Questão de Medicina — Doenças Infecto-Parasitárias — FUNDATEC 2024
Medicina›Doenças Infecto-Parasitárias
Código
qg171440
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Dona Francisca - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Um paciente com tuberculose pulmonar, que estava em tratamento com o esquema padrão há 40 dias (rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol), interrompeu a medicação por 37 dias. Durante a consulta de retorno, estava assintomático, sem alterações no exame físico. Considerando as diretrizes atuais para manejo de abandono de tratamento, qual é a conduta mais adequada para esse paciente?
ASolicitar baciloscopia e cultura de escarro para avaliar possível resistência e, caso positiva, iniciar tratamento para tuberculose multirresistente.
BReiniciar o tratamento padrão desde o início e orientar o paciente sobre a importância do tratamento supervisionado, visando garantir a adesão.
CRetomar o tratamento no ponto em que foi interrompido, completando a duração total do esquema inicial, sem reinício.
DAguardar o resultado de um novo teste tuberculínico (PPD) para avaliar se o paciente permanece infectado, antes de reiniciar o tratamento.
EModificar o esquema inicial, incluindo drogas de segunda linha, devido ao risco elevado de resistência após abandono prolongado.
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GabaritoB — Reiniciar o tratamento padrão desde o início e orientar o paciente sobre a importância do tratamento supervisionado, visando garantir a adesão.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Tuberculose: manejo do abandono de tratamento
Gabarito: letra B. O paciente interrompeu o tratamento por 37 dias, o que configura abandono (interrupção ≥ 30 dias). A conduta correta é reiniciar o esquema básico desde o início, com tratamento diretamente observado (TDO) para garantir adesão. As diretrizes do Ministério da Saúde definem abandono como interrupção por período igual ou superior a 30 dias, e o reinício do esquema desde o início é a recomendação padrão nesses casos.
O abandono de tratamento é um dos maiores desafios no controle da tuberculose. A definição técnica, segundo as diretrizes brasileiras, é a interrupção do tratamento por período igual ou superior a 30 dias após a data prevista para o retorno (no tratamento autoadministrado) ou 30 dias após a última dose (no tratamento supervisionado). No caso apresentado, o paciente interrompeu por 37 dias, portanto, tecnicamente, abandonou o tratamento.
A lógica por trás do reinício desde o início é a seguinte: quando o paciente abandona, não se pode garantir que ele tomou as doses de forma adequada e contínua, o que compromete a efetividade do esquema e aumenta o risco de seleção de bacilos resistentes. Recomeçar o esquema completo (2 meses de RHZE + 4 meses de RH) garante que o paciente receba a dose total de medicamentos necessária para a cura, minimizando o risco de falência terapêutica e de desenvolvimento de resistência.
O tratamento diretamente observado (TDO) é a principal estratégia para prevenir novos abandonos. Consiste na observação da tomada da medicação por um profissional de saúde ou por um familiar treinado, garantindo a adesão ao tratamento. O TDO é recomendado para todos os pacientes com tuberculose, mas é especialmente importante naqueles com histórico de abandono.
A distinção crucial aqui é entre abandono e retratamento. O abandono é a interrupção do tratamento por ≥ 30 dias, e a conduta é reiniciar o esquema desde o início. Já o retratamento é indicado para pacientes que tiveram recidiva (nova doença após cura) ou que falharam ao tratamento anterior, e nesses casos o esquema pode ser diferente, com a inclusão de drogas de segunda linha, dependendo do teste de sensibilidade. A banca explora exatamente essa confusão: o paciente que abandonou não é um caso de retratamento, e sim de reinício do esquema básico.
Outro ponto que merece destaque é que o paciente está assintomático e sem alterações no exame físico. Isso não muda a conduta, pois a decisão de reiniciar o tratamento não depende da presença de sintomas, mas sim do fato de o paciente ter abandonado o esquema. A baciloscopia de escarro pode ser solicitada para avaliar a necessidade de isolamento respiratório e para monitorar a resposta ao tratamento, mas não é um pré-requisito para reiniciar o esquema.
Guarde a fronteira entre abandono (reinício do esquema desde o início) e retratamento (esquema especial para recidiva ou falência): é exatamente nela que as alternativas se dividem.
1Interrupção ≥ 30 dias
2Configura abandono
3Reiniciar esquema desde o início
4TDO para garantir adesão
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Sugere solicitar baciloscopia e cultura para avaliar resistência e, se positiva, iniciar tratamento para TB multirresistente. Isso seria indicado em caso de falência terapêutica ou retratamento, não em caso de abandono. O paciente abandonou o tratamento, mas não há evidência de resistência. A conduta correta é reiniciar o esquema básico, não partir diretamente para esquema de segunda linha. A baciloscopia pode ser útil para avaliar a contagiosidade, mas não é o que define a conduta.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reiniciar o tratamento padrão desde o início e orientar sobre o tratamento supervisionado é exatamente o que preconizam as diretrizes. O paciente abandonou o tratamento por 37 dias (≥ 30 dias), configurando abandono. A conduta é reiniciar o esquema RHZE (2 meses) + RH (4 meses) desde o início, com TDO para garantir a adesão e prevenir novo abandono. O TDO é a principal ferramenta para assegurar a conclusão do tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Retomar o tratamento no ponto em que foi interrompido, completando a duração total, é uma conduta incorreta. Após um abandono de ≥ 30 dias, não se pode garantir a efetividade das doses já tomadas, e o risco de resistência aumenta. A recomendação é reiniciar o esquema desde o início, não retomar de onde parou. Essa alternativa confunde abandono com uma simples pausa no tratamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Aguardar o resultado de um novo PPD para avaliar se o paciente permanece infectado é desnecessário e atrasa o tratamento. O paciente já tem diagnóstico de tuberculose pulmonar e estava em tratamento. O PPD é usado para diagnóstico de infecção latente (ILTB), não para reavaliar um paciente com TB ativa em tratamento. A conduta é reiniciar o esquema imediatamente, sem aguardar exames complementares.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Modificar o esquema inicial, incluindo drogas de segunda linha, devido ao risco de resistência, é uma conduta incorreta. O abandono, por si só, não indica resistência. A suspeita de TB multirresistente (TBMR) surge quando há falência terapêutica, contato com caso de TBMR ou quando o teste de sensibilidade confirma a resistência. Neste caso, o paciente abandonou o tratamento, mas não há evidência de resistência, portanto, o esquema básico deve ser reiniciado. A troca para drogas de segunda linha seria precipitada e inadequada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir o candidato ao associar o abandono prolongado ao risco de resistência (alternativa E) ou ao sugerir a retomada do tratamento de onde parou (alternativa C). O abandono é definido como interrupção ≥ 30 dias, e a conduta é reiniciar o esquema desde o início, com TDO. A resistência não é presumida pelo abandono; ela é investigada em casos de falência ou retratamento.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de tuberculose, memorize os conceitos-chave: abandono (interrupção ≥ 30 dias → reiniciar esquema desde o início), recidiva (nova doença após cura → retratamento), falência (persistência de bacilos após 4 meses de tratamento → testar sensibilidade). O TDO é sempre a estratégia para garantir adesão.