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Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2024

MedicinaGeriatria
Código
qg170074
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Criciúma - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Geriatra
Quais são os maiores impactos clínicos da ansiedade e da depressão na vida de idosos?
  1. ADesequilíbrio e quedas.
  2. BAceleração do declínio cognitivo.
  3. CAlterações do hábito intestinal.
  4. DConfusão mental.
  5. EInfecções urinárias de repetição.
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GabaritoB — Aceleração do declínio cognitivo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Ansiedade e depressão no idoso: impactos clínicos

Gabarito: letra B. A ansiedade e a depressão no idoso estão fortemente associadas à aceleração do declínio cognitivo, sendo a depressão um fator de risco reconhecido para demência e o comprometimento cognitivo uma manifestação frequente tanto da depressão quanto da ansiedade nessa faixa etária. O material de apoio confirma que a depressão no idoso pode se manifestar com "transtornos cognitivos" e que a ansiedade "pode também resultar em sintomas físicos e cognitivos".

A ansiedade e a depressão são os transtornos psiquiátricos mais prevalentes na população idosa, com impacto profundo na qualidade de vida, na funcionalidade e na morbimortalidade. A depressão, em particular, é um dos grandes desafios da geriatria, pois frequentemente se apresenta de forma atípica, com queixas somáticas, alterações do sono, fadiga e, crucialmente, comprometimento cognitivo. Esse comprometimento pode ser tão proeminente que simula uma demência — o que se chama de pseudodemência depressiva —, mas também é um fator de risco independente para o desenvolvimento de demência real, como a doença de Alzheimer. A ansiedade, por sua vez, além de causar sofrimento subjetivo, pode exacerbar sintomas físicos e cognitivos, contribuindo para a piora funcional e para o isolamento social.

O material de apoio é claro ao afirmar que, nos idosos, "a depressão pode se manifestar com transtornos cognitivos, funcionais ou de sono, bem como com queixas de fadiga ou astenia" e que "a ansiedade é mais comum do que a depressão em adultos mais velhos e pode também resultar em sintomas físicos e cognitivos, insônia, agitação psicomotora, psicose e isolamento". Essa relação bidirecional entre transtornos de humor/ansiedade e cognição é um dos pilares da avaliação geriátrica: todo idoso com queixa cognitiva deve ser rastreado para depressão e ansiedade, e todo idoso com diagnóstico de depressão ou ansiedade deve ter sua função cognitiva avaliada.

A aceleração do declínio cognitivo é, portanto, o impacto clínico mais direto e significativo entre as opções apresentadas. As demais alternativas (desequilíbrio e quedas, alterações do hábito intestinal, confusão mental e infecções urinárias de repetição) podem estar indiretamente associadas a esses transtornos, mas não representam o impacto clínico mais característico e bem estabelecido. O desequilíbrio e as quedas, por exemplo, são consequências mais comuns de outras síndromes geriátricas, como a sarcopenia e a polifarmácia, embora a depressão possa contribuir para a redução da atividade física e, indiretamente, para o risco de quedas. A confusão mental, por sua vez, é um quadro agudo (delirium) que, embora possa ser precipitado por depressão ou ansiedade graves, não é o impacto clínico mais típico. As alterações do hábito intestinal e as infecções urinárias de repetição são condições clínicas que podem coexistir, mas não são consequências diretas e específicas da ansiedade e da depressão no idoso.

A distinção crucial que a questão explora é entre os efeitos cognitivos (declínio, pseudodemência) e os efeitos somáticos/agudos (delirium, quedas, infecções). A banca quer que o candidato identifique o impacto mais diretamente ligado à fisiopatologia dos transtornos de humor e ansiedade no envelhecimento cerebral. A depressão está associada a alterações em circuitos fronto-estriatais e ao aumento de beta-amiloide, acelerando o processo neurodegenerativo. A ansiedade crônica, por sua vez, eleva os níveis de cortisol, que é neurotóxico para o hipocampo, estrutura essencial para a memória. É exatamente essa neurobiologia que fundamenta a resposta correta.

