Questão de Medicina — Geriatria — FUNDATEC 2024
- Código
- qg170077
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Criciúma - SC
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico Geriatra
- ATromboembolismo.
- BDelirium.
- CEscaras de decúbito.
- DBroncopneumonia.
- EAgitação.
GabaritoB — Delirium.
Gabarito: letra B. O delirium é a complicação mais comum em idosos hospitalizados, sendo uma síndrome neuropsiquiátrica aguda e flutuante, caracterizada por distúrbio de consciência e atenção, que acomete de 25% a 60% dos pacientes em unidades de cuidados agudos. Essa é uma informação consolidada na literatura geriátrica, e o contexto clínico reforça que o delirium afeta idosos hospitalizados em taxa muito elevada, aumentando o risco de internações prolongadas, institucionalização e morte.
O delirium é uma síndrome clínica definida por alteração aguda e flutuante da consciência, com déficit primário de atenção, acompanhado de desorganização do pensamento, desorientação e, por vezes, alucinações. Trata-se de uma disfunção cerebral aguda, comparável ao choque na disfunção cardiovascular, e representa uma emergência neuropsiquiátrica. Sua incidência aumenta com a idade e é particularmente alta em idosos hospitalizados, variando de 25% a 60% em unidades de cuidados agudos, podendo chegar a 80% em unidades de terapia intensiva. O delirium é um marcador de pior prognóstico, associado a maior tempo de internação, aumento de custos, maior risco de demência, institucionalização e morte.
A fisiopatologia do delirium é multifatorial, envolvendo a interação entre fatores predisponentes (idade avançada, demência, fragilidade, déficits sensoriais) e fatores precipitantes (infecções, distúrbios metabólicos, medicamentos, cirurgias, imobilização, privação de sono). Quanto mais fatores predisponentes o paciente apresenta, menos estímulos precipitantes são necessários para desencadear o quadro. O delirium pode se apresentar em três formas: hiperativo (com agitação psicomotora, delírios e alucinações), hipoativo (com letargia e sonolência, sendo a forma mais comum e frequentemente não diagnosticada) e misto (com alternância entre os dois estados).
Na prática clínica, o delirium é frequentemente subdiagnosticado ou confundido com demência ou depressão. A diferenciação é crucial: o delirium tem início agudo, curso flutuante e compromete primariamente a atenção, enquanto a demência tem instalação progressiva e lenta, comprometendo múltiplos domínios cognitivos. O delirium é potencialmente reversível em pelo menos 50% dos casos e prevenível em até 40%, sendo considerado um indicador de qualidade do atendimento ao idoso. O rastreio deve ser feito com instrumentos validados, como o Confusion Assessment Method (CAM), e o manejo envolve tratar a causa precipitante e priorizar medidas não farmacológicas, reservando medicações para casos de agitação grave com risco de auto ou heteroagressividade.
A banca explora a distinção entre delirium e outras complicações comuns da hospitalização do idoso, como tromboembolismo, escaras de decúbito e broncopneumonia. Embora todas sejam complicações relevantes, o delirium se destaca como a mais frequente, sendo uma síndrome geriátrica clássica. A agitação, por sua vez, é um sintoma que pode fazer parte do delirium hiperativo, mas não é a complicação em si. Guarde essa hierarquia: o delirium é a complicação mais comum, e a agitação é apenas uma de suas manifestações possíveis.
O tromboembolismo venoso (TEV) é uma complicação grave e potencialmente fatal em idosos hospitalizados, especialmente em pacientes imobilizados ou submetidos a cirurgias. No entanto, não é a complicação mais comum. A incidência de TEV é menor que a do delirium, que acomete uma parcela muito maior de idosos hospitalizados. A banca inclui essa alternativa como um distrator plausível, pois o TEV é uma complicação bem conhecida e temida, mas não é a mais frequente.
O delirium é a complicação mais comum em idosos hospitalizados, com incidência que varia de 25% a 60% em unidades de cuidados agudos, podendo chegar a 80% em UTI. É uma síndrome neuropsiquiátrica aguda, caracterizada por alteração da consciência e da atenção, com curso flutuante. O delirium está associado a pior prognóstico, maior tempo de internação, aumento da morbimortalidade e risco de declínio funcional e cognitivo. Sua alta prevalência e impacto clínico o tornam a complicação mais frequente nessa população.
As escaras de decúbito, ou lesões por pressão, são complicações comuns em idosos hospitalizados, especialmente naqueles com imobilidade prolongada e desnutrição. No entanto, não são a complicação mais comum. O delirium tem incidência significativamente maior. Além disso, as lesões por pressão podem surgir como consequência da imobilidade, que é agravada pelo próprio delirium, mas não superam a frequência do delirium.
A broncopneumonia é uma infecção respiratória grave e frequente em idosos hospitalizados, especialmente naqueles com disfagia, imobilidade ou imunossupressão. No entanto, não é a complicação mais comum. O delirium é mais prevalente. A broncopneumonia pode, inclusive, ser um fator precipitante de delirium, mas não é a complicação mais frequente em si.
A agitação é um sintoma que pode estar presente no delirium hiperativo, mas não é a complicação em si. A agitação psicomotora é uma manifestação do delirium, não uma entidade clínica distinta. A banca inclui essa alternativa para confundir o candidato que associa agitação a um quadro comum, mas a complicação mais comum é o delirium como um todo, que pode se manifestar de forma hipoativa, hiperativa ou mista.
A banca explora a confusão entre a complicação mais comum (delirium) e outras complicações frequentes, como tromboembolismo, escaras e broncopneumonia. Além disso, a alternativa E (agitação) é um sintoma do delirium hiperativo, não a complicação em si. Lembre-se: o delirium é a complicação mais comum, e a agitação é apenas uma de suas possíveis manifestações.
Para questões sobre complicações em idosos hospitalizados, memorize a hierarquia: delirium é a complicação mais comum, seguido por declínio funcional, quedas, desnutrição e lesões por pressão. O delirium é uma síndrome geriátrica clássica e um indicador de qualidade do atendimento.
Gabarito: letra B
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