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Questão de Medicina — Nefrologia — FUNDATEC 2024

MedicinaNefrologia
Código
qg172518
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Itaara - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico
Qual das seguintes alternativas sobre transplante renal é correta?
  1. AA sobrevida do enxerto renal é influenciada por fatores como idade do receptor, tipo de doador e ocorrência de rejeições agudas.
  2. BA rejeição hiperaguda no transplante renal ocorre dias a semanas após o procedimento e é mediada por anticorpos pré-formados.
  3. CO transplante renal de doador vivo relacionado é mais susceptível à rejeição do enxerto devido à maior disparidade genética entre o doador e o receptor.
  4. DO uso de imunossupressores no pós-transplante renal aumenta o risco de infecções, mas não está associado ao desenvolvimento de neoplasias.
  5. EA nefropatia crônica do enxerto é uma complicação tardia comum após o transplante renal e geralmente não requer tratamento imediato.
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GabaritoA — A sobrevida do enxerto renal é influenciada por fatores como idade do receptor, tipo de doador e ocorrência de rejeições agudas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Transplante renal: fatores prognósticos e complicações

Gabarito: letra A. A sobrevida do enxerto renal é, de fato, influenciada por fatores como idade do receptor, tipo de doador (falecido ou vivo) e ocorrência de rejeições agudas — esses são determinantes clássicos do prognóstico pós-transplante. As demais alternativas contêm erros conceituais importantes sobre rejeição, imunossupressão e nefropatia crônica do enxerto, que serão detalhados a seguir.

O transplante renal é o tratamento de escolha para a doença renal crônica avançada, e a sobrevida do enxerto depende de uma complexa interação entre fatores do doador, do receptor e do manejo imunossupressor. A idade do receptor é um fator prognóstico relevante: receptores mais jovens tendem a ter melhor sobrevida do enxerto, enquanto extremos de idade (muito jovens ou muito idosos) podem apresentar piores desfechos. O tipo de doador é outro determinante crucial — enxertos de doadores vivos, especialmente os relacionados, apresentam melhor sobrevida em comparação aos de doadores falecidos, devido à menor isquemia fria e à possibilidade de planejamento cirúrgico. A ocorrência de rejeições agudas, por sua vez, é um dos principais preditores de pior sobrevida do enxerto em longo prazo, pois episódios de rejeição aguda podem levar à perda progressiva de néfrons e ao desenvolvimento de fibrose intersticial.

A rejeição é a principal barreira imunológica ao transplante, e sua classificação temporal e mecanística é fundamental para o manejo. A rejeição hiperaguda ocorre em minutos a horas após a reperfusão do enxerto, mediada por anticorpos pré-formados contra antígenos do doador (ABO incompatível ou anticorpos anti-HLA). A rejeição aguda, por sua vez, ocorre dias a semanas após o transplante e pode ser mediada por células T (rejeição celular aguda) ou por anticorpos (rejeição mediada por anticorpos). A rejeição crônica, também chamada de nefropatia crônica do enxerto, é uma complicação tardia, que se manifesta meses a anos após o transplante, caracterizada por fibrose intersticial, atrofia tubular e vasculopatia.

A imunossupressão pós-transplante é essencial para prevenir a rejeição, mas tem efeitos colaterais significativos. O uso de imunossupressores aumenta o risco de infecções oportunistas e também está associado ao desenvolvimento de neoplasias, especialmente linfomas (doença linfoproliferativa pós-transplante), carcinomas de pele e tumores de órgãos sólidos. Essa associação é bem estabelecida e decorre da supressão da vigilância imunológica contra células tumorais. A nefropatia crônica do enxerto, por sua vez, é uma complicação tardia comum, mas requer tratamento imediato e agressivo, incluindo otimização da imunossupressão, controle de fatores de risco cardiovascular e, em casos selecionados, mudança do esquema imunossupressor.

A banca explora a confusão entre os tipos de rejeição e os efeitos da imunossupressão. A alternativa B inverte o tempo da rejeição hiperaguda (que é imediata, não dias a semanas), a alternativa C inverte a relação entre disparidade genética e rejeição (doador vivo relacionado tem MENOR disparidade e MENOR risco de rejeição), a alternativa D nega a associação entre imunossupressores e neoplasias (que é real), e a alternativa E subestima a gravidade da nefropatia crônica do enxerto (que requer tratamento imediato). A alternativa A, por sua vez, é uma afirmação geral e correta sobre os fatores que influenciam a sobrevida do enxerto.

1Hiperaguda
minutos a horas
anticorpos pré-formados
2Aguda
dias a semanas
células T ou anticorpos
3Crônica (nefropatia do enxerto)
meses a anos
fibrose e atrofia tubular
Rejeição no transplante renal
LEVELsoulevel.com.br
Rejeição no transplante renal: Hiperaguda (minutos a horas, anticorpos pré-formados); Aguda (dias a semanas, células T ou anticorpos); Crônica (nefropatia do enxerto) (meses a anos, fibrose e atrofia tubular)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A afirmação está correta. A sobrevida do enxerto renal é influenciada por múltiplos fatores, incluindo a idade do receptor (receptores mais jovens têm melhor prognóstico), o tipo de doador (doador vivo tem melhor sobrevida que doador falecido) e a ocorrência de rejeições agudas (episódios de rejeição aguda pioram a sobrevida em longo prazo). Esses são fatores prognósticos bem estabelecidos na literatura de transplante renal.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A rejeição hiperaguda ocorre em minutos a horas após a reperfusão do enxerto, não dias a semanas. Ela é mediada por anticorpos pré-formados contra antígenos do doador (anti-HLA ou anti-ABO), que se ligam ao endotélio vascular e ativam o complemento, levando à trombose e à necrose do enxerto. O prazo de dias a semanas é característico da rejeição aguda, que pode ser celular ou mediada por anticorpos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O transplante de doador vivo relacionado é menos susceptível à rejeição, não mais. Isso ocorre porque há menor disparidade genética (HLA) entre doador e receptor, além de menor tempo de isquemia fria e melhor planejamento cirúrgico. A maior disparidade genética é característica de doadores falecidos ou não relacionados, que apresentam maior risco de rejeição.

Alternativa D — ❌ Incorreta

O uso de imunossupressores aumenta o risco de infecções, mas também está associado ao desenvolvimento de neoplasias. A imunossupressão crônica reduz a vigilância imunológica contra células tumorais, aumentando o risco de linfomas (doença linfoproliferativa pós-transplante), carcinomas de pele e tumores de órgãos sólidos. Essa associação é bem documentada e faz parte do perfil de efeitos adversos dos imunossupressores.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A nefropatia crônica do enxerto é uma complicação tardia comum, mas requer tratamento imediato. O manejo inclui otimização da imunossupressão (possivelmente mudança de esquema), controle rigoroso de pressão arterial, glicemia e lipidemia, e tratamento de fatores que aceleram a perda de função renal. A afirmação de que "geralmente não requer tratamento imediato" é incorreta e perigosa, pois a intervenção precoce é essencial para preservar a função do enxerto.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os tipos de rejeição e os efeitos da imunossupressão. Na alternativa B, troca o tempo da rejeição hiperaguda (minutos a horas) pelo da rejeição aguda (dias a semanas). Na alternativa C, inverte a relação entre disparidade genética e risco de rejeição. Na alternativa D, nega a associação entre imunossupressores e neoplasias, que é real. Na alternativa E, subestima a gravidade da nefropatia crônica do enxerto. Com treino, você identifica essas inversões de longe 💪

Gabarito: letra A

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