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Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2024

MedicinaDoenças Infecto-Parasitárias
Código
qg170104
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Criciúma - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico/ESF
Homem, 22 anos, chega em consulta com histórico de infecção viral de via aérea superior há 5 dias associada à diarreia, evolui com febre, cefaleia retro-orbitária, fotofobia, intensa mialgia e rigidez de nuca. O diagnóstico mais provável é de meningite viral. Logo, realiza-se uma punção lombar. O que é mais provável de se encontrar no líquor com a presunção diagnóstica desse caso?
  1. APleocitose linfocítica, proteínas normais e glicorraquia baixa.
  2. BPleocitose linfocítica, proteínas ligeiramente elevadas e glicorraquia normal.
  3. CPleocitose linfocítica, proteínas normais e glicorraquia elevada.
  4. DPleocitose inicialmente neutrofílica, proteínas normais e glicorraquia baixa.
  5. EPleocitose linfocítica, proteínas baixas e glicorraquia baixa.
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GabaritoB — Pleocitose linfocítica, proteínas ligeiramente elevadas e glicorraquia normal.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Meningite viral: achados no líquor

Gabarito: letra B. Na meningite viral, o líquor típico apresenta pleocitose linfocítica (predomínio de linfócitos), proteínas normais ou discretamente elevadas e glicorraquia normal — é exatamente o que a alternativa B descreve. A glicose baixa (hipoglicorraquia) é o marcador que separa a meningite bacteriana e a tuberculosa da viral, e é nesse ponto que as alternativas tentam confundir.

A meningite é a inflamação das leptomeninges, e a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) obtido por punção lombar é o exame essencial para o diagnóstico etiológico. O padrão de alterações no LCR reflete a resposta inflamatória do hospedeiro ao agente agressor. Na meningite bacteriana, a resposta é intensa e purulenta: há grande pleocitose com predomínio de neutrófilos, proteínas muito elevadas e glicose baixa (porque as bactérias e os neutrófilos consomem glicose no espaço subaracnóideo). Na meningite viral, a resposta inflamatória é mais limitada, como descrito no material de apoio: a atuação das citocinas do hospedeiro é mais restrita, o que diminui a proporção da resposta inflamatória. Por isso, o LCR viral costuma ter pleocitose com predomínio de linfócitos (ou mononucleares), proteínas normais ou discretamente elevadas e glicose normal.

O quadro clínico do paciente — infecção viral de vias aéreas superiores há 5 dias, diarreia, febre, cefaleia retro-orbitária, fotofobia, mialgia intensa e rigidez de nuca — é compatível com meningite viral, sendo os enterovírus os agentes mais comuns. A rigidez de nuca, testada pelas manobras de Brudzinski e Kernig, é um sinal meníngeo clássico. A confirmação vem da punção lombar, que deve ser realizada após afastar contraindicações como hipertensão intracraniana, sinais focais ou infecção no local da punção.

A tabela abaixo resume os achados liquóricos típicos das principais etiologias de meningite, permitindo visualizar o contraste que decide a questão:

Parâmetro

Viral

Bacteriana

Tuberculosa

Aspecto

Límpido

Turvo

Límpido/opalescente

Celularidade

↑, predomínio de linfócitos

↑↑↑, predomínio de neutrófilos

↑, predomínio de linfócitos

Proteína

Normal ou discretamente elevada

↑↑↑

↑↑

Glicose

Normal

↓↓

↓ ou normal

A pegadinha central desta questão é a glicorraquia: o candidato que associa "meningite" a "glicose baixa" sem diferenciar a etiologia erra, pois a hipoglicorraquia é típica das meningites bacteriana e tuberculosa, não da viral. Guarde o par pleocitose linfocítica + glicose normal como a assinatura da meningite viral — é exatamente nesse critério que as alternativas se dividem.

1Viral
Linfócitos
Proteína normal/discreta
Glicose normal
2Bacteriana
Neutrófilos
Proteína elevada
Glicose baixa
3Tuberculosa
Linfócitos
Proteína elevada
Glicose baixa
Líquor na meningite
LEVELsoulevel.com.br
Líquor na meningite: Viral (Linfócitos, Proteína normal/discreta, Glicose normal); Bacteriana (Neutrófilos, Proteína elevada, Glicose baixa); Tuberculosa (Linfócitos, Proteína elevada, Glicose baixa)

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a glicorraquia está baixa. Esse é o erro clássico: a hipoglicorraquia é característica da meningite bacteriana (e da tuberculosa), não da viral. Na meningite viral, a glicose do LCR permanece normal, pois o consumo de glicose pelas células inflamatórias e pelos microrganismos é muito menor. A pleocitose linfocítica e as proteínas normais estão corretas, mas a glicose baixa invalida a alternativa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve exatamente o padrão liquórico da meningite viral: pleocitose linfocítica (predomínio de mononucleares), proteínas ligeiramente elevadas (ou normais) e glicorraquia normal. A elevação discreta das proteínas reflete a resposta inflamatória limitada, e a glicose normal é o diferencial em relação às meningites bacteriana e tuberculosa. Este é o achado mais provável no paciente do enunciado.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que a glicorraquia está elevada. A glicose no LCR não se eleva na meningite viral — ela permanece normal (em torno de 2/3 da glicemia sérica). Não há mecanismo fisiopatológico que justifique hiperglicorraquia na meningite viral; esse valor não corresponde a nenhum padrão típico de meningite.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma pleocitose inicialmente neutrofílica e glicorraquia baixa. Esse padrão é típico da meningite bacteriana, não da viral. Embora em fases muito iniciais a meningite viral possa apresentar predomínio neutrofílico transitório, o padrão clássico e mais provável é linfocítico, e a glicose baixa é o marcador de etiologia bacteriana. A alternativa mistura características de duas etiologias diferentes.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma proteínas baixas e glicorraquia baixa. As proteínas no LCR não diminuem na meningite viral — elas estão normais ou discretamente elevadas. Além disso, a glicose baixa é característica da meningite bacteriana/tuberculosa, não da viral. A alternativa erra em dois parâmetros simultaneamente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "meningite" e "glicose baixa". O candidato que não diferencia as etiologias cai nas alternativas A, D ou E. Lembre-se: a hipoglicorraquia é o divisor de águas — presente na bacteriana e na tuberculosa, ausente na viral. Na dúvida, o par "linfócitos + glicose normal" é a assinatura da meningite viral.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental com os três padrões: bacteriana (neutrófilos, proteína alta, glicose baixa), viral (linfócitos, proteína normal/discreta, glicose normal), tuberculosa (linfócitos, proteína alta, glicose baixa). Na prova, leia a alternativa procurando o par "tipo de célula + glicose" — é ele que decide a etiologia.

Gabarito: letra B — pleocitose linfocítica, proteínas ligeiramente elevadas e glicorraquia normal.

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