Ansiedade e depressão no idoso
  • 1Impacto clínico mais direto
    • Aceleração do declínio cognitivo
      • Depressão: fator de risco p/ demência
      • Pseudodemência depressiva
      • Ansiedade: cortisol neurotóxico (hipocampo)
  • 2Efeitos indiretos/inespecíficos
    • Desequilíbrio e quedas (mediado por sarcopenia)
    • Alterações do hábito intestinal
      • efeito de medicamentos
    • Confusão mental (delirium agudo, não crônico)
    • Infecções urinárias (sem vínculo fisiopatológico)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

O desequilíbrio e as quedas são consequências possíveis, mas indiretas, da ansiedade e da depressão no idoso. A depressão pode levar à redução da atividade física, à sarcopenia e à fraqueza muscular, aumentando o risco de quedas, mas esse não é o impacto clínico mais direto e específico. O desequilíbrio é mais caracteristicamente associado a outras síndromes geriátricas, como a disfunção vestibular, a neuropatia periférica e o uso de psicofármacos (especialmente benzodiazepínicos e antidepressivos tricíclicos). A banca coloca essa alternativa como um distrator plausível, pois a relação existe, mas é mediada por outros fatores.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A aceleração do declínio cognitivo é o impacto clínico mais direto e bem estabelecido da ansiedade e da depressão no idoso. O material de apoio afirma que a depressão pode se manifestar com "transtornos cognitivos" e que a ansiedade "pode também resultar em sintomas físicos e cognitivos". A depressão é um fator de risco para demência, e o comprometimento cognitivo pode ser uma manifestação proeminente da própria depressão (pseudodemência). A ansiedade crônica, pelo estresse oxidativo e pela elevação do cortisol, também contribui para o declínio cognitivo. Essa é a associação mais forte e mais cobrada em geriatria.

Alternativa C — ❌ Incorreta

As alterações do hábito intestinal (como constipação ou diarreia) podem ocorrer em quadros de ansiedade e depressão, mas são manifestações somáticas inespecíficas, não o impacto clínico mais relevante. A constipação, por exemplo, é um efeito colateral comum de muitos antidepressivos (especialmente os tricíclicos), mas não é uma consequência direta do transtorno em si. A banca usa essa alternativa como um distrator para testar se o candidato sabe diferenciar os efeitos primários dos efeitos secundários (medicamentosos) dos transtornos psiquiátricos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A confusão mental, ou delirium, é um quadro agudo e flutuante, geralmente precipitado por uma causa orgânica (infecção, distúrbio metabólico, medicação). Embora a depressão e a ansiedade possam predispor ao delirium ou mimetizá-lo, a confusão mental não é o impacto clínico mais característico desses transtornos. A banca explora aqui a confusão entre o declínio cognitivo crônico (demência/pseudodemência) e o agudo (delirium). A depressão causa declínio cognitivo crônico, não confusão aguda.

Alternativa E — ❌ Incorreta

As infecções urinárias de repetição não têm relação direta com a ansiedade e a depressão. São mais comumente associadas a fatores como incontinência urinária, uso de sonda vesical, diabetes e imunossenescência. A banca inclui essa alternativa como um distrator aleatório, sem qualquer vínculo fisiopatológico com os transtornos psiquiátricos. É a alternativa mais claramente incorreta, servindo para testar se o candidato não está simplesmente escolhendo qualquer complicação comum do idoso.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os efeitos cognitivos crônicos (declínio, pseudodemência) e os efeitos somáticos/agudos (quedas, delirium, infecções). O candidato pode ser tentado a escolher "desequilíbrio e quedas" por associar depressão à fraqueza, ou "confusão mental" por confundir com o declínio cognitivo. A chave é lembrar que a depressão e a ansiedade no idoso têm como impacto clínico mais direto e específico a aceleração do declínio cognitivo, seja como manifestação da própria doença (pseudodemência) ou como fator de risco para demência.

PEGA ESSA DICA!

Na prova, ao identificar uma questão sobre impactos de transtornos psiquiátricos no idoso, procure a alternativa que fale de cognição. Depressão e ansiedade são os grandes imitadores de demência no idoso, e o declínio cognitivo é a consequência mais cobrada. As demais opções (quedas, intestino, confusão, infecções) são complicações gerais do envelhecimento, não específicas desses transtornos.

Gabarito: letra B

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