Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg170868
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cruz Alta - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico ESF
Em um eletrocardiograma (ECG) de um paciente, é identificado um prolongamento do intervalo QT. Qual das seguintes alternativas reflete uma causa potencial e a abordagem mais indicada?
ASíndrome do QT longo congênito, justificando a realização de testes genéticos e aconselhamento genético.
BUso de antiarrítmicos da classe Ia, como a quinidina, que podem prolongar o intervalo QT, justificando a necessidade de descontinuar imediatamente o medicamento.
CHipocalcemia grave, indicando a necessidade de iniciar imediatamente a reposição intravenosa de cálcio.
DHipopotassemia, justificando a administração rápida de potássio intravenoso para corrigir o distúrbio.
EMiocardite aguda, indicando a necessidade de tratamento anti-inflamatório imediato com corticosteroides.
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GabaritoA — Síndrome do QT longo congênito, justificando a realização de testes genéticos e aconselhamento genético.
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Prolongamento do intervalo QT: causas e abordagem
Gabarito: letra A. A síndrome do QT longo congênita é uma causa reconhecida de prolongamento do intervalo QT, e a abordagem indicada inclui testes genéticos e aconselhamento genético. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou de conduta, como a hipocalcemia que prolonga o QT, mas a reposição intravenosa imediata de cálcio não é a conduta de primeira linha, e a hipopotassemia, embora possa prolongar o QT, não justifica administração rápida de potássio intravenoso sem avaliação clínica.
O intervalo QT representa a duração da repolarização ventricular no eletrocardiograma. Seu prolongamento pode ser congênito (síndrome do QT longo) ou adquirido, sendo as causas adquiridas mais comuns: distúrbios eletrolíticos (hipocalemia, hipomagnesemia, hipocalcemia), uso de medicamentos (antiarrítmicos classe Ia e III, antipsicóticos, antibióticos) e bradicardia. O QT prolongado predispõe a arritmias ventriculares, especialmente torsades de pointes, uma taquicardia ventricular polimórfica associada a QT longo.
A síndrome do QT longo congênita é uma doença genética, com mutações em genes que codificam canais iônicos cardíacos, como KCNQ1, KCNH2 e SCN5A. O diagnóstico é clínico e eletrocardiográfico, e a confirmação genética é importante para orientar o tratamento e o rastreamento familiar. O aconselhamento genético é parte essencial do manejo, pois permite identificar familiares em risco e orientar sobre o risco de morte súbita.
Na abordagem do QT longo, é fundamental identificar e corrigir causas reversíveis, como distúrbios eletrolíticos e medicamentos. No caso de torsades de pointes, o tratamento agudo inclui sulfato de magnésio intravenoso, correção de potássio e magnésio, e aumento da frequência cardíaca com isoproterenol ou marca-passo. A suspensão de medicamentos que prolongam o QT é necessária, mas não deve ser feita de forma imediata e indiscriminada sem avaliação do risco-benefício, especialmente em pacientes com indicação do antiarrítmico.
A pegadinha desta questão está em associar cada causa à conduta correta. A alternativa A é a única que apresenta uma causa e uma abordagem adequadas. As demais alternativas ou apresentam condutas precipitadas (como descontinuar imediatamente um medicamento ou repor eletrólitos de forma rápida) ou não correspondem à abordagem padrão para a causa citada.
A síndrome do QT longo congênita é uma causa genética de prolongamento do intervalo QT. A abordagem inclui testes genéticos para confirmar o diagnóstico e identificar a mutação específica, além de aconselhamento genético para orientar o paciente e a família sobre o risco de transmissão e de morte súbita. Essa é a conduta recomendada pelas diretrizes de cardiologia.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os antiarrítmicos da classe Ia, como a quinidina, podem prolongar o intervalo QT, mas a conduta não é descontinuar imediatamente o medicamento. A suspensão deve ser avaliada caso a caso, considerando a indicação do fármaco e o risco de arritmias. Em muitos casos, a dose pode ser ajustada ou o medicamento trocado, mas a descontinuação abrupta pode ser prejudicial.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hipocalcemia grave pode prolongar o intervalo QT, mas a reposição intravenosa imediata de cálcio não é a conduta de primeira linha para o QT longo. A hipocalcemia deve ser corrigida, mas a velocidade e a via de reposição dependem da gravidade e da sintomatologia. A alternativa sugere uma conduta precipitada, sem considerar a avaliação clínica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A hipopotassemia pode prolongar o intervalo QT, mas a administração rápida de potássio intravenoso não é a conduta indicada. A reposição de potássio deve ser feita de forma gradual e monitorizada, pois a administração rápida pode causar hiperpotassemia e arritmias. A alternativa sugere uma conduta inadequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A miocardite aguda pode causar alterações eletrocardiográficas, mas não é uma causa típica de prolongamento do intervalo QT. O tratamento da miocardite com corticosteroides não é indicado de rotina, sendo reservado para casos específicos. A alternativa não corresponde à abordagem padrão para o QT longo.