Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
qg170864
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cruz Alta - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico ESF
Qual das seguintes alternativas reflete uma característica-chave nos distúrbios do crescimento?
AA baixa estatura sempre indica um distúrbio do crescimento patológico, independentemente do padrão de crescimento da criança.
BA deficiência de GH (hormônio do crescimento) é a única causa significativa de baixa estatura em crianças e adolescentes.
CDistúrbios do crescimento primariamente proporcionais, com envolvimento proporcional de todos os segmentos do corpo, excluem a possibilidade de etiologias genéticas.
DO hipotireoidismo congênito é uma causa rara de baixa estatura, pois geralmente é detectado precocemente no período neonatal.
EO uso da altura dos pais como referência para a estatura final da criança é sempre preciso e confiável na predição do crescimento.
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GabaritoD — O hipotireoidismo congênito é uma causa rara de baixa estatura, pois geralmente é detectado precocemente no período neonatal.
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Distúrbios do crescimento: avaliação da baixa estatura
Gabarito: letra D. O hipotireoidismo congênito é uma causa rara de baixa estatura na prática clínica justamente porque o rastreamento neonatal (teste do pezinho) permite a detecção e o tratamento precoces, prevenindo o comprometimento do crescimento — essa é a característica-chave que a alternativa correta reconhece. As demais alternativas erram ao fazer afirmações absolutas ou invertidas sobre a avaliação do crescimento infantil.
A avaliação do crescimento infantil é um dos pilares da pediatria, e a baixa estatura é um dos motivos mais comuns de encaminhamento ao endocrinologista pediátrico. O primeiro ponto a entender é que baixa estatura não é sinônimo de doença: muitas crianças são simplesmente baixas por variação normal do crescimento (como o atraso constitucional do crescimento e da puberdade, também chamado de "puxão de crescimento tardio"), ou por terem pais de baixa estatura (baixa estatura familiar). O que define se há um distúrbio patológico é o padrão de crescimento — ou seja, a velocidade com que a criança cresce ao longo do tempo, comparada com curvas de referência (como as da OMS) e com a altura-alvo familiar.
A altura-alvo familiar é calculada a partir da estatura dos pais e representa a faixa de estatura esperada para a criança com base na genética familiar. Por exemplo, para um menino, calcula-se a média das alturas dos pais somando-se 13 cm; para uma menina, subtraindo-se 13 cm. Esse cálculo é uma estimativa, não uma predição exata — serve como referência, mas não é infalível, pois o crescimento final depende de múltiplos fatores, incluindo nutrição, saúde geral e variações genéticas individuais.
Quando a criança cresce abaixo do esperado para sua idade, sexo e potencial genético, ou quando a velocidade de crescimento está reduzida, inicia-se a investigação. As causas de baixa estatura são múltiplas e incluem: causas endócrinas (deficiência de GH, hipotireoidismo, excesso de cortisol), causas genéticas (síndrome de Turner, síndrome de Noonan, displasias esqueléticas), causas nutricionais (desnutrição, doença celíaca, doença inflamatória intestinal) e causas crônicas (doença renal, cardíaca, pulmonar). A deficiência de GH é uma causa importante, mas está longe de ser a única — e o diagnóstico exige critérios auxológicos e testes provocativos, como visto no material de apoio.
O hipotireoidismo congênito, especificamente, é uma causa de baixa estatura que, na era do rastreamento neonatal universal (teste do pezinho), é detectada e tratada precocemente, o que previne o retardo do crescimento e do desenvolvimento neuropsicomotor. Por isso, na prática clínica atual, é uma causa rara de baixa estatura em crianças não tratadas — justamente porque o diagnóstico precoce permite a reposição hormonal antes que o dano ao crescimento se estabeleça. Essa é a lógica por trás da alternativa D.
