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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg171207
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cruzaltense - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
A hemorragia digestiva baixa é uma condição clínica desafiadora que requer uma abordagem diagnóstica e terapêutica cuidadosa. Com base nisso, assinale a alternativa correta.
  1. AA colonoscopia é geralmente o método diagnóstico inicial de escolha em pacientes com hemorragia digestiva baixa, permitindo a identificação precisa da origem do sangramento e a realização de procedimentos terapêuticos.
  2. BA arteriografia mesentérica é reservada apenas para casos de hemorragia digestiva baixa grave e refratária a outras modalidades diagnósticas, proporcionando uma visão direta do local de sangramento.
  3. CA ressonância magnética é frequentemente utilizada como método diagnóstico primário em pacientes com suspeita de hemorragia digestiva baixa, sendo especialmente útil na identificação de lesões em segmentos mais distais do trato gastrointestinal.
  4. DA cápsula endoscópica é uma ferramenta valiosa para a avaliação de hemorragia digestiva baixa, permitindo a visualização de áreas inacessíveis por colonoscopia, como o intestino delgado.
  5. EA angiografia por tomografia computadorizada (angio-TC) é um método diagnóstico de primeira linha em pacientes com hemorragia digestiva baixa, oferecendo alta sensibilidade na detecção de lesões vasculares.
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GabaritoA — A colonoscopia é geralmente o método diagnóstico inicial de escolha em pacientes com hemorragia digestiva baixa, permitindo a identificação precisa da origem do sangramento e a realização de procedimentos terapêuticos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Hemorragia digestiva baixa: abordagem diagnóstica

Gabarito: letra A. A colonoscopia é, de fato, o método diagnóstico inicial de escolha na hemorragia digestiva baixa (HDB), pois permite identificar a origem do sangramento e, no mesmo procedimento, realizar terapêutica endoscópica. As demais alternativas erram ao atribuir papéis incorretos a outros métodos (arteriografia, ressonância, cápsula endoscópica e angio-TC), que têm indicações específicas e não são primeira linha na maioria dos casos.

A hemorragia digestiva baixa é definida como sangramento intraluminal distal ao ligamento de Treitz (transição duodeno-jejunal). Manifesta-se como hematoquezia (sangue vermelho vivo pelo reto), enterorragia, melena (quando o sangramento é mais proximal, como cólon direito) ou sangramento oculto. É uma condição relativamente comum, com mortalidade menor que a da hemorragia digestiva alta (2–4% vs. 15%), e cerca de 80–85% dos episódios têm resolução espontânea. A causa mais frequente é a doença diverticular, seguida por angiodisplasias, neoplasias, doença inflamatória intestinal e outras.

A avaliação inicial inclui estabilização hemodinâmica, anamnese e exame físico, laboratórios (hemograma, coagulação, tipagem sanguínea) e, em casos selecionados, escore de risco (ex.: Glasgow-Blatchford, Rockall). O passo seguinte é a localização do sangramento. Para a HDB, a colonoscopia é o exame de escolha na maioria dos pacientes estáveis, pois combina diagnóstico e tratamento (hemostasia endoscópica com clip, cautério, injeção etc.). Deve ser realizada após preparo intestinal adequado, idealmente nas primeiras 24 horas. Em casos de sangramento maciço ou instabilidade, outras estratégias como angio-TC, cintilografia com hemácias marcadas ou arteriografia podem ser necessárias, mas não substituem a colonoscopia como primeira linha.

A cápsula endoscópica, por sua vez, é útil para avaliar o intestino delgado — área não alcançada pela colonoscopia convencional —, sendo indicada principalmente na suspeita de sangramento de origem obscura (após endoscopia alta e colonoscopia negativas). A arteriografia mesentérica é reservada para sangramentos graves e contínuos, quando há indicação de embolização, e não é método inicial. A ressonância magnética não tem papel na avaliação aguda da HDB. A angio-TC é um exame rápido e sensível para sangramento ativo (extravasamento de contraste), mas é usado em situações específicas (sangramento volumoso, instabilidade) e não como primeira linha em todos os pacientes.

A pegadinha central desta questão é a hierarquia dos métodos diagnósticos: a banca tenta fazer o candidato confundir o papel de exames de segunda linha (arteriografia, angio-TC, cápsula) com o da colonoscopia, que é o padrão-ouro inicial. Guarde a sequência: estabilizar → colonoscopia (diagnóstico + terapia) → se falhar ou não for possível, métodos auxiliares conforme o cenário.

  1. 1Estabilização hemodinâmica
  2. 2Avaliação inicial (clínica + laboratório)
  3. 3Colonoscopia (diagnóstico + terapia)
  4. 4Métodos auxiliares se falhar
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A colonoscopia é o método diagnóstico inicial de escolha na HDB, pois permite visualizar diretamente o cólon e o íleo terminal, identificar a lesão sangrante e realizar hemostasia imediata (ex.: clipagem, cauterização, injeção de adrenalina). É o procedimento que melhor combina acurácia diagnóstica e potencial terapêutico, sendo recomendado pelas principais diretrizes após estabilização e preparo intestinal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A arteriografia mesentérica não é "reservada apenas" para casos graves e refratários — ela é indicada em situações específicas de sangramento ativo e volumoso, quando há necessidade de embolização ou quando outros métodos falharam. Mas não é correto afirmar que seja "apenas" para esses casos, pois também pode ser usada como método diagnóstico em pacientes instáveis que não podem aguardar colonoscopia. O erro está na exclusividade e na subestimação de seu papel em cenários agudos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A ressonância magnética não é utilizada como método diagnóstico primário na HDB. Ela não tem sensibilidade para detectar sangramento ativo e não é indicada na avaliação aguda. O exame de imagem de primeira linha, quando necessário, é a angio-TC (para sangramento ativo) ou a colonoscopia (para diagnóstico e tratamento). A RM pode ter papel em outras condições (ex.: doença inflamatória intestinal), mas não na HDB aguda.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A cápsula endoscópica é valiosa para avaliar o intestino delgado, mas não é uma ferramenta de primeira linha na HDB. Ela é indicada principalmente na hemorragia digestiva de origem obscura, após endoscopia digestiva alta e colonoscopia negativas. Além disso, não permite intervenção terapêutica e não é adequada para sangramento agudo volumoso. O erro está em generalizar seu uso para toda HDB.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A angio-TC é um método útil na HDB, especialmente em sangramento ativo e volumoso, mas não é "primeira linha" em todos os pacientes. A colonoscopia continua sendo o exame inicial de escolha na maioria dos casos. A angio-TC é reservada para situações específicas, como instabilidade hemodinâmica ou quando a colonoscopia não está disponível ou é contraindicada. O erro está em superestimar seu papel como método inicial universal.

Gabarito: letra A

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