Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — FUNDATEC 2024
Medicina›Distúrbios Nutricionais
Código
qg172728
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Jari - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral 8 e 16 Horas
Qual das seguintes manifestações clínicas é menos associada à deficiência de vitamina C?
AEscorbuto.
BSangramento gengival.
CHiperpigmentação cutânea.
DAumento da suscetibilidade a infecções.
ENeuropatia periférica.
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GabaritoC — Hiperpigmentação cutânea.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Deficiência de vitamina C: manifestações clínicas
Gabarito: letra E. A neuropatia periférica é a manifestação menos associada à deficiência de vitamina C (ácido ascórbico), pois o quadro clássico do escorbuto envolve principalmente alterações do colágeno — sangramento gengival, petéquias, equimoses e hiperpigmentação cutânea — além de maior suscetibilidade a infecções. A neuropatia periférica é típica de outras carências, como as de tiamina (beribéri seco), vitamina B12 e cobre, não sendo um achado característico da hipovitaminose C.
A vitamina C (ácido ascórbico) é um micronutriente hidrossolúvel com função reguladora e antioxidante, essencial para a síntese de colágeno, a cicatrização de feridas e a função imunológica. A deficiência grave e prolongada leva ao escorbuto, doença historicamente associada a marinheiros em longas viagens sem frutas cítricas. O mecanismo central é a alteração na hidroxilação do colágeno, o que fragiliza vasos sanguíneos, gengivas, pele e tecidos de sustentação. Por isso, as manifestações mais características são hemorrágicas: sangramento gengival, petéquias, equimoses e hemorragias perifoliculares. A hiperpigmentação cutânea também pode ocorrer, especialmente em áreas de atrito, e a imunidade comprometida aumenta a suscetibilidade a infecções. Já a neuropatia periférica — com parestesias, fraqueza e alterações de marcha — não integra o espectro clássico do escorbuto; ela remete a deficiências de vitaminas do complexo B (especialmente tiamina e B12) e de cobre.
O material de apoio confirma essa distinção ao listar as manifestações associadas à deficiência de vitamina C:
Avaliação Clínica Nutrológica (Marchini et al.):
"Sangramento gengival e hemorragias perifoliculares ocorrem por deficiência de vitamina C" e "as hemorragias gengivais e cutâneas ocorrem por deficiência de ácido ascórbico".
E, ao tratar do escorbuto, reforça:
Distúrbios nutricionais e metabólicos:
"O escorbuto, deficiência de vitamina C, caracteriza-se clinicamente por fraqueza e irritabilidade (secundária à diminuição da produção de neurotransmissores), sangramento e inflamação digestiva, gengival e cutânea (por alteração na síntese do colágeno)."
Já a neuropatia periférica aparece associada a outras deficiências, como se vê na tabela de manifestações clínicas:
Manifestações clínicas de deficiências de nutrientes específicos:
"Neuropatias periféricas, anormalidades da marcha, fraqueza, fadiga — Cobre" e "Disfunção motora/sensitiva simétrica, ataxia, nistagmo, insuficiência cardíaca, alterações do estado mental ou confusão — Tiamina (beribéri)".
A pegadinha da questão está em reconhecer que a hiperpigmentação cutânea, embora menos lembrada, é de fato uma manifestação possível do escorbuto — ela aparece em áreas de atrito e em membros inferiores, relacionada à fragilidade capilar e ao extravasamento de hemácias que deixam depósitos de hemossiderina. O candidato que associa hiperpigmentação apenas a outras carências (como pelagra, por deficiência de niacina) pode marcar a letra C, mas o gabarito é a letra E, pois a neuropatia periférica é a única que não faz parte do quadro clássico da hipovitaminose C.
Deficiência de vitamina C (escorbuto): Mecanismo (Alteração na hidroxilação do colágeno, Fragilidade vascular); Manifestações típicas (Sangramento gengival, Petéquias e equimoses, Hemorragias perifoliculares, Hiperpigmentação cutânea, Suscetibilidade a infecções); Manifestações ausentes (Neuropatia periférica (típica de B1, B12, cobre))
Alternativa A — ❌ Incorreta
O escorbuto é a doença clássica da deficiência de vitamina C. O próprio material de apoio relaciona diretamente: "Ácido ascórbico — Escorbuto" na tabela de nutrientes e doenças. Portanto, é uma manifestação fortemente associada, não a menos associada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O sangramento gengival é um dos sinais mais característicos do escorbuto, decorrente da fragilidade dos vasos pela alteração na síntese de colágeno. O texto de apoio afirma: "Sangramento gengival e hemorragias perifoliculares ocorrem por deficiência de vitamina C". É manifestação típica, não a menos associada.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A hiperpigmentação cutânea pode ocorrer no escorbuto, especialmente em áreas de atrito e membros inferiores, por extravasamento de hemácias e depósito de hemossiderina. Embora menos lembrada que o sangramento, é uma manifestação reconhecida da deficiência de vitamina C. O candidato que a considera exclusiva de outras carências (como pelagra) pode se confundir, mas ela não é a menos associada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A vitamina C participa da função imunológica, e sua deficiência aumenta a suscetibilidade a infecções. O material de apoio menciona que a imunidade comprometida é parte do quadro. Portanto, é manifestação associada, não a menos associada.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A neuropatia periférica — com parestesias, fraqueza, alterações de marcha e diminuição de reflexos — não integra o espectro clássico do escorbuto. Ela é típica de deficiências de tiamina (beribéri seco), vitamina B12 e cobre, como mostra a tabela de manifestações clínicas do material de apoio. É a única alternativa que não corresponde ao quadro da hipovitaminose C, sendo a menos associada.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre hiperpigmentação cutânea e outras carências vitamínicas. Muitos candidatos marcam a letra C por associarem hiperpigmentação apenas à pelagra (niacina), mas a hiperpigmentação também ocorre no escorbuto. A neuropatia periférica, por outro lado, é inequivocamente de outras deficiências — é a resposta correta. Fique atento: no escorbuto, o que domina são as manifestações hemorrágicas e de fragilidade do colágeno, não as neurológicas.
PEGA ESSA DICA!
Para questões de hipovitaminoses, monte um quadro mental associando cada vitamina à sua manifestação mais característica: C → sangramento gengival/equimoses; B1 (tiamina) → beribéri (neuropatia periférica); B3 (niacina) → pelagra (dermatite, diarreia, demência); B12 → neuropatia + anemia megaloblástica; D → raquitismo/osteomalacia; A → xeroftalmia/cegueira noturna; K → sangramento por deficiência de protrombina. Assim, você elimina rapidamente as alternativas que não pertencem ao quadro da vitamina em questão.
Gabarito: letra E — a neuropatia periférica é a manifestação menos associada à deficiência de vitamina C.