Questão de Medicina — Endocrinologia — FUNDATEC 2024
- Código
- qg171441
- Banca
- FUNDATEC
- Órgão
- Prefeitura de Dona Francisca - RS
- Ano
- 2024
- Nível
- Superior
- Cargo
- Médico
- AV – V – F – V.
- BF – F – V – F.
- CV – F – F – V.
- DF – V – V – F.
- EV – V – V – F.
GabaritoE — V – V – V – F.
Gabarito: letra E — sequência V – V – V – F. As três primeiras assertivas estão corretas: não há indicação de rastreamento populacional com TSH em assintomáticos ou gestantes de baixo risco; ecografia e T3 não são necessários no diagnóstico/acompanhamento do hipotireoidismo primário; e o TSH deve ser solicitado em gestantes com suspeita clínica, DM tipo 1 ou história pessoal/familiar de doença tireoidiana. A quarta assertiva é falsa porque o hipotireoidismo subclínico cursa com TSH elevado e T4 livre normal (não diminuído).
O hipotireoidismo é a doença tireoidiana mais comum, definido pela deficiência de produção dos hormônios tireoidianos circulantes. Sua forma mais prevalente é a primária, causada pela falência da própria glândula (95% dos casos), sendo a tireoidite de Hashimoto a principal etiologia em áreas com suprimento adequado de iodo. O diagnóstico é essencialmente laboratorial, baseado na dosagem do TSH, que é o exame de maior sensibilidade para avaliação inicial da função tireoidiana — tanto para hipotireoidismo quanto para hipertireoidismo.
O rastreamento populacional com TSH não é encorajado por estudos de base populacional. Contudo, subgrupos específicos se beneficiam da dosagem: mulheres com idade > 50 anos ou no início da gestação, familiares de primeiro grau de pacientes com doença autoimune da tireoide, pacientes com dislipidemia, doença cardiovascular, arritmias (fibrilação atrial) e doenças psiquiátricas. Também é útil em pacientes em uso de medicamentos que alteram a função tireoidiana, como amiodarona, interferon-α e carbonato de lítio.
No hipotireoidismo primário, o TSH encontra-se elevado e o T4 livre diminuído. A dosagem de T3 não está indicada na avaliação rotineira, pois os níveis de T3 livre permanecem normais em cerca de 25% dos pacientes, devido a respostas adaptativas das desiodinases. A ecografia de tireoide não é necessária para o diagnóstico, sendo reservada para avaliação de nódulos ou suspeita de outras etiologias.
Na gestação, o rastreamento de rotina não é recomendado, mas há indicações específicas: suspeita clínica, DM tipo 1, história pessoal ou familiar de doença tireoidiana, entre outras. O hipotireoidismo subclínico é definido por TSH elevado com T4 livre normal — a distinção entre hipotireoidismo clínico e subclínico é justamente o valor do T4 livre.
Guarde a fronteira entre hipotireoidismo clínico e subclínico: é exatamente nela que a quarta assertiva se divide — e é o critério que separa as alternativas.
Critério | Hipotireoidismo Subclínico | Hipotireoidismo Clínico (Declarado) |
|---|---|---|
TSH | Elevado | Elevado |
T4 livre | Normal | Diminuído |
Padrão laboratorial | Apenas TSH alterado | TSH e T4 livre alterados |
Correta. Estudos de base populacional não encorajam o rastreamento da população em geral com TSH, e o rastreamento de rotina em gestantes de baixo risco também não está indicado. A dosagem é reservada para subgrupos de risco ou suspeita clínica.
Correta. No hipotireoidismo primário, o diagnóstico é feito pela dosagem de TSH e T4 livre. A ecografia de tireoide não é necessária para diagnóstico ou acompanhamento, sendo útil apenas em casos específicos (nódulos, suspeita de malignidade). A dosagem de T3 também não está indicada, pois permanece normal em cerca de 25% dos pacientes.
Correta. Em gestantes, o TSH deve ser solicitado quando há suspeita clínica, DM tipo 1 ou história pessoal/familiar de doença tireoidiana. O rastreamento universal não é recomendado, mas essas situações específicas justificam a dosagem.
Incorreta. O hipotireoidismo subclínico é caracterizado por TSH persistentemente elevado e T4 livre normal (ou T4 total normal). A diminuição do T4 livre caracteriza o hipotireoidismo clínico (declarado). A assertiva troca o padrão laboratorial do subclínico pelo do clínico.
A banca inverte o padrão laboratorial do hipotireoidismo subclínico: afirma que o T4 livre está diminuído, quando na verdade está normal. O candidato que confunde subclínico com clínico cai na armadilha. Lembre-se: subclínico = TSH alto + T4 livre normal; clínico = TSH alto + T4 livre baixo.
Para fixar, monte uma tabela mental comparando os dois padrões: no subclínico, apenas o TSH está alterado; no clínico, tanto TSH quanto T4 livre estão alterados. Essa distinção é clássica em provas de endocrinologia.
Gabarito: letra E — sequência V – V – V – F.
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