Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2024
Medicina›Clínica Médica Humana
Código
qg173800
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Monte Castelo - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínico Geral
NÃO é considerado fator exacerbador de uma hipertrigliceridemia familiar:
AConsumo de álcool.
BTabagismo.
CDiabetes melito.
DUso de contraceptivos orais.
EHipotireoidismo.
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GabaritoB — Tabagismo.
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Gabarito: letra B. O tabagismo não é considerado fator exacerbador da hipertrigliceridemia familiar; os fatores que exacerbam essa condição são o consumo de álcool, o diabetes melito, o uso de contraceptivos orais (estrogênio) e o hipotireoidismo. A base para essa resposta está na fisiopatologia da doença, que envolve a superprodução de VLDL hepática, e nos fatores secundários que aumentam a VLDL, como descrito na literatura médica.
A hipertrigliceridemia familiar é uma condição genética, de herança autossômica dominante, caracterizada pela superprodução de VLDL hepática. O defeito ou a mutação exata não são conhecidos, mas a doença se manifesta com níveis de triglicerídeos entre 200 e 500 mg/dL e baixo HDL-colesterol (< 35 mg/dL). O que a torna clinicamente relevante é que fatores secundários podem exacerbar a condição, ou seja, podem piorar os níveis de triglicerídeos e aumentar o risco de complicações, como a pancreatite.
Os fatores exacerbadores são aqueles que aumentam a produção hepática de VLDL ou diminuem sua remoção. O consumo de álcool inibe a lipase lipoproteica (LPL), reduzindo a hidrólise de quilomícrons e VLDL, e o etanol é precursor da síntese de ácidos graxos. O diabetes melito descompensado, especialmente com resistência insulínica, aumenta a produção de VLDL e diminui a atividade da LPL. O uso de estrogênio (presente em contraceptivos orais) aumenta a produção hepática de VLDL. O hipotireoidismo diminui a atividade da LPL, reduzindo a depuração de triglicerídeos.
O tabagismo, por sua vez, não tem um mecanismo direto de exacerbação da hipertrigliceridemia. Embora seja um fator de risco cardiovascular importante, não atua diretamente no metabolismo das lipoproteínas ricas em triglicerídeos. Por isso, não é listado como fator exacerbador da hipertrigliceridemia familiar.
A pegadinha da questão está em distinguir os fatores que exacerbam a hipertrigliceridemia daqueles que são apenas fatores de risco cardiovascular. O tabagismo é um fator de risco cardiovascular, mas não exacerba diretamente a hipertrigliceridemia. As demais alternativas (álcool, diabetes, contraceptivos orais e hipotireoidismo) são fatores secundários reconhecidos que aumentam os triglicerídeos.
Fatores exacerbadores da hipertrigliceridemia familiar: Álcool (inibe a lipase lipoproteica (LPL), precursor da síntese de ácidos graxos); Diabetes melito (resistência insulínica, aumenta VLDL e reduz LPL); Contraceptivos orais (estrogênio) (aumenta produção hepática de VLDL); Hipotireoidismo (reduz atividade da LPL); Tabagismo (não exacerba) (fator de risco cardiovascular, sem mecanismo direto no metabolismo lipídico)
Alternativa A — ❌ Incorreta
O consumo de álcool é um fator exacerbador clássico da hipertrigliceridemia. O etanol inibe a lipase lipoproteica, reduzindo a hidrólise de quilomícrons e VLDL, e seu metabolismo gera acetil-CoA, precursora da síntese de ácidos graxos. Portanto, é um fator que piora a hipertrigliceridemia familiar.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O tabagismo não é considerado fator exacerbador da hipertrigliceridemia familiar. Embora seja um fator de risco cardiovascular importante, não atua diretamente no metabolismo das lipoproteínas ricas em triglicerídeos. Não há mecanismo fisiopatológico direto que ligue o tabagismo ao aumento dos triglicerídeos na hipertrigliceridemia familiar.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O diabetes melito é um fator exacerbador da hipertrigliceridemia. O diabetes descompensado, especialmente com resistência insulínica, aumenta a produção hepática de VLDL e diminui a atividade da lipase lipoproteica, elevando os triglicerídeos. É um fator secundário clássico que deve ser manejado no tratamento.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O uso de contraceptivos orais é um fator exacerbador da hipertrigliceridemia. O estrogênio presente nos contraceptivos aumenta a produção hepática de VLDL, elevando os triglicerídeos. A terapia com estrogênio é reconhecida como fator que exacerba a hipertrigliceridemia familiar.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O hipotireoidismo é um fator exacerbador da hipertrigliceridemia. O hipotireoidismo diminui a atividade da lipase lipoproteica, reduzindo a depuração de triglicerídeos e VLDL, o que eleva os níveis de triglicerídeos. É uma causa secundária clássica de hipertrigliceridemia.