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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg170101
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Criciúma - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico/ESF
Deve-se prescrever betabloqueadores para todos os pacientes com Insuficiência Cardíaca (IC) com fração de ejeção reduzida (ICFEr) (≤40%) de qualquer etiologia, pois seu uso diminui a mortalidade global por morte súbita e por IC, melhora sintomas e reduz taxas de re-hospitalização nesses pacientes. Acerca desse tema, assinale a alternativa que NÃO representa uma contraindicação ao início de betabloqueadores.
  1. AFrequência cardíaca menor de 50 batimentos/minutos (na ausência de marca-passo).
  2. BBloqueio atrioventricular de primeiro grau.
  3. CDisfunção do nó sinusal.
  4. DChoque cardiogênico.
  5. EInsuficiência cardíaca descompensada.
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GabaritoB — Bloqueio atrioventricular de primeiro grau.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Betabloqueadores na Insuficiência Cardíaca com Fração de Ejeção Reduzida (ICFEr)

Gabarito: letra B. O bloqueio atrioventricular (BAV) de primeiro grau não é contraindicação ao início de betabloqueadores na ICFEr — trata-se apenas de um prolongamento do intervalo PR, sem repercussão hemodinâmica relevante, e o paciente pode receber a medicação com monitorização. As demais alternativas (FC < 50 bpm, disfunção do nó sinusal, choque cardiogênico e IC descompensada) são contraindicações clássicas, conforme as diretrizes de IC e de hipertensão arterial.

Os betabloqueadores (BB) são fármacos de primeira linha no tratamento da ICFEr, pois reduzem a mortalidade global, a morte por IC e a morte súbita, além de melhorarem sintomas e reduzirem re-hospitalizações. O mecanismo central é o bloqueio dos receptores β1-adrenérgicos, que inibe o sistema nervoso simpático, reduz o trabalho miocárdico, melhora a integridade endotelial e, por fim, reduz o remodelamento ventricular. Os três BB comprovadamente eficazes na ICFEr são o bisoprolol, o carvedilol e o succinato de metoprolol.

O início do tratamento deve ser feito com doses baixas e aumento progressivo a cada 2 semanas, monitorando bradicardia e piora dos sintomas. As contraindicações absolutas ao uso de BB incluem: bradicardia sintomática (FC < 50 bpm), bloqueio sinoatrial ou atrioventricular de segundo e terceiro graus (sem marca-passo), choque cardiogênico, IC descompensada (com congestão e baixo débito) e broncopatia grave ou descompensada. O BAV de primeiro grau, por sua vez, não contraindica o uso, pois representa apenas um retardo da condução AV, sem risco iminente de bloqueio completo.

A banca explora exatamente a diferença entre o BAV de primeiro grau (que é uma contraindicação relativa, não absoluta) e os bloqueios de graus mais avançados (que são contraindicações absolutas). O candidato que memoriza a lista de contraindicações sem entender a fisiologia tende a marcar a alternativa B como contraindicação, mas ela é justamente a exceção pedida.

Guarde o critério: contraindicação absoluta = risco imediato de bradicardia grave, instabilidade hemodinâmica ou broncoespasmo. O BAV de primeiro grau não se enquadra nesse perfil.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A frequência cardíaca menor que 50 bpm (na ausência de marca-passo) é uma contraindicação absoluta ao uso de BB, pois o fármaco pode agravar a bradicardia, levando a bloqueio AV ou assistolia. A diretriz brasileira de hipertensão arterial lista a bradicardia (FC < 50 bpm) como contraindicação formal.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O bloqueio atrioventricular de primeiro grau não contraindica o início de BB. Ele se caracteriza apenas por um prolongamento do intervalo PR (> 0,20 s), sem perda de batimentos. O paciente pode receber BB com monitorização clínica e eletrocardiográfica, especialmente se assintomático. A contraindicação se aplica aos bloqueios de segundo e terceiro graus, que representam risco de bradicardia grave.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A disfunção do nó sinusal (doença do nó sinusal) é contraindicação ao uso de BB, pois o fármaco pode exacerbar a bradicardia sinusal e provocar pausas ou bloqueio sinoatrial. A diretriz de hipertensão cita o bloqueio sinoatrial como contraindicação.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O choque cardiogênico é contraindicação absoluta ao uso de BB, pois o fármaco reduz a contratilidade e a frequência cardíaca, agravando o baixo débito. Nessa situação, o paciente necessita de suporte inotrópico e vasopressor, e o BB só pode ser considerado após estabilização hemodinâmica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A insuficiência cardíaca descompensada (com congestão e/ou baixo débito) é contraindicação ao início de BB. O fármaco pode piorar a função ventricular e os sintomas. A diretriz orienta iniciar o BB apenas após o paciente estar euvolêmico e sem sinais de congestão, com doses baixas e titulação lenta.

Gabarito: letra B — a única alternativa que não representa contraindicação ao início de betabloqueadores na ICFEr.

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