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Questão de Medicina — Pneumologia — FUNDATEC 2024

MedicinaPneumologia
Código
qg170028
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Criciúma - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Especialista - Pneumologista
Sobre a Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI), assinale a alternativa correta.
  1. AO tratamento com antifibróticos é reservado para pacientes com doença avançada (CVF <50% do previsto).
  2. BO tratamento empírico para refluxo gastroesofágico assintomático deve ser instituído para todos os pacientes com FPI.
  3. CO diagnóstico definitivo é realizado apenas através da biópsia pulmonar a céu aberto ou criobiópsia.
  4. DApresenta bom prognóstico quando comparada a outras doenças intersticiais.
  5. ENintedanibe não deve ser utilizado em pacientes com comprometimento hepático grave Child-Pugh C.
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GabaritoE — Nintedanibe não deve ser utilizado em pacientes com comprometimento hepático grave Child-Pugh C.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI): diagnóstico, tratamento e prognóstico

Gabarito: letra E. O nintedanibe é contraindicado em pacientes com insuficiência hepática grave (Child-Pugh C), pois seu metabolismo é predominantemente hepático e a exposição ao fármaco aumenta significativamente nessa condição, elevando o risco de toxicidade. As demais alternativas distorcem aspectos centrais da FPI: o tratamento antifibrótico não é reservado apenas para doença avançada, o tratamento empírico do refluxo assintomático não é recomendado para todos, o diagnóstico definitivo não depende exclusivamente de biópsia cirúrgica, e a FPI tem prognóstico ruim, não bom.

A Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) é a mais comum das pneumonias intersticiais idiopáticas (PIIs), definida como uma forma específica de pneumonia intersticial fibrosante crônica e progressiva, de causa desconhecida, que ocorre principalmente em adultos mais velhos e está associada ao padrão histopatológico e/ou radiológico de pneumonia intersticial usual (PIU). É uma doença limitada aos pulmões, sem causa identificável, e integra o grupo das DPIs idiopáticas. O diagnóstico é um processo integrado que combina anamnese detalhada, exame físico, imagem (TCAR) e, em casos selecionados, dados histológicos — não depende de um único método. Na TCAR, o padrão de PIU (faveolamento, reticulação periférica e basal) pode ser diagnóstico por si só, dispensando a biópsia em muitos casos.

O tratamento da FPI mudou radicalmente com o advento dos antifibróticos — nintedanibe e pirfenidona — que retardam a progressão da doença, mas não a curam. Esses fármacos são indicados para pacientes com FPI, independentemente da gravidade da restrição ventilatória, desde que haja doença progressiva ou mesmo estável, conforme critérios de elegibilidade. Não há justificativa para reservá-los apenas para doença avançada (CVF < 50% do previsto); pelo contrário, o benefício é maior quando iniciados precocemente. O transplante pulmonar permanece a única opção com potencial de sobrevida prolongada para muitos pacientes.

O prognóstico da FPI é historicamente ruim: a sobrevida mediana é de 2 a 3 anos a partir do diagnóstico, com progressão variável e risco de exacerbações agudas, que cursam com mortalidade de 50% a 90%. Isso contrasta com outras PIIs, como a pneumonia intersticial não específica (PINE), que tem prognóstico muito melhor (sobrevida em 5 anos superior a 82%) e pode responder a imunossupressores. A FPI, portanto, não apresenta bom prognóstico quando comparada a outras doenças intersticiais.

A relação entre refluxo gastroesofágico (DRGE) e FPI é reconhecida — a microaspiração recorrente pode contribuir para a lesão pulmonar —, mas o tratamento empírico do refluxo assintomático não é recomendado para todos os pacientes. As diretrizes atuais não endossam o uso rotineiro de inibidores da bomba de prótons (IBP) em todos os casos de FPI, pois faltam evidências de benefício clínico; a abordagem é individualizada, reservada para pacientes com sintomas ou diagnóstico confirmado de DRGE.

O nintedanibe é um inibidor de tirosina quinase que atua sobre receptores de fatores de crescimento (VEGFR, FGFR, PDGFR), reduzindo a fibrogênese. Seu metabolismo é hepático (esterases e glucuronidação), e a exposição ao fármaco aumenta em pacientes com insuficiência hepática. Por isso, a bula e as diretrizes contraindicam seu uso em insuficiência hepática grave (Child-Pugh C). Em pacientes com disfunção hepática leve a moderada (Child-Pugh A e B), a dose deve ser ajustada ou o fármaco usado com cautela. Essa é a alternativa correta, pois reflete uma contraindicação absoluta e específica.

A pegadinha central desta questão é a tentativa de fazer o candidato acreditar que o diagnóstico definitivo da FPI exige biópsia pulmonar cirúrgica (a céu aberto ou criobiópsia). Na prática, o diagnóstico pode ser firmado com alta confiança pela TCAR quando há padrão de PIU definitivo em contexto clínico compatível, sem necessidade de confirmação histológica. A biópsia é reservada para casos em que a TCAR não é diagnóstica ou há suspeita de outro diagnóstico. Além disso, a alternativa A inverte a lógica do tratamento: os antifibróticos são indicados justamente para retardar a progressão em fases mais precoces, não apenas na doença avançada.

Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI)
  • 1Diagnóstico
    • TCAR com padrão PIU
      • Dispensa biópsia
    • Biópsia (casos selecionados)
      • TCAR não diagnóstica
  • 2Tratamento
    • Antifibróticos (nintedanibe, pirfenidona)
      • Independente do estágio
      • Contraindicado em Child-Pugh C
    • Transplante pulmonar
      • Única opção de sobrevida prolongada
    • Refluxo (DRGE)
      • Sem tratamento empírico universal
  • 3Prognóstico
    • Ruim (sobrevida 2–3 anos)
    • Exacerbações agudas (mortalidade 50–90%)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento com antifibróticos é reservado para pacientes com doença avançada (CVF < 50% do previsto). Isso é falso: os antifibróticos (nintedanibe e pirfenidona) são indicados para pacientes com FPI independentemente do estágio da doença, desde que atendam aos critérios de elegibilidade (diagnóstico de FPI, geralmente com CVF entre 50% e 90% do previsto nos ensaios clínicos, mas não limitado a isso). O objetivo é retardar a progressão, e o benefício é maior quando o tratamento é iniciado precocemente, antes da perda funcional avançada. A alternativa inverte a lógica terapêutica.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o tratamento empírico para refluxo gastroesofágico assintomático deve ser instituído para todos os pacientes com FPI. Isso não é recomendado pelas diretrizes atuais. Embora a DRGE seja um fator de risco e possa contribuir para a lesão pulmonar, não há evidência robusta de que o tratamento empírico com IBP em pacientes assintomáticos melhore desfechos clínicos (progressão, exacerbações ou mortalidade). A abordagem é individualizada: trata-se o refluxo quando há sintomas ou diagnóstico confirmado, não de forma universal.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o diagnóstico definitivo é realizado apenas através da biópsia pulmonar a céu aberto ou criobiópsia. Isso é falso. O diagnóstico de FPI pode ser estabelecido pela TCAR quando há padrão de PIU definitivo (faveolamento, reticulação periférica e basal, ausência de achados atípicos) em contexto clínico compatível, sem necessidade de biópsia. A biópsia (cirúrgica ou criobiópsia) é indicada apenas quando a TCAR não é diagnóstica ou há suspeita de diagnóstico alternativo. Portanto, a biópsia não é o único método, e a palavra "apenas" torna a alternativa incorreta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que a FPI apresenta bom prognóstico quando comparada a outras doenças intersticiais. Isso é falso. A FPI tem prognóstico ruim: sobrevida mediana de 2 a 3 anos, progressão inexorável e alta mortalidade em exacerbações agudas (50% a 90%). Comparada a outras PIIs, como a PINE (sobrevida em 5 anos > 82%), a FPI é claramente pior. A alternativa inverte a realidade prognóstica.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que o nintedanibe não deve ser utilizado em pacientes com comprometimento hepático grave Child-Pugh C. Isso está correto. O nintedanibe é contraindicado em insuficiência hepática grave (Child-Pugh C) devido ao aumento da exposição sistêmica e ao risco de toxicidade (elevação de transaminases, lesão hepática). Em pacientes com disfunção hepática leve a moderada (Child-Pugh A e B), a dose deve ser reduzida ou o fármaco usado com cautela. Essa contraindicação é específica e bem estabelecida, tornando a alternativa correta.

Gabarito: letra E — a única afirmação correta sobre a FPI é a contraindicação do nintedanibe em hepatopatia grave (Child-Pugh C).

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