Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2024
- Código
- qg170072
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Criciúma - SC
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Geriatra
- ASexo feminino.
- BEtilismo.
- CAnsiedade.
- DIdade.
- EDéficit auditivo.
GabaritoD — Idade.
Gabarito: letra D. A idade é o fator de risco mais fortemente associado ao delirium na pessoa idosa, pois se trata de um fator predisponente inerente ao paciente, diretamente relacionado à menor reserva cognitiva e à maior vulnerabilidade cerebral do idoso. Embora etilismo, déficit auditivo e ansiedade também sejam fatores de risco, a idade é o principal e mais consistente preditor, conforme a literatura médica sobre o tema.
O delirium é uma síndrome clínica caracterizada por distúrbio agudo e flutuante da consciência, com desatenção como alteração cognitiva central. Trata-se de uma emergência neuropsiquiátrica comum em idosos hospitalizados, especialmente em unidades de terapia intensiva, associada a pior prognóstico, maior tempo de internação e aumento da mortalidade. Sua fisiopatologia é complexa e multifatorial, envolvendo disfunção do sistema ativador reticular ascendente, desequilíbrio de neurotransmissores (com destaque para a acetilcolina) e resposta inflamatória sistêmica.
Os fatores de risco para delirium são classicamente divididos em duas categorias: fatores predisponentes (inerentes ao paciente, que aumentam a vulnerabilidade) e fatores precipitantes (eventos agudos que desencadeiam o episódio). Essa distinção é fundamental para a compreensão da questão, pois a idade avançada é o principal fator predisponente, enquanto condições como infecções, distúrbios metabólicos e uso de medicamentos são os principais precipitantes.
A tabela abaixo resume os principais fatores de risco, organizados conforme essa classificação:
Categoria | Fatores de risco |
|---|---|
Predisponentes (inerentes ao paciente) | Idade avançada, demência, déficits sensoriais (auditivo e visual), depressão, etilismo, tabagismo, comprometimento funcional |
Precipitantes (eventos agudos) | Infecções, distúrbios hidroeletrolíticos, hipoxemia, cirurgias, dor, privação de sono, contenção física, uso de medicamentos (especialmente benzodiazepínicos e anticolinérgicos), abstinência alcoólica |
A idade é o fator de risco mais fortemente associado ao delirium na pessoa idosa porque representa a base da vulnerabilidade: quanto maior a idade, menor a reserva cognitiva e maior a susceptibilidade cerebral a agressões externas. Os demais fatores listados nas alternativas — etilismo, ansiedade e déficit auditivo — são também fatores de risco, mas atuam de forma menos determinante e mais dependente da presença de outros elementos. O sexo feminino, por sua vez, não é considerado um fator de risco estabelecido para delirium.
A banca explora a confusão entre fatores predisponentes e precipitantes. O candidato pode ser tentado a escolher "etilismo" ou "déficit auditivo" por serem fatores de risco listados na literatura, mas a questão pede o fator mais fortemente associado — e esse é a idade, que é o principal fator predisponente e o mais consistente preditor de delirium em idosos. Lembre-se: a idade é a base da vulnerabilidade; os demais fatores são gatilhos ou agravantes.
O sexo feminino não é um fator de risco estabelecido para delirium. A literatura não aponta diferença significativa de incidência entre homens e mulheres, e o sexo não aparece como fator predisponente ou precipitante nas principais classificações. A banca inclui essa alternativa como distrator, pois o candidato pode associar erroneamente o sexo feminino a maior prevalência de algumas condições psiquiátricas, mas isso não se aplica ao delirium.
O etilismo é um fator de risco para delirium, mas não é o mais fortemente associado na pessoa idosa. Ele aparece como fator predisponente (etilismo crônico) e também como precipitante (síndrome de abstinência alcoólica, como no delirium tremens). No entanto, a idade é um fator mais determinante e universal, pois está presente em todos os idosos, enquanto o etilismo é uma condição específica que afeta apenas uma parcela dessa população.
A ansiedade não é um fator de risco clássico para delirium. Embora possa estar presente em idosos hospitalizados e contribuir para o quadro, ela não figura entre os fatores predisponentes ou precipitantes descritos na literatura. A banca inclui essa alternativa como distrator, pois o candidato pode confundir ansiedade com agitação psicomotora, que é uma manifestação do delirium hiperativo, mas não um fator de risco.
A idade é o fator de risco mais fortemente associado ao delirium na pessoa idosa. Trata-se do principal fator predisponente, presente em todas as classificações de risco, e está diretamente relacionado à menor reserva cognitiva e à maior vulnerabilidade cerebral do idoso. A incidência de delirium aumenta progressivamente com a idade, sendo ainda maior em pacientes acima de 70 anos, especialmente quando hospitalizados ou em UTI.
O déficit auditivo é um fator de risco para delirium, mas não é o mais fortemente associado. Ele aparece como fator predisponente (comprometimento sensorial) e também como fator iatrogênico (retirada da prótese auditiva durante a internação). No entanto, a idade é um fator mais determinante e universal, pois está presente em todos os idosos, enquanto o déficit auditivo é uma condição específica que afeta apenas uma parcela dessa população.
Gabarito: letra D — a idade é o fator de risco mais fortemente associado ao delirium na pessoa idosa, por ser o principal fator predisponente e o mais consistente preditor da síndrome.
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