A pegadinha central desta questão é a generalização indevida: as alternativas A, B, C e E usam termos absolutos como "sempre", "única", "excluem" e "sempre preciso", que raramente se aplicam à medicina, onde a avaliação clínica é dinâmica e multifatorial. A alternativa D, por sua vez, apresenta uma afirmação que parece contradizer o senso comum ("como pode ser rara se é uma doença grave?"), mas que se sustenta exatamente pela existência do rastreamento neonatal. Guarde essa lógica: na avaliação do crescimento, o que importa é o padrão individual, não uma regra absoluta — é esse critério que separa as alternativas corretas das incorretas.
Baixa estatura
1Variação normal
Atraso constitucional
Baixa estatura familiar
2Causas patológicas
Endócrinas
Deficiência de GH
Hipotireoidismo
Excesso de cortisol
Genéticas
Síndrome de Turner
Síndrome de Noonan
Displasias esqueléticas
Nutricionais
Desnutrição
Doença celíaca
Doenças crônicas
Renal
Cardíaca
Pulmonar
3Avaliação
Padrão de crescimento (velocidade)
Curvas de referência (OMS)
Altura-alvo familiar (estimativa)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a baixa estatura "sempre" indica distúrbio patológico, independentemente do padrão de crescimento. Isso é falso: a baixa estatura pode ser uma variação normal do crescimento, como no atraso constitucional do crescimento e da puberdade ou na baixa estatura familiar. O que define a necessidade de investigação é o padrão de crescimento (velocidade de crescimento reduzida, desvio progressivo da curva de percentil) e a relação com a altura-alvo familiar, não a estatura isolada. O erro é a generalização indevida — o termo "sempre" torna a afirmação incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a deficiência de GH é a "única" causa significativa de baixa estatura. Isso é falso: as causas são múltiplas e incluem hipotireoidismo, síndrome de Turner, displasias esqueléticas, desnutrição, doenças crônicas (renal, cardíaca, intestinal), entre outras. O material de apoio reforça que, na investigação da baixa estatura, outras causas devem ser excluídas antes de se pensar em deficiência de GH. O erro é a exclusividade indevida — a deficiência de GH é uma causa importante, mas não a única.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que distúrbios do crescimento proporcionais (com envolvimento de todos os segmentos) "excluem" a possibilidade de etiologias genéticas. Isso é falso: muitas doenças genéticas cursam com baixa estatura proporcional, como a síndrome de Turner, a síndrome de Noonan e a baixa estatura familiar (que tem forte componente genético). A proporcionalidade do corpo não exclui causa genética — ela apenas ajuda a diferenciar de displasias esqueléticas, que costumam cursar com desproporção (membros curtos, tronco curto). O erro é a exclusão indevida — o termo "excluem" é absoluto e incorreto.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que o hipotireoidismo congênito é uma causa rara de baixa estatura, pois geralmente é detectado precocemente no período neonatal. Isso está correto: o rastreamento neonatal (teste do pezinho) permite o diagnóstico e o tratamento precoces com levotiroxina, prevenindo o retardo do crescimento e do desenvolvimento. Na prática clínica atual, portanto, o hipotireoidismo congênito não tratado é raro, e a baixa estatura por essa causa é incomum. A alternativa reconhece corretamente o impacto do rastreamento neonatal na epidemiologia da doença.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o uso da altura dos pais como referência para a estatura final é "sempre preciso e confiável". Isso é falso: a altura-alvo familiar é uma estimativa baseada na genética, mas o crescimento final depende de múltiplos fatores (nutrição, saúde, variações genéticas individuais, ambiente). A predição não é exata e pode haver desvios significativos. O erro é a generalização indevida — o termo "sempre" torna a afirmação incorreta.
A regra de ouro para questões sobre distúrbios do crescimento: desconfie de afirmações absolutas ("sempre", "nunca", "única", "exclui") e lembre-se de que a avaliação do crescimento é dinâmica, baseada no padrão individual e na altura-alvo familiar. O hipotireoidismo congênito é raro como causa de baixa estatura justamente porque o rastreamento neonatal funciona — essa é a lógica que a banca explora.