Questão de Medicina — Gastroenterologia — FUNDATEC 2024
Medicina›Gastroenterologia
Código
qg172729
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Jari - RS
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico Clínico Geral 8 e 16 Horas
Qual dos seguintes fatores de risco NÃO está associado ao desenvolvimento de colelitíase?
AObesidade.
BSer do sexo feminino.
CDiabetes melito tipo 1.
DUso de contraceptivos orais.
EIdade avançada.
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GabaritoC — Diabetes melito tipo 1.
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Colelitíase: fatores de risco
Gabarito: letra C. O diabetes melito tipo 1 (DM1) não é um fator de risco clássico para o desenvolvimento de colelitíase; o fator de risco associado é o diabetes melito tipo 2 (DM2), principalmente por mecanismos ligados à resistência à insulina e à síndrome metabólica. As demais alternativas (obesidade, sexo feminino, uso de contraceptivos orais e idade avançada) são fatores de risco bem estabelecidos, conforme a literatura médica e o conteúdo de apoio.
A colelitíase é a formação de cálculos biliares, condição que afeta 10 a 15% da população adulta. Os cálculos são classificados em dois tipos principais: os de colesterol (cerca de 75% dos casos) e os pigmentados (pretos ou marrons, compostos por bilirrubinato de cálcio). A patogênese dos cálculos de colesterol envolve três fatores centrais: a supersaturação de colesterol na bile, a nucleação (cristalização do colesterol) e a hipomotilidade da vesícula biliar. Esses mecanismos são influenciados por fatores genéticos, dietéticos e metabólicos.
Os fatores de risco para colelitíase são múltiplos e bem documentados. O sexo feminino é um fator de risco importante, com uma relação mulher/homem de 2 a 4:1, especialmente em idade reprodutiva, devido à influência dos hormônios sexuais (estrogênio e progesterona) que aumentam a saturação de colesterol na bile e reduzem a motilidade vesicular. A obesidade também é um fator de risco clássico, pois aumenta a síntese e a excreção de colesterol na bile, favorecendo a supersaturação. A idade avançada está associada ao aumento da prevalência, pois com o envelhecimento há maior excreção de colesterol biliar e redução da síntese de ácidos biliares. O uso de contraceptivos orais, assim como a terapia de reposição hormonal, aumenta o risco por mecanismos hormonais semelhantes aos da gravidez.
O diabetes melito é citado como fator de risco, mas é importante distinguir os tipos. O DM2, frequentemente associado à obesidade, resistência à insulina e dislipidemia, é um fator de risco bem estabelecido. A resistência à insulina aumenta a saturação de colesterol na bile e reduz a motilidade da vesícula biliar. Já o DM1, doença autoimune caracterizada pela destruição das células beta pancreáticas e deficiência absoluta de insulina, não é classicamente listado como fator de risco independente para colelitíase. A associação do DM1 com colelitíase não é direta, e a literatura médica não o inclui entre os fatores de risco clássicos.
A pegadinha desta questão está na generalização do termo "diabetes melito" como fator de risco, sem especificar o tipo. O candidato que sabe que diabetes é fator de risco pode marcar a alternativa C como correta (ou seja, como fator de risco), mas a questão pede o fator que NÃO está associado. O DM1, por suas características fisiopatológicas distintas, não se enquadra como fator de risco clássico, ao contrário do DM2.
Guarde a distinção entre DM1 e DM2: é exatamente nela que esta questão se resolve. O DM2 está associado à colelitíase por mecanismos metabólicos (resistência à insulina, obesidade, dislipidemia), enquanto o DM1 não apresenta essa associação clássica.
Fatores de risco para colelitíase: Sexo feminino (2–4:1); Obesidade; Idade avançada; Contraceptivos orais; Diabetes melito tipo 2; Diabetes melito tipo 1 (não é fator clássico)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A obesidade é um fator de risco bem estabelecido para colelitíase. O tecido adiposo aumentado leva à maior síntese de colesterol e à supersaturação biliar, além de estar associada à resistência à insulina e à hipomotilidade vesicular. Portanto, a obesidade está associada ao desenvolvimento de colelitíase, não sendo a resposta correta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O sexo feminino é um fator de risco clássico, com relação mulher/homem de 2 a 4:1. Os hormônios sexuais femininos (estrogênio e progesterona) aumentam a saturação de colesterol na bile e reduzem a contratilidade da vesícula biliar, favorecendo a formação de cálculos. Portanto, ser do sexo feminino está associado ao desenvolvimento de colelitíase.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diabetes melito tipo 1 não é um fator de risco clássico para colelitíase. O DM1 é uma doença autoimune com deficiência absoluta de insulina, sem a associação metabólica (resistência à insulina, obesidade, dislipidemia) que caracteriza o DM2 e que está ligada à litogênese biliar. A literatura médica lista o diabetes melito (especialmente o tipo 2) como fator de risco, mas não o DM1 especificamente. Portanto, esta é a alternativa que NÃO está associada ao desenvolvimento de colelitíase.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O uso de contraceptivos orais é um fator de risco para colelitíase. Os estrogênios presentes nos contraceptivos aumentam a saturação de colesterol na bile e reduzem a motilidade da vesícula biliar, mecanismos que favorecem a formação de cálculos. Portanto, o uso de contraceptivos orais está associado ao desenvolvimento de colelitíase.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A idade avançada é um fator de risco para colelitíase. Com o envelhecimento, há aumento da excreção de colesterol na bile e redução da síntese de ácidos biliares, o que favorece a supersaturação e a formação de cálculos. A prevalência de colelitíase aumenta progressivamente com a idade. Portanto, a idade avançada está associada ao desenvolvimento de colelitíase.
Gabarito: letra C — o diabetes melito tipo 1 é o fator que NÃO está associado ao desenvolvimento de colelitíase.