Questão de Medicina — Farmacologia e Anestesiologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Farmacologia e Anestesiologia
Código
qg170861
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cruz Alta - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico ESF
Qual é a abordagem mais eficaz no tratamento do tabagismo?
AUtilização isolada de Terapia de Reposição de Nicotina (TRN) em altas doses, independentemente da motivação do paciente.
BPrescrição de bupropiona como monoterapia em pacientes com histórico de depressão, independentemente da quantidade diária de cigarros fumados.
CUso exclusivo de vareniclina como terapia de primeira linha, sem considerar a presença de comorbidades psiquiátricas.
DCombinação de terapia de reposição de nicotina e bupropiona como estratégia inicial em todos os pacientes.
EIntervenção cognitivo-comportamental especialmente em pacientes levemente motivados para cessação.
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GabaritoE — Intervenção cognitivo-comportamental especialmente em pacientes levemente motivados para cessação.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tratamento do tabagismo: abordagem eficaz
Gabarito: letra E. A abordagem mais eficaz no tratamento do tabagismo combina intervenção cognitivo-comportamental com farmacoterapia, sendo o aconselhamento estruturado/abordagem intensiva recomendado para todos os indivíduos em tratamento, independentemente do grau de motivação — e é justamente por isso que a alternativa E, ao destacar a intervenção cognitivo-comportamental "especialmente em pacientes levemente motivados", é a correta. As demais alternativas erram ao propor o uso isolado de medicamentos, ignorar comorbidades ou generalizar estratégias para todos os pacientes, contrariando as diretrizes do Ministério da Saúde e do INCA.
O tabagismo é uma doença crônica causada pela dependência à nicotina, e seu tratamento eficaz exige uma abordagem que vá além da simples reposição química. As diretrizes nacionais e internacionais são claras: a base do tratamento é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que deve ser oferecida a todos os fumantes, associada ou não a medicamentos, dependendo da avaliação individual. O aconselhamento estruturado — também chamado de abordagem intensiva — é o pilar não farmacológico, realizado em sessões periódicas, preferencialmente em grupo, com o objetivo de fornecer informações sobre os riscos do tabagismo, estimular o autocontrole e ajudar o paciente a administrar o ciclo da dependência.
A farmacoterapia de primeira linha inclui a terapia de reposição de nicotina (TRN), a bupropiona e a vareniclina. Cada uma tem indicações específicas: a TRN é eficaz e segura, mas seu uso isolado não é a estratégia mais eficaz; a bupropiona é um antidepressivo que aumenta as taxas de cessação, mas sua eficácia é condicionada a características individuais e à presença de comorbidades psiquiátricas; a vareniclina é a intervenção medicamentosa com maior efeito, porém tem custo elevado e também exige avaliação clínica. A combinação de aconselhamento com farmacoterapia é mais eficaz do que qualquer uma das abordagens isoladas, como demonstram os estudos e as recomendações do SUS.
A avaliação inicial do paciente é fundamental para definir a conduta: história tabagística, grau de dependência (Teste de Fagerström), estágio de motivação e presença de comorbidades. Pacientes com depressão atual ou pregressa, por exemplo, podem se beneficiar da bupropiona, mas não há evidências de que ela aumente a cessação em tabagistas com depressão atual; para pacientes com esquizofrenia, a bupropiona é eficaz, mas a TRN não demonstrou benefício. Isso reforça que não existe uma estratégia única para todos — a abordagem deve ser individualizada, e a TCC é o componente que nunca pode faltar.
A pegadinha central desta questão é a tentativa de reduzir o tratamento do tabagismo a uma única ferramenta — seja um medicamento isolado, seja uma combinação fixa para todos. A banca explora a confusão entre "tratamento eficaz" e "tratamento medicamentoso", quando a diretriz mais sólida é a associação de aconselhamento estruturado com farmacoterapia, sempre individualizada. A alternativa E acerta ao reconhecer o papel central da intervenção cognitivo-comportamental, especialmente naqueles pacientes que ainda não estão totalmente decididos a parar — exatamente o público que mais se beneficia da abordagem motivacional e do suporte comportamental.
Guarde o critério decisivo: a TCC é o pilar universal do tratamento do tabagismo; a farmacoterapia é um adjuvante individualizado. É essa hierarquia que separa a alternativa correta das demais.
Tratamento do tabagismo: Pilar universal (Terapia cognitivo-comportamental (TCC), Aconselhamento estruturado); Farmacoterapia (adjuvante individualizado) (TRN (reposição de nicotina), Bupropiona, Vareniclina); Avaliação inicial (Grau de dependência (Fagerström), Estágio de motivação, Comorbidades psiquiátricas)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A utilização isolada de TRN em altas doses, independentemente da motivação do paciente, contraria a recomendação de que a TRN deve ser associada ao aconselhamento estruturado. Além disso, a dose deve ser ajustada ao grau de dependência, e a motivação do paciente é um fator essencial para o sucesso do tratamento. A TRN isolada é menos eficaz do que a combinação com TCC.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A bupropiona como monoterapia em pacientes com histórico de depressão, independentemente da quantidade diária de cigarros, é uma generalização indevida. Embora a bupropiona aumente a cessação em fumantes com depressão pregressa, não há evidências de eficácia em tabagistas com depressão atual. Além disso, a dose e a indicação devem ser individualizadas, e a monoterapia não é a abordagem mais eficaz.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O uso exclusivo de vareniclina como terapia de primeira linha, sem considerar comorbidades psiquiátricas, é perigoso e contraria as diretrizes. A vareniclina é eficaz, mas sua prescrição exige avaliação clínica, especialmente em pacientes com histórico psiquiátrico, e não deve ser usada isoladamente, sem o suporte comportamental.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A combinação de TRN e bupropiona como estratégia inicial em todos os pacientes é uma generalização. Essa combinação é recomendada apenas para pacientes que não se beneficiam de TRN isolada, e a decisão deve ser individualizada, considerando contraindicações e características clínicas. Não é uma estratégia universal.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A intervenção cognitivo-comportamental é o pilar do tratamento do tabagismo, recomendada para todos os pacientes, e é especialmente importante naqueles levemente motivados, pois ajuda a aumentar a motivação e a prevenir recaídas. A TCC, associada ou não à farmacoterapia, é a abordagem mais eficaz, pois trata a dependência psicológica e comportamental, além da física.