que ocorre em associação à febre, sem sinais de infecção intracranianas.II. O tratamento profilático previne a sua recorrência, porém não altera o risco de epilepsia.III. Uma vez cessada a crise, torna-se desnecessário investigar a causa da febre.Quais estão corretas?
  1. AApenas I.
  2. BApenas II.
  3. CApenas III.
  4. DApenas I e II.
  5. EApenas II e III.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — Apenas I e II.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Crise convulsiva febril simples: definição, profilaxia e investigação

Gabarito: letra D — estão corretas apenas as assertivas I e II. A crise febril simples é definida como crise epiléptica associada à febre, sem infecção intracraniana (I correta); o tratamento profilático previne recorrências, mas não altera o risco de epilepsia (II correta); e, uma vez cessada a crise, a investigação da causa da febre permanece necessária (III incorreta). A fundamentação está nos critérios clínicos clássicos de crise febril simples e na conduta recomendada pelas diretrizes de pediatria.

A crise febril é o transtorno convulsivo mais comum da infância, afetando de 2% a 5% das crianças. Para ser classificada como simples, a crise deve ser generalizada (tônico-clônica), breve (duração inferior a 15 minutos), não recorrente dentro de 24 horas, ocorrer em criança entre 6 meses e 5 anos, sem déficits neurológicos prévios e sem história de crises afebris. O elemento central é que a febre é o único agente provocador agudo — ou seja, não há doença aguda do sistema nervoso central, como meningite ou encefalite, causando a crise. É exatamente esse critério que a assertiva I captura ao exigir a ausência de sinais de infecção intracraniana.

A assertiva II aborda a profilaxia. Estudos e meta-análises demonstram que a administração contínua de fenobarbital e ácido valproico é eficaz na prevenção da recorrência de crises febris simples. Contudo, o risco de epilepsia em pacientes com crise febril simples é estimado em cerca de 1% a 1,5%, apenas um pouco maior que o da população geral (aproximadamente 0,5%). Como a profilaxia não reduz esse risco de epilepsia — ela apenas evita novas crises — e os efeitos adversos dos fármacos antiepilépticos podem superar os benefícios, o tratamento profilático de longo prazo não é recomendado de rotina. A assertiva II está correta ao afirmar que a profilaxia previne a recorrência, mas não altera o risco de epilepsia.

A assertiva III é a incorreta. Uma vez cessada a crise, a investigação da causa da febre permanece indispensável. A febre é o gatilho da crise, mas sua etiologia precisa ser identificada — pode ser uma infecção de vias aéreas superiores, uma otite, uma pneumonia ou, em casos específicos, uma infecção do sistema nervoso central. Embora exames laboratoriais de rotina, EEG e neuroimagem não sejam recomendados na crise febril simples, a avaliação clínica para determinar o foco febril é obrigatória. A punção lombar, por exemplo, é indicada na presença de sinais meníngeos, em pacientes em uso de antibióticos nos dias que antecederam a crise e em crianças com menos de 18 meses com sinais de deterioração clínica. Portanto, a investigação da febre nunca é dispensável.

A pegadinha da banca está em inverter a lógica da assertiva III: o candidato pode pensar que, como a crise já cessou e o prognóstico é benigno, não há mais o que investigar. Na prática, a causa da febre deve ser sempre investigada, pois é ela que define o tratamento da doença de base. Guarde essa distinção: crise febril simples não exige investigação neurológica de rotina, mas exige investigação da causa da febre — é exatamente nessa fronteira que as assertivas se separam.

Assertiva

Afirmação

Veredito

I

Crise epiléptica associada à febre, sem infecção intracraniana

✅ Correta

II

Profilaxia previne recorrência, mas não altera risco de epilepsia

✅ Correta

III

Cessada a crise, é desnecessário investigar a causa da febre

❌ Incorreta

1Definição
Crise + febre
Sem infecção intracraniana
6 meses a 5 anos
2Profilaxia
Fenobarbital/valproato
Previne recorrência
Não altera risco de epilepsia
3Investigação
Causa da febre sempre
Sem exames neurológicos de rotina
Crise febril simples
LEVELsoulevel.com.br
Crise febril simples: Definição (Crise + febre, Sem infecção intracraniana, 6 meses a 5 anos); Profilaxia (Fenobarbital/valproato, Previne recorrência, Não altera risco de epilepsia); Investigação (Causa da febre sempre, Sem exames neurológicos de rotina)

Item I — ✅ Correto

A definição está correta. A crise febril simples é uma crise epiléptica que ocorre em associação à febre, sem sinais de infecção intracraniana. O critério de exclusão de doença aguda do sistema nervoso central é parte essencial da definição, distinguindo a crise febril de crises sintomáticas agudas causadas por meningite ou encefalite.

Item II — ✅ Correto

A assertiva está correta. O tratamento profilático (fenobarbital, ácido valproico ou diazepam intermitente) previne a recorrência de crises febris, mas não altera o risco de epilepsia. O risco de epilepsia após crise febril simples é baixo (cerca de 1% a 1,5%), semelhante ao da população geral, e a profilaxia não modifica esse desfecho.

Item III — ❌ Incorreto

A assertiva está incorreta. Uma vez cessada a crise, a investigação da causa da febre permanece necessária. A febre é o gatilho da crise, e sua etiologia deve ser identificada para tratamento adequado. A conduta correta é investigar o foco febril, mesmo que exames neurológicos de rotina não sejam indicados na crise febril simples.

Conclusão: corretas apenas as assertivas I e II → gabarito: letra D.

Gabarito: letra D

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