Qual dos recursos abaixo pode confirmar o diagnóstico de demência por doença de Alzheimer?
ATomografia Computadorizada do encéfalo.
BRessonância Magnética do encéfalo.
CMini Exame do Estado Mental (MEEM).
DTestagem neuropsicológica.
ENenhuma das alternativas anteriores está correta.
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GabaritoE — Nenhuma das alternativas anteriores está correta.
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Diagnóstico da doença de Alzheimer: o papel dos exames complementares
Gabarito: letra E. Nenhum dos recursos listados — TC, RM, MEEM ou testagem neuropsicológica — é capaz de confirmar o diagnóstico de demência por doença de Alzheimer; todos são ferramentas de rastreio ou de exclusão de outras causas. A confirmação definitiva, na prática clínica, depende de critérios clínicos (NIA-AA) e, em última instância, de biomarcadores (líquido cefalorraquidiano, PET amiloide) ou de confirmação anatomopatológica (biópsia/necropsia).
O diagnóstico da doença de Alzheimer (DA) é essencialmente clínico, baseado em critérios sindrômicos de demência e na exclusão de outras etiologias. Os critérios do National Institute on Aging e Alzheimer's Association (NIA-AA), endossados pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN), exigem: (1) sintomas cognitivos ou comportamentais que interfiram nas atividades usuais; (2) declínio em relação a níveis prévios; (3) não explicáveis por delirium ou doença psiquiátrica maior; além de início insidioso, história de perda cognitiva referida por informante e déficit proeminente em memória, linguagem, função visuoespacial ou executiva. A neuroimagem (TC ou RM) entra como etapa para excluir outras causas — como doença cerebrovascular, tumores ou infecções — e não para confirmar a DA.
Os testes cognitivos (MEEM, MoCA, testagem neuropsicológica) são instrumentos de rastreamento e de avaliação da gravidade, mas não têm especificidade etiológica: um escore alterado indica disfunção cognitiva, não a causa. O MEEM, por exemplo, tem sensibilidade de 87% e especificidade de 82% para demência, mas não diferencia Alzheimer de outras demências. A testagem neuropsicológica detalha o perfil de comprometimento (amnésico vs. executivo), mas também não confirma a etiologia.
A confirmação diagnóstica com alto grau de certeza, hoje, é possível por meio de biomarcadores: dosagem de β-amiloide 42 e proteína tau (p-tau) no líquido cefalorraquidiano (LCS) ou PET amiloide. Esses métodos detectam as alterações moleculares características da DA (placas amiloides e emaranhados neurofibrilares) ainda em vida. Historicamente, o diagnóstico definitivo só era obtido por exame anatomopatológico (biópsia ou necropsia). Portanto, nenhuma das alternativas A a D confirma o diagnóstico — a resposta correta é a letra E.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre rastreio/exclusão e confirmação. O candidato tende a marcar TC ou RM por associá-las a "exame de imagem" e achar que confirmam; na verdade, elas servem para afastar outras causas (item D dos critérios NIA-AA). O MEEM e a testagem neuropsicológica são ferramentas de avaliação cognitiva, não etiológica. A pegadinha está em exigir o verbo "confirmar" — só biomarcadores ou anatomopatologia confirmam.
Diagnóstico de Alzheimer
1Rastreio (não confirma)
MEEM
Testagem neuropsicológica
2Exclusão de outras causas
TC de encéfalo
RM de encéfalo
3Confirmação
Biomarcadores
LCS (β-amiloide 42, p-tau)
PET amiloide
Anatomopatológico
Biópsia
Necropsia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A TC de encéfalo é útil para excluir lesões estruturais (tumores, infartos, hemorragias) e para avaliar atrofia, mas não confirma DA. A atrofia hipocampal é um achado sugestivo, porém inespecífico e presente em outras demências e no envelhecimento normal. O critério NIA-AA indica a neuroimagem para "excluir outras possibilidades diagnósticas ou comorbidades", não para confirmar.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A RM de encéfalo é preferível à TC por melhor visualização de estruturas temporais mediais (hipocampo), mas também não confirma DA. A atrofia hipocampal é um marcador de neurodegeneração, não específico de Alzheimer. A RM serve para excluir doença vascular, tumores, etc. — mesma função da TC, com maior sensibilidade.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O MEEM é um teste de rastreio cognitivo, com sensibilidade de 87% e especificidade de 82% para demência, mas não diferencia etiologias. Um escore baixo indica disfunção cognitiva, não Alzheimer. Além disso, é influenciado por idade, escolaridade e cultura, e perde sensibilidade em casos leves. Não confirma diagnóstico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A testagem neuropsicológica é valiosa para caracterizar o perfil de comprometimento (amnésico, executivo, visuoespacial) e auxiliar no diagnóstico diferencial, mas não confirma a etiologia. Um padrão amnésico é típico de DA, porém pode ocorrer em outras condições (ex.: demência vascular, CCL). Não é exame confirmatório.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como nenhum dos recursos listados confirma o diagnóstico de DA, a alternativa E é a correta. A confirmação exige biomarcadores (LCS: β-amiloide 42, p-tau; PET amiloide) ou anatomopatologia. A banca cobra o conhecimento de que o diagnóstico de DA é clínico, com apoio de exames para exclusão, e que a confirmação definitiva não é feita por TC, RM, MEEM ou testagem neuropsicológica.