Questão de Medicina — Cardiologia e Alterações Vasculares — FUNDATEC 2024
Medicina›Cardiologia e Alterações Vasculares
Código
qg173802
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Monte Castelo - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínico Geral
Paciente com insuficiência cardíaca congestiva, medicado com Sacubitril-Valsartana, Furosemida, Espironolactona e Carvedilol, em exames laboratoriais apresenta sódio 137 mmol/L e potássio 5.9 mmol/L. Em novos exames, apresenta sódio 135 mmol/L e potássio 6.5 mmol/L. Considerando os seguintes valores de referência: sódio 135-145 mmol/L; potássio 3,5-5,5 mmol/L, qual é a melhor conduta com base no segundo exame laboratorial?
AAumentar a dose de Furosemida.
BAumentar a dose de Losartana.
CRetirar a Espironolactona.
DRetirar Carvedilol.
EDiminuir a dose de Espironolactona.
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GabaritoC — Retirar a Espironolactona.
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Insuficiência cardíaca: manejo da hipercalemia induzida por espironolactona
Gabarito: letra C. O segundo exame mostra potássio de 6,5 mmol/L, valor francamente acima do limite superior de 5,5 mmol/L — hipercalemia grave. A espironolactona é um diurético poupador de potássio e, nesse cenário, a conduta mais segura é retirar a espironolactona, pois a hipercalemia é um efeito adverso potencialmente fatal e a droga é a principal causadora do distúrbio. As demais opções (aumentar furosemida, aumentar losartana, retirar carvedilol ou diminuir espironolactona) não são as mais adequadas, seja por não tratar a causa, seja por serem insuficientes ou até perigosas.
A hipercalemia é definida como potássio sérico acima de 5,5 mmol/L. No paciente com insuficiência cardíaca, o uso de medicamentos que interferem no metabolismo do potássio é comum: a espironolactona (antagonista da aldosterona) reduz a excreção renal de potássio, e os inibidores da ECA ou BRA (como o sacubitril-valsartana, que contém um BRA) também podem elevar o potássio. Quando o potássio ultrapassa 6,0 mmol/L, o risco de arritmias ventriculares graves (como fibrilação ventricular) e parada cardíaca aumenta substancialmente, exigindo intervenção imediata.
A conduta diante da hipercalemia depende da gravidade e da causa. No caso apresentado, o potássio subiu de 5,9 para 6,5 mmol/L entre os dois exames, com sódio ainda dentro da faixa (135 mmol/L). A espironolactona é o fármaco mais diretamente implicado na retenção de potássio, e a recomendação das diretrizes de insuficiência cardíaca é suspender o uso quando o potássio sérico ultrapassa 5,5 mmol/L (ou, em algumas referências, 5,0 mmol/L em pacientes de alto risco). A simples redução da dose (alternativa E) pode não ser suficiente para evitar a progressão da hipercalemia, e a retirada é a medida mais segura e imediata.
A furosemida (diurético de alça) aumenta a excreção de potássio e, portanto, poderia teoricamente ajudar a reduzir o potássio, mas aumentar sua dose não é a conduta de primeira linha para hipercalemia grave — além de não tratar a causa (a espironolactona), pode causar depleção de volume e piora da função renal. A losartana (BRA) também retém potássio, então aumentá-la seria contraproducente. O carvedilol (betabloqueador) não tem efeito direto sobre o potássio, e retirá-lo não resolveria a hipercalemia — pelo contrário, poderia descompensar a insuficiência cardíaca.
A distinção crucial é entre retirar e diminuir a espironolactona. Com potássio de 6,5 mmol/L, a conduta é retirar (suspender) o medicamento, não apenas reduzir a dose. A redução de dose seria considerada em hipercalemia leve (5,5–5,9 mmol/L) ou como estratégia após a normalização do potássio, mas não é a conduta imediata diante de um valor tão elevado.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta confundir entre "retirar" e "diminuir" a espironolactona. Com potássio de 6,5 mmol/L, a conduta é retirar (suspender) o medicamento, não apenas reduzir a dose. A redução de dose seria considerada em hipercalemia leve (5,5–5,9 mmol/L) ou como estratégia após a normalização do potássio, mas não é a conduta imediata diante de um valor tão elevado.
1Suspender espironolactona
2Avaliar ECG (risco de arritmia)
3Gluconato de cálcio (cardioproteção)
4Insulina + glicose (redistribuição)
5Diurético de alça (excreção)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Aumentar a dose de furosemida não é a conduta de primeira linha para hipercalemia grave. Embora a furosemida aumente a excreção de potássio, ela não trata a causa (a espironolactona) e pode causar depleção de volume, hipotensão e piora da função renal — especialmente em um paciente com insuficiência cardíaca já em uso de múltiplos medicamentos. A conduta correta é suspender o agente causador.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Aumentar a dose de losartana é contraproducente. A losartana é um bloqueador do receptor da angiotensina II (BRA) e, assim como a espironolactona, tende a elevar o potássio sérico, pois reduz a excreção renal de potássio. Aumentar sua dose pioraria a hipercalemia, não a corrigiria.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Retirar a espironolactona é a conduta correta. A espironolactona é um diurético poupador de potássio (antagonista da aldosterona) e é a principal responsável pela hipercalemia neste paciente. Com potássio de 6,5 mmol/L, a suspensão do medicamento é a medida mais segura e imediata para prevenir arritmias graves. As diretrizes de insuficiência cardíaca recomendam suspender a espironolactona quando o potássio sérico ultrapassa 5,5 mmol/L.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Retirar o carvedilol não é a conduta adequada. O carvedilol é um betabloqueador e não tem efeito direto sobre os níveis de potássio. Retirá-lo não corrigiria a hipercalemia e, além disso, poderia descompensar a insuficiência cardíaca, aumentando o risco de hospitalização e morte. O carvedilol deve ser mantido, a menos que haja outra contraindicação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diminuir a dose de espironolactona é insuficiente diante de potássio de 6,5 mmol/L. A redução de dose pode ser considerada em hipercalemia leve (5,5–5,9 mmol/L), mas com um valor tão elevado, a conduta é suspender o medicamento. Manter a espironolactona, mesmo em dose menor, mantém o risco de progressão da hipercalemia e de arritmias fatais.
Gabarito: letra C — retirar a espironolactona é a conduta mais segura e adequada para hipercalemia grave (K+ 6,5 mmol/L) em paciente com insuficiência cardíaca.