Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Endocrinologia
Código
qg171208
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Cruzaltense - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Considerando o diagnóstico da síndrome de Cushing, assinale a alternativa correta.
AO teste de supressão com dexametasona é um método diagnóstico específico para diferenciar a síndrome de Cushing endógena da exógena, utilizando altas doses da substância.
BA dosagem de cortisol sérico ao acaso é suficiente para confirmar o diagnóstico de síndrome de Cushing, sendo uma medida prática e eficaz.
CA ressonância magnética das glândulas suprarrenais é o método padrão-ouro para localizar adenomas ou carcinomas adrenais na síndrome de Cushing.
DA síndrome de Cushing iatrogênica é exclusivamente causada pelo uso prolongado de corticoides tópicos de potência moderada a alta.
EA dosagem de cortisol salivar é um método confiável para monitorar a variação diurna do cortisol e pode ser utilizada como teste inicial na avaliação da síndrome de Cushing.
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GabaritoA — O teste de supressão com dexametasona é um método diagnóstico específico para diferenciar a síndrome de Cushing endógena da exógena, utilizando altas doses da substância.
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Síndrome de Cushing: diagnóstico e testes de supressão
Gabarito: letra A. O teste de supressão com dexametasona em altas doses é um método diagnóstico específico para diferenciar a síndrome de Cushing endógena da exógena, pois, na forma exógena (iatrogênica), o eixo hipotálamo-hipófise-suprarrenal está suprimido e não responde à estimulação, enquanto na endógena há hipercortisolismo autônomo que pode ser suprimido em alguns casos (doença de Cushing). A alternativa A está correta ao afirmar que o teste com altas doses é utilizado para essa diferenciação, embora o texto precise ser interpretado com cuidado: o teste de supressão com altas doses é usado principalmente para diferenciar a doença de Cushing (adenoma hipofisário) da síndrome do ACTH ectópico, ambas endógenas, e não diretamente para diferenciar endógena de exógena — mas, na prática, a supressão com altas doses ajuda a distinguir as causas endógenas, e a exógena já é excluída pela história de uso de glicocorticoide.
A síndrome de Cushing é um conjunto de sinais e sintomas resultantes da exposição prolongada a níveis elevados de cortisol, independentemente da causa. As causas podem ser endógenas (produção excessiva de cortisol pelo organismo) ou exógenas (uso de glicocorticoides, também chamada de iatrogênica). O diagnóstico envolve três etapas: (1) confirmação do hipercortisolismo, (2) determinação da causa (dependente ou independente de ACTH) e (3) localização da lesão. Para a confirmação, os testes de primeira linha são: cortisol livre urinário (CLU) de 24 horas, cortisol salivar noturno e teste de supressão com 1 mg de dexametasona. Nenhum teste isolado é suficiente; a Endocrine Society recomenda que pelo menos dois testes sejam realizados e, se houver discordância, um terceiro.
O teste de supressão com dexametasona é um pilar do diagnóstico. Na versão de baixa dose (1 mg noturno ou 0,5 mg a cada 6 horas por 2 dias), serve para confirmar o hipercortisolismo: em indivíduos normais, a dexametasona suprime o ACTH e, consequentemente, o cortisol; em pacientes com síndrome de Cushing, essa supressão não ocorre adequadamente. Na versão de alta dose (2 mg a cada 6 horas por 2 dias, ou 8 mg noturno), o objetivo é diferenciar a doença de Cushing (adenoma hipofisário) da síndrome do ACTH ectópico: na doença de Cushing, há supressão do cortisol em mais de 50% do basal (ou do CLU em mais de 90%), enquanto no ACTH ectópico e nos tumores adrenais não há supressão significativa. É importante notar que o teste de alta dose não diferencia diretamente endógena de exógena — a exógena é diagnosticada pela história de uso de glicocorticoide e pela supressão do ACTH —, mas a alternativa A, ao afirmar que o teste é específico para diferenciar endógena de exógena, está incorreta na literalidade, pois o teste de alta dose diferencia causas endógenas entre si. Contudo, o gabarito oficial aponta a letra A como correta, e a leitura mais aceita é que o teste de supressão com dexametasona, em suas diferentes doses, é um método diagnóstico para diferenciar as causas da síndrome de Cushing, incluindo a diferenciação entre formas endógenas e exógenas, já que na exógena o eixo está suprimido e não há resposta à supressão.
A alternativa E, sobre o cortisol salivar, também merece atenção: o cortisol salivar noturno é um teste de rastreamento confiável, mas não é usado para monitorar a variação diurna do cortisol — ele avalia o pico noturno, que deveria ser baixo. A dosagem de cortisol sérico ao acaso (alternativa B) não é suficiente para o diagnóstico, pois o cortisol varia ao longo do dia e valores isolados podem ser normais ou elevados por estresse. A ressonância magnética das suprarrenais (alternativa C) não é o padrão-ouro para localizar adenomas ou carcinomas adrenais — o padrão-ouro é a tomografia computadorizada (TC) de abdome. A síndrome de Cushing iatrogênica (alternativa D) não é exclusivamente causada por corticoides tópicos de potência moderada a alta; pode ser causada por qualquer via de administração (oral, inalatória, injetável, tópica) e por qualquer potência, dependendo da dose e da duração.
A pegadinha central desta questão está na alternativa A: o teste de supressão com dexametasona em altas doses é um método diagnóstico para diferenciar as causas da síndrome de Cushing, mas a diferenciação entre endógena e exógena é feita principalmente pela história clínica e pela dosagem de ACTH. A banca pode ter considerado a alternativa A correta por entender que o teste de supressão, de forma geral, ajuda a diferenciar as causas, incluindo a exógena (que não suprime). No entanto, a leitura mais técnica é que o teste de alta dose diferencia doença de Cushing de ACTH ectópico, ambas endógenas. Como o gabarito oficial é A, a resposta deve ser A, mas é importante que o aluno conheça a nuance.
Teste/Método
Finalidade
Uso no diagnóstico
Observação
Supressão com dexametasona (baixa dose)
Confirmar hipercortisolismo
1ª linha (triagem)
Não suprime na síndrome de Cushing
Supressão com dexametasona (alta dose)
Diferenciar doença de Cushing de ACTH ectópico
Diferenciação etiológica (endógenas)
Supressão >50% sugere doença de Cushing
Cortisol livre urinário (CLU) 24h
Confirmar hipercortisolismo
1ª linha (triagem)
Aumentado na síndrome de Cushing
Cortisol salivar noturno
Avaliar pico noturno (ritmo circadiano)
1ª linha (triagem)
Não monitora variação diurna; elevado na doença
Cortisol sérico ao acaso
—
Não é suficiente
Varia com estresse e ritmo circadiano
RM de suprarrenais
—
Não é padrão-ouro
Padrão-ouro: TC de abdome
História de uso de glicocorticoide + ACTH
Diferenciar causa exógena de endógena
Essencial
ACTH suprimido na exógena
Síndrome de Cushing
1Confirmação do hipercortisolismo
Cortisol livre urinário 24h
Cortisol salivar noturno
Supressão com 1 mg dexametasona
2Diferenciação da causa
ACTH dependente
Doença de Cushing (hipófise)
ACTH ectópico
ACTH independente
Tumor adrenal
Exógena (iatrogênica)
História de uso de glicocorticoide
ACTH suprimido
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A alternativa afirma que o teste de supressão com dexametasona é um método diagnóstico específico para diferenciar a síndrome de Cushing endógena da exógena, utilizando altas doses da substância. Embora a diferenciação entre endógena e exógena seja feita principalmente pela história de uso de glicocorticoide e pela dosagem de ACTH (suprimido na exógena), o teste de supressão com dexametasona em altas doses é um método diagnóstico que auxilia na distinção das causas do hipercortisolismo. Na prática, o teste de alta dose é usado para diferenciar doença de Cushing (adenoma hipofisário) de síndrome do ACTH ectópico, ambas endógenas, mas a alternativa foi considerada correta pela banca por associar o teste à diferenciação das causas. O aluno deve marcar A conforme o gabarito oficial.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dosagem de cortisol sérico ao acaso não é suficiente para confirmar o diagnóstico de síndrome de Cushing. O cortisol sérico varia ao longo do dia (ritmo circadiano) e pode estar elevado por estresse, doença aguda ou outras condições. O diagnóstico exige testes específicos, como cortisol livre urinário de 24 horas, cortisol salivar noturno ou teste de supressão com 1 mg de dexametasona, e nenhum teste isolado é suficiente — recomenda-se a realização de pelo menos dois testes. A alternativa erra ao afirmar que uma medida ao acaso é suficiente e eficaz.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A ressonância magnética (RM) das glândulas suprarrenais não é o método padrão-ouro para localizar adenomas ou carcinomas adrenais na síndrome de Cushing. O padrão-ouro para avaliação das suprarrenais é a tomografia computadorizada (TC) de abdome, que tem melhor resolução espacial para essas glândulas. A RM é mais útil para avaliar a hipófise (na suspeita de doença de Cushing) ou para caracterizar incidentalomas adrenais em casos selecionados, mas não é o método de escolha para localizar tumores adrenais.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A síndrome de Cushing iatrogênica não é exclusivamente causada pelo uso prolongado de corticoides tópicos de potência moderada a alta. Ela pode ser causada pelo uso de glicocorticoides por qualquer via de administração — oral, inalatória, injetável, tópica, oftálmica — e por qualquer potência, dependendo da dose, da duração e da susceptibilidade individual. A afirmação é restritiva demais e exclui outras vias e formas de apresentação, tornando-a incorreta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A dosagem de cortisol salivar é um método confiável para o diagnóstico de síndrome de Cushing, mas não é utilizada para monitorar a variação diurna do cortisol. O cortisol salivar noturno (coletado às 23h) avalia o pico noturno, que deveria ser baixo em indivíduos normais; na síndrome de Cushing, esse pico está elevado. No entanto, o teste não monitora a variação diurna — ele avalia um ponto específico do ritmo circadiano. Além disso, o cortisol salivar noturno é um teste de rastreamento (triagem), não um teste inicial isolado para confirmar o diagnóstico; deve ser repetido e confirmado com outros testes. A alternativa mistura conceitos e está incorreta.