A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição respiratória progressiva com impacto significativo na qualidade de vida dos pacientes. Com base nisso, assinale a alternativa correta.
AO tratamento da DPOC deve incluir corticosteroides sistêmicos em altas doses como terapia de primeira linha devido ao seu potencial anti-inflamatório eficaz nos pulmões.
BA espirometria é o exame padrão-ouro para diagnóstico e monitoramento da DPOC, permitindo avaliação objetiva da obstrução do fluxo de ar.
CA suplementação rotineira de oxigênio é indicada para todos os pacientes com DPOC, independentemente da gravidade da doença, como medida preventiva de insuficiência respiratória.
DA vacinação contra a gripe é recomendada a cada três anos para pacientes com DPOC, contribuindo para a prevenção de exacerbações e complicações pulmonares.
EO tratamento cirúrgico, como a ressecção pulmonar, é considerado a primeira opção em pacientes com DPOC avançada, especialmente naqueles com enfisema.
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GabaritoB — A espirometria é o exame padrão-ouro para diagnóstico e monitoramento da DPOC, permitindo avaliação objetiva da obstrução do fluxo de ar.
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Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC): diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra B. A espirometria é o exame padrão-ouro para o diagnóstico e monitoramento da DPOC, pois confirma a obstrução do fluxo de ar pela razão VEF1/CVF < 0,70 após broncodilatador — critério funcional estabelecido pela Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD). As demais alternativas distorcem condutas: corticosteroides sistêmicos não são primeira linha, oxigenoterapia não é rotineira para todos, vacinação contra gripe é anual e cirurgia não é primeira opção.
A DPOC é uma doença comum, evitável e tratável, caracterizada por limitação persistente e geralmente progressiva do fluxo de ar, associada a uma resposta inflamatória crônica exacerbada das vias aéreas e dos pulmões a partículas ou gases nocivos — o tabagismo é o principal fator de risco. A definição atual baseia-se na limitação do fluxo aéreo, e não na presença isolada de enfisema ou bronquite crônica, que podem ocorrer com ou sem essa limitação. O diagnóstico exige critérios clínicos e funcionais associados: sintomas respiratórios persistentes (dispneia, tosse, expectoração), história de exposição a fatores de risco e confirmação espirométrica.
A espirometria é o teste de função pulmonar mais disponível e reprodutível, sendo essencial não apenas para o diagnóstico, mas também para classificar a gravidade da obstrução (leve, moderada, grave e muito grave) e monitorar a progressão da doença. O critério funcional é a razão VEF1/CVF inferior a 0,70 após a administração de broncodilatador. A classificação em estádios (GOLD 1 a 4) utiliza o VEF1 percentual do previsto, mas a avaliação do paciente também considera sintomas (escala mMRC, CAT) e histórico de exacerbações.
O tratamento da DPOC é multidimensional, combinando abordagens não medicamentosas e medicamentosas. A cessação do tabagismo é a intervenção mais eficaz para reduzir o risco de desenvolvimento e progressão da doença. A terapia medicamentosa é orientada pela avaliação dos sintomas e do risco de exacerbação, classificando os pacientes em grupos (A, B e E). Corticosteroides inalatórios são usados em associação com broncodilatadores de longa duração em casos selecionados, mas corticosteroides sistêmicos em altas doses não são primeira linha — são reservados para o tratamento de exacerbações agudas, em cursos curtos. A oxigenoterapia de longo prazo é indicada para pacientes com hipoxemia crônica (PaO2 ≤ 55 mmHg ou SpO2 ≤ 88% em repouso), não para todos. A vacinação contra gripe é recomendada anualmente, e a vacina antipneumocócica também é indicada. O tratamento cirúrgico, como a cirurgia de redução de volume pulmonar ou o transplante pulmonar, é opção para casos selecionados de enfisema grave, não sendo primeira opção.
A pegadinha central desta questão é a banca misturar condutas corretas com distorções de indicação, prazo e hierarquia terapêutica. O candidato que domina os pilares do manejo da DPOC — diagnóstico espirométrico, cessação do tabagismo, broncodilatadores como base, oxigenoterapia apenas na hipoxemia, vacinação anual e cirurgia como último recurso — identifica a alternativa correta sem hesitar. Guarde a fronteira entre o que é padrão-ouro (espirometria) e o que é terapia de exceção (corticoides sistêmicos, oxigênio, cirurgia): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que corticosteroides sistêmicos em altas doses são terapia de primeira linha na DPOC. Isso é falso: a base do tratamento farmacológico da DPOC estável são os broncodilatadores (β2-agonistas e anticolinérgicos de longa duração). Corticosteroides inalatórios são adicionados em casos selecionados (exacerbações frequentes, eosinofilia), e corticosteroides sistêmicos são reservados para o tratamento de exacerbações agudas, em cursos curtos, devido aos efeitos adversos do uso prolongado. A alternativa inverte a hierarquia terapêutica.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A espirometria é o exame padrão-ouro para diagnóstico e monitoramento da DPOC. Ela confirma a obstrução do fluxo de ar pela razão VEF1/CVF < 0,70 após broncodilatador, permite classificar a gravidade (GOLD 1 a 4) e acompanhar a progressão da doença. É o teste mais disponível e reprodutível de função pulmonar, sendo essencial para o diagnóstico funcional, que deve ser associado aos critérios clínicos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a suplementação rotineira de oxigênio é indicada para todos os pacientes com DPOC, independentemente da gravidade. Isso é falso: a oxigenoterapia domiciliar de longo prazo é indicada apenas para pacientes com hipoxemia crônica (PaO2 ≤ 55 mmHg ou SpO2 ≤ 88% em repouso, ou PaO2 56-59 mmHg com cor pulmonale ou policitemia). O uso rotineiro em todos os pacientes não tem benefício e pode causar retenção de CO2. A alternativa generaliza indevidamente uma indicação específica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a vacinação contra a gripe é recomendada a cada três anos. Isso é falso: a vacina contra influenza deve ser administrada anualmente, pois a composição é atualizada a cada ano para cobrir as cepas circulantes. A vacinação anual é recomendada para todos os pacientes com DPOC, contribuindo para a prevenção de exacerbações e complicações. A alternativa troca o prazo correto (anual) por um intervalo incorreto (três anos).
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que o tratamento cirúrgico, como a ressecção pulmonar, é a primeira opção em pacientes com DPOC avançada, especialmente com enfisema. Isso é falso: a cirurgia (redução de volume pulmonar, bullectomia, transplante) é opção para casos altamente selecionados, após falha do tratamento clínico otimizado, com critérios específicos (enfisema heterogêneo, baixa capacidade de exercício, etc.). Não é primeira opção. A alternativa inverte a hierarquia: o tratamento inicial é clínico, com cessação do tabagismo, broncodilatadores e reabilitação pulmonar.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o que é padrão-ouro e o que é terapia de exceção. Na alternativa A, troca a base do tratamento (broncodilatadores) por corticoides sistêmicos; na C, generaliza a oxigenoterapia para todos; na D, erra o prazo da vacinação (anual, não trienal); na E, coloca a cirurgia como primeira opção. O candidato que memoriza os pilares do manejo — espirometria para diagnóstico, broncodilatadores como base, oxigênio só na hipoxemia, vacina anual, cirurgia como último recurso — identifica a correta sem cair nas armadilhas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de DPOC, decore os números-chave: VEF1/CVF < 0,70 confirma obstrução; GOLD 1 (VEF1 ≥ 80%), GOLD 2 (50-79%), GOLD 3 (30-49%), GOLD 4 (< 30%); oxigenoterapia se PaO2 ≤ 55 mmHg ou SpO2 ≤ 88%; vacina de gripe anual. Esses são os pontos mais cobrados em provas de residência e concursos.