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Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024

MedicinaCardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg171205
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cruzaltense - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
A aterosclerose e a dislipidemia são condições complexas com implicações significativas para a saúde cardiovascular. Com base nisso, assinale a alternativa correta.
  1. AA aterosclerose é exclusivamente uma doença das artérias maiores, como a aorta e as coronárias, não afetando as artérias de menor calibre.
  2. BA inflamação desempenha um papel central na patogênese da aterosclerose, contribuindo para a formação e instabilidade das placas ateroscleróticas.
  3. COs níveis elevados de Lipoproteína de Alta Densidade (HDL) são consistentemente associados a um maior risco de desenvolvimento de aterosclerose.
  4. DA angioplastia coronariana com colocação de stent é geralmente indicada como tratamento de primeira linha para a aterosclerose coronariana, proporcionando resultados duradouros.
  5. EA terapia com estatinas é contraindicada em pacientes idosos com aterosclerose, devido ao risco aumentado de efeitos adversos musculares.
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GabaritoB — A inflamação desempenha um papel central na patogênese da aterosclerose, contribuindo para a formação e instabilidade das placas ateroscleróticas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Aterosclerose e dislipidemia: fisiopatologia e tratamento

Gabarito: letra B. A inflamação é, de fato, um componente central na patogênese da aterosclerose, atuando desde a formação da estria gordurosa até a instabilização e ruptura da placa — a chamada "teoria inflamatória" da aterosclerose. As demais alternativas apresentam erros conceituais ou clínicos: a aterosclerose não é exclusiva de artérias de grande calibre, o HDL elevado é protetor (não fator de risco), a angioplastia com stent não é tratamento de primeira linha com resultados duradouros, e as estatinas não são contraindicadas em idosos.

A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica, de origem multifatorial, que se inicia com a agressão ao endotélio vascular por fatores de risco como dislipidemia, hipertensão arterial e tabagismo. Essa agressão leva à disfunção endotelial, aumentando a permeabilidade da íntima às lipoproteínas plasmáticas, especialmente a LDL. As partículas de LDL retidas no espaço subendotelial sofrem oxidação, tornando-se imunogênicas e atraindo monócitos e linfócitos. Os monócitos migram para o subendotélio, diferenciam-se em macrófagos, que captam as LDL oxidadas e se transformam em células espumosas — o principal componente das estrias gordurosas, as lesões iniciais da aterosclerose.

A inflamação não é apenas um fenômeno inicial; ela é crucial na progressão e na instabilidade da placa. Os macrófagos ativados secretam citocinas pró-inflamatórias (como interleucina-6 e TNF-β) e enzimas proteolíticas (metaloproteinases de matriz), que degradam o colágeno da capa fibrosa. Simultaneamente, linfócitos T com fenótipo inflamatório inibem a síntese de colágeno pelas células musculares lisas. O resultado é o adelgaçamento da capa fibrosa, tornando a placa vulnerável à ruptura. Quando a placa rompe, há exposição do núcleo lipídico trombogênico, adesão e agregação plaquetária, ativação da cascata de coagulação e formação de trombo, que pode ocluir o vaso e causar síndrome coronariana aguda.

A dislipidemia é um dos principais fatores de risco para a aterosclerose, mas a relação é específica: o LDL-colesterol elevado e o HDL-colesterol baixo estão associados a maior risco. O HDL exerce papel protetor, promovendo o transporte reverso do colesterol — removendo o excesso de colesterol dos tecidos periféricos e levando-o ao fígado para excreção. Portanto, níveis elevados de HDL são desejáveis e associados a menor risco cardiovascular, não a maior risco como afirma a alternativa C.

O tratamento da aterosclerose coronariana envolve, em primeiro lugar, a otimização da terapia medicamentosa com estatinas (para redução do LDL), antiagregantes plaquetários e controle rigoroso dos fatores de risco. A revascularização percutânea com angioplastia e stent é reservada para casos específicos, como síndromes coronarianas agudas ou angina refratária à terapia otimizada, e não é considerada tratamento de primeira linha com resultados duradouros — a doença aterosclerótica é sistêmica e progressiva, e o stent trata a lesão obstrutiva local, mas não cura a doença de base. Em idosos, as estatinas são amplamente utilizadas e recomendadas, com benefício comprovado na redução de eventos cardiovasculares, desde que ajustadas às comorbidades e interações medicamentosas.

A pegadinha central desta questão é a inversão de conceitos: a banca apresenta afirmações que parecem plausíveis, mas que contrariam o conhecimento consolidado. A alternativa B é a única que reflete com precisão a fisiopatologia atual da aterosclerose, reconhecendo a inflamação como peça-chave no processo. As demais alternativas distorcem fatos estabelecidos, seja sobre a distribuição da doença, o papel das lipoproteínas, a estratégia terapêutica ou a segurança dos medicamentos.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A aterosclerose não é exclusiva das artérias de grande calibre. Embora seja mais prevalente e clinicamente relevante em artérias como aorta, coronárias e carótidas, ela também acomete artérias de médio e pequeno calibre, como as artérias tibiais e fibulares em pacientes diabéticos, e as artérias cerebrais. A doença arterial periférica, por exemplo, é uma manifestação da aterosclerose que afeta principalmente os membros inferiores, incluindo artérias de menor calibre. O erro está no termo "exclusivamente", que torna a afirmação categoricamente falsa.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A inflamação é um componente central na patogênese da aterosclerose. Desde a disfunção endotelial inicial, passando pela formação das estrias gordurosas com células espumosas, até a progressão e instabilização da placa, o processo inflamatório está presente. Os macrófagos e linfócitos T, as citocinas pró-inflamatórias e as metaloproteinases são elementos-chave que contribuem tanto para a formação quanto para a vulnerabilidade da placa aterosclerótica. A ruptura da placa, evento que desencadeia a trombose e as síndromes coronarianas agudas, é diretamente influenciada pela atividade inflamatória local.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Os níveis elevados de HDL (lipoproteína de alta densidade) são associados a MENOR risco de aterosclerose, não a maior risco. O HDL exerce função protetora cardiovascular, principalmente por meio do transporte reverso do colesterol, removendo o excesso de colesterol dos tecidos e devolvendo-o ao fígado para metabolização e excreção. A alternativa inverte completamente o papel do HDL, confundindo-o com o LDL, que é a lipoproteína aterogênica.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A angioplastia coronariana com stent não é tratamento de primeira linha para a aterosclerose coronariana estável. O tratamento inicial baseia-se na terapia medicamentosa otimizada (estatinas, antiagregantes, betabloqueadores, etc.) e no controle dos fatores de risco. A revascularização percutânea é indicada em situações específicas, como síndromes coronarianas agudas, angina refratária à terapia clínica ou doença coronariana extensa, e não proporciona "resultados duradouros" no sentido de curar a doença — a aterosclerose é um processo sistêmico e progressivo, e o stent trata a lesão obstrutiva local, mas não impede a progressão da doença em outros sítios.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A terapia com estatinas não é contraindicada em pacientes idosos com aterosclerose. Pelo contrário, as estatinas são amplamente recomendadas e utilizadas nessa população, com benefício comprovado na redução de eventos cardiovasculares e mortalidade. Embora o risco de efeitos adversos musculares exista, ele é relativamente baixo e pode ser manejado com ajuste de dose, monitoramento clínico e laboratorial, e consideração de interações medicamentosas. A contraindicação absoluta é rara e não se aplica de forma generalizada aos idosos.

Gabarito: letra B

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