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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FUNDATEC 2024

MedicinaClínica Médica Humana
Código
qg173805
Banca
FUNDATEC
Órgão
Prefeitura de Monte Castelo - SC
Ano
2024
Nível
Superior
Cargo
Médico - Clínico Geral
Além do desbridamento cirúrgico, qual é o tratamento farmacológico para uma gangrena gasosa?
  1. ASulfametoxazol-Trimetoprima endovenoso + Vancomicina endovenoso.
  2. BClindamicina endovenoso + Penicilina G endovenoso.
  3. CAciclovir oral + Eritromicina oral.
  4. DVancomicina endovenoso.
  5. ELevofloxacino oral.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — Clindamicina endovenoso + Penicilina G endovenoso.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Gangrena gasosa: tratamento farmacológico

Gabarito: letra B. O tratamento farmacológico da gangrena gasosa, além do desbridamento cirúrgico, é feito com a associação de Clindamicina endovenosa + Penicilina G endovenosa. Essa combinação é o esquema clássico e mais aceito, pois a clindamicina inibe a síntese de toxinas pelos clostrídios (mecanismo-chave da doença), enquanto a penicilina age na parede celular bacteriana. As demais alternativas trazem esquemas inadequados, seja por espectro incorreto, via de administração errada ou ausência de cobertura para os agentes causadores.

A gangrena gasosa (ou mionecrose clostridiana) é uma infecção necrosante de evolução rapidíssima, causada principalmente pelo Clostridium perfringens, uma bactéria anaeróbia formadora de esporos que produz toxinas capazes de destruir músculo, vasos e tecido subcutâneo. O quadro clínico é dramático: dor intensa e desproporcional ao exame, edema, crepitação (gás nos tecidos), secreção fétida e toxemia sistêmica. Sem tratamento imediato, a mortalidade é altíssima.

O pilar do tratamento é o desbridamento cirúrgico agressivo e precoce, que remove todo o tecido necrosado e descomprime os compartimentos. A antibioticoterapia é adjuvante, mas essencial. O esquema de escolha combina um antibiótico que iniba a síntese de toxinas (clindamicina) com outro que tenha atividade bactericida direta contra o clostrídio (penicilina G). A clindamicina é particularmente importante porque, ao bloquear a produção de toxinas, reduz a progressão da doença — algo que a penicilina isolada não faz. Em pacientes alérgicos à penicilina, a alternativa costuma ser clindamicina associada a metronidazol, como mencionado na literatura de referência. A oxigenoterapia hiperbárica pode ser usada como adjuvante, mas nunca substitui o desbridamento e os antibióticos.

A banca explora aqui um conhecimento de infectologia e farmacologia clínica: o candidato precisa saber não apenas qual antibiótico usar, mas por que a combinação é necessária. A pegadinha está em alternativas que trazem antibióticos de espectro errado (como vancomicina, que cobre Gram-positivos mas não os anaeróbios clostridiais de forma eficaz) ou vias de administração inadequadas (oral, que não atinge níveis teciduais rápidos e altos necessários em uma infecção necrosante).

Guarde o raciocínio: gangrena gasosa = clostrídio produtor de toxina → precisa de antibiótico que iniba toxina (clindamicina) + antibiótico bactericida (penicilina G), ambos endovenosos. É esse critério que separa a alternativa correta das demais.

  1. 1Desbridamento cirúrgico precoce
  2. 2Clindamicina EV (antitoxina)
  3. 3Penicilina G EV (bactericida)
  4. 4Alternativa: metronidazol (alergia)
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

Sulfametoxazol-Trimetoprima (SMX-TMP) e Vancomicina não são o esquema indicado. O SMX-TMP tem espectro para bactérias Gram-negativas e alguns Gram-positivos, mas não é a primeira escolha para anaeróbios clostridiais, e a vancomicina, embora potente contra Gram-positivos, não cobre bem os clostrídios nem inibe a produção de toxinas. A combinação não ataca o mecanismo central da doença.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Clindamicina + Penicilina G endovenosas é o tratamento farmacológico clássico da gangrena gasosa. A clindamicina inibe a síntese de toxinas (ação antitoxina) e a penicilina G é bactericida contra o Clostridium perfringens. Ambos devem ser administrados por via endovenosa para garantir níveis séricos e teciduais rápidos e elevados, essenciais em uma infecção de progressão fulminante.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Aciclovir é um antiviral (para herpes e varicela-zóster) e eritromicina é um macrolídeo com espectro para bactérias atípicas e Gram-positivos, mas nenhum dos dois tem atividade relevante contra clostrídios. Além disso, a via oral é inadequada para uma infecção necrosante grave, que exige antibióticos endovenosos de alta potência. A alternativa mistura classes farmacológicas sem relação com a gangrena gasosa.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Vancomicina endovenosa isolada não é o tratamento da gangrena gasosa. Embora seja um antibiótico potente contra Gram-positivos, não cobre adequadamente os anaeróbios clostridiais e, principalmente, não inibe a produção de toxinas — o mecanismo que causa a destruição tecidual. O tratamento exige a combinação com um agente antitoxina (clindamicina) e um bactericida específico (penicilina).

Alternativa E — ❌ Incorreta

Levofloxacino oral é uma fluoroquinolona com espectro para Gram-negativos e alguns Gram-positivos, mas não é o esquema de escolha para gangrena gasosa. A via oral não atinge níveis teciduais rápidos e altos necessários em uma infecção necrosante, e o espectro não cobre de forma otimizada os clostrídios nem inibe a toxina. O tratamento padrão é endovenoso e combinado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta confundir o candidato com antibióticos de espectro amplo (vancomicina, levofloxacino) que parecem razoáveis, mas não são específicos para clostrídios. O erro clássico é escolher um antibiótico "forte" isolado, esquecendo que a gangrena gasosa exige a combinação clindamicina + penicilina, com a clindamicina cumprindo o papel crucial de bloquear a toxina. Na prova, lembre-se: infecção por clostrídio = antitoxina + bactericida, sempre endovenoso.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte um quadro mental: gangrena gasosa → Clostridium perfringens → toxina alfa → destruição tecidual. O tratamento é cirurgia + clindamicina (bloqueia toxina) + penicilina G (mata a bactéria). Se o paciente for alérgico à penicilina, troque por metronidazol. Essa associação é a mais cobrada em provas de clínica médica e infectologia.

Gabarito: letra B